Até o momento, apenas o veículo ICL Notícias, em reportagem assinada por Thaísa Oliveira, da Folhapress, cobriu com profundidade a transformação da Papudinha, o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, em centro de detenção dos réus de três dos maiores escândalos recentes do país.
Segundo a reportagem, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi transferido para a unidade no mês passado e hoje ocupa a antiga cela do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpriu parte da pena no local antes de conseguir prisão domiciliar. Vorcaro é acusado pela Polícia Federal de pagar propina ao ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, que também está detido na Papudinha e hoje passa boa parte do dia negociando um acordo de delação premiada com seus advogados. A proposta, no entanto, foi formalmente recusada pelo Ministério Público Federal.
O batalhão também abriga o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, cinco ex-coronéis da Polícia Militar do Distrito Federal e o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, investigado por descontos ilegais em aposentadorias e pensões. Todos estão ligados a processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal, entre eles o da tentativa de golpe.
A reportagem relata que o direito de ficar em sala de estado-maior é concedido, via de regra, a advogados e autoridades, e que Vorcaro não teria prerrogativa legal para ocupar esse espaço. Ainda assim, o ministro do STF André Mendonça autorizou a permanência dele na Papudinha, citando peculiaridades do caso, como risco concreto à integridade física, e negou expressamente que a decisão configure privilégio ou tratamento favorecido.
O texto também traz a avaliação de uma perita do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, que descreve o restante do sistema prisional do Distrito Federal como degradado e superlotado, em contraste com a estrutura da Papudinha e da Penitenciária Federal de Brasília, ainda que nesta última o regime seja mais restrito, com banho de sol limitado e proibição de contato físico nas visitas.
Segundo a Polícia Militar, a corporação arca hoje com todos os custos da unidade usando orçamento próprio e negocia com as autoridades o reconhecimento formal do batalhão, que tem capacidade para 60 presos e hoje abriga 52, como presídio, para ter acesso a recursos federais ou distritais. A instituição afirma que as tratativas estão em estágio inicial, sem previsão de conclusão.
O que ainda não se sabe é se o pedido de reclassificação orçamentária do batalhão será aceito, qual será o desfecho da negociação de delação de Paulo Henrique Costa e se outros réus de casos de grande repercussão poderão ser transferidos para a mesma unidade nos próximos meses.