A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou à Metrópoles que vai trabalhar para viabilizar a candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) a uma vaga no Senado pelo Distrito Federal nas eleições de 2026. Segundo Celina, a decisão final cabe à própria Michelle, mas ela classificou a ex-primeira-dama como 'um ativo muito importante' e disse que fará o possível para que ela seja a candidata do grupo bolsonarista no DF.
A declaração ocorre semanas depois de Michelle Bolsonaro anunciar, em 30 de junho, sua renúncia à presidência do PL Mulher. A saída se deu em meio a um desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro, seu enteado, sobre articulações do partido no Ceará. Michelle afirmou ter se sentido desrespeitada durante uma conversa telefônica sobre o tema. Na mesma entrevista, Celina confirmou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República em 2026, dizendo que ele é o candidato com quem está coligada. A governadora também comentou a desistência do ex-governador do DF Ibaneis Rocha (MDB) de disputar uma vaga no Senado, chamando a decisão de 'foro íntimo, pessoal'. O Distrito Federal elegerá dois senadores em 2026, como as demais unidades da Federação.
A cobertura de centro relatou os fatos da entrevista de forma direta, reproduzindo as declarações de Celina sem acrescentar interpretação adicional sobre os bastidores da articulação. Já veículos de esquerda destacaram que a movimentação, feita a partir do Palácio do Buriti, levanta questões sobre os limites entre articulação política pessoal e uso da estrutura do governo do Distrito Federal, e criticaram o fato de que a entrevista e as repercussões iniciais não mencionaram as investigações judiciais que cercam pessoas próximas a Michelle, incluindo Flávio Bolsonaro. Para essa cobertura, tratar a articulação como um movimento político comum, sem debater essas investigações, é uma escolha editorial que normaliza controvérsias relevantes. Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram a candidatura de Michelle como reforço estratégico para o campo conservador no Distrito Federal, descrevendo-a como um nome que já lideraria as pesquisas informais para o Senado, sem aprofundar questionamentos sobre o uso de recursos públicos na articulação.
O que ainda não se sabe é se Michelle Bolsonaro de fato confirmará a candidatura, já que a própria governadora reconheceu que a decisão depende exclusivamente dela. Também não há detalhamento sobre qual instituto teria realizado a pesquisa citada por Celina, nem sobre eventual apuração formal a respeito dos limites entre a atuação pessoal da governadora e o uso da máquina do governo do DF na articulação eleitoral.