A deputada federal Benedita da Silva, do PT, lidera a disputa pelas duas vagas do Rio de Janeiro no Senado, com 29,6% das intenções de voto, segundo levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado em 25 de agosto de 2026. O ex-prefeito da capital fluminense Marcelo Crivella, do Republicanos, aparece em segundo, com 21%, e o deputado Pedro Paulo, do PSD, em terceiro, com 16,4%. Como o estado elege dois senadores nesta eleição, a lista de percentuais descreve, na prática, duas corridas simultâneas: uma já com favorita definida e outra ainda em aberto.
A ficha técnica é a mesma nas duas coberturas. O instituto ouviu 1.600 eleitores em 58 municípios fluminenses entre os dias 22 e 24 de agosto, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos e grau de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número RJ-02422/2026. Depois dos três primeiros colocados vêm Carlos Jordy, do PL, com 11,9%, Carlos Portinho, também do PL, com 10,6%, e Waguinho, do Republicanos, com 9,2%. Monica Benicio, do PSOL, marca 5,9%, e os demais dez nomes pesquisados ficam em 5,3% ou menos. Brancos, nulos e a opção nenhum somam 13,2%, e outros 9,2% dizem não saber ou não opinam.
Os pontos de convergência entre os lados que cobriram o caso são os números e o método. Veículos de esquerda destacaram a vantagem da parlamentar do PT sobre o segundo colocado e situaram o resultado dentro do quadro mais amplo das eleições de 2026, apresentando também a distância curta entre o segundo e o terceiro lugares como sinal de que a segunda vaga segue indefinida. A cobertura de centro manteve o texto no perímetro do dado: lead com os dois primeiros, lista integral de percentuais e detalhamento da metodologia, incluindo o número de municípios visitados e o registro no Tribunal Superior Eleitoral, sem análise de cenário e sem projeção sobre alianças. Nenhuma das duas versões atribui a liderança a fator específico, nem afirma tendência de alta ou de queda, porque o material publicado não traz comparação com levantamentos anteriores.
A divergência de cobertura é, aqui, mais de escopo do que de substância. O texto do campo progressista contextualiza o resultado como parte de uma disputa nacional em curso e nomeia as siglas de cada candidato; o texto de centro suprime as legendas da lista de percentuais e entrega o levantamento como registro seco. Veículos de direita não haviam repercutido a pesquisa até o fechamento desta análise, de modo que a leitura desse campo não está representada no material reunido. O que o próprio dado permite observar, sem interpretação de lado, é que o eleitor que não escolhe a primeira colocada aparece distribuído por cinco candidaturas de centro e de direita, e que essa distribuição, e não a distância para a líder, é o que mantém a segunda vaga em aberto.
O que ainda não se sabe é relevante para avaliar o alcance do resultado. Nenhuma das reportagens informa quem contratou o levantamento, nem se o cenário testado foi estimulado ou espontâneo. Também não há índice de rejeição de cada nome, recorte por região do estado ou faixa de renda, nem comparação com pesquisas anteriores do mesmo instituto, o que impediria dizer se algum candidato sobe ou desce. As candidaturas ainda não estão definitivamente registradas, e mudanças de composição até o prazo legal podem redesenhar a lista testada. Por fim, o bloco de 22,4% formado por brancos, nulos e eleitores sem opinião permanece sem explicação nas duas coberturas, embora seja maior que a votação do terceiro colocado.