
Usamos cookies para melhorar sua experiência. Escolha se deseja permitir cookies para análise e funcionamento opcional. Consulte nossa Política de Cookies.

Relatório da Transparência Brasil aponta que a Câmara dos Deputados destinou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão em 2025 sem identificar o parlamentar responsável pela indicação, prática que a entidade compara ao extinto orçamento secreto.
Um levantamento da organização Transparência Brasil, divulgado nesta segunda-feira (13), revelou que a Câmara dos Deputados destinou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão no ano passado sem identificar o parlamentar que efetivamente indicou os recursos. O montante corresponde a 1.341 indicações registradas em nome de lideranças partidárias, uma prática que a entidade classifica como semelhante à lógica do extinto orçamento secreto, considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em 2022.
Segundo o estudo, a Câmara destinou R$ 7,9 bilhões em emendas de comissão em 2025, distribuídos em 12.231 indicações; cerca de 16% desse total, ou R$ 1,3 bilhão, não teve autoria identificada. O Senado, que somou R$ 3,8 bilhões no mesmo tipo de emenda, informa nominalmente o parlamentar responsável por cada indicação, uma diferença que o relatório aponta como falha exclusiva da Câmara. Sete bancadas usaram as chamadas "emendas de liderança": PP, União Brasil, Republicanos, PL, Avante, Podemos e Solidariedade. A Comissão de Saúde concentrou o maior volume, com R$ 818 milhões distribuídos em 808 indicações pulverizadas entre fundos municipais. Procurada, a assessoria da Câmara dos Deputados não retornou aos questionamentos sobre o levantamento.
O relatório também menciona o caso do ex-deputado Eduardo Cunha, hoje sem mandato: segundo a Transparência Brasil, boa parte dos beneficiários de emendas a ele atribuídas está associada a indicações genéricas da liderança do Republicanos. No domingo (12), véspera da divulgação do relatório, o ministro do STF Flávio Dino já havia determinado o bloqueio de bens de Cunha até o limite de R$ 6 milhões, por suspeita de uso irregular de emendas destinadas a municípios de Minas Gerais.
Veículos de direita, como Jovem Pan e O Antagonista, detalharam com maior precisão a distribuição dos valores por partido, com o PP à frente com R$ 427,7 milhões, seguido por União Brasil, PL e Republicanos, e relembraram que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também é alvo de bloqueio de bens determinado por Dino, além de investigação da Polícia Federal por suposto desvio de R$ 119 milhões em emendas. Já a cobertura de centro, replicada por Folha e Notícias ao Minuto a partir de apuração da Folhapress, manteve o relato mais próximo do texto original do relatório, incluindo a fala do coordenador de projetos da Transparência Brasil, Cristiano Pavini, para quem há sólidos indícios de que as emendas de liderança foram utilizadas para ocultar a autoria de pessoas que não estão com mandato. Veículos de esquerda, caso do ICL Notícias, destacaram a reincidência da prática mesmo após decisões do STF e a associaram a uma série mais ampla de apurações sobre desvio de emendas parlamentares, reforçando o argumento de que o mecanismo mantém viva a lógica do orçamento secreto.
Um dado atravessa toda a cobertura: mesmo em 2026, com exceção do Solidariedade, todos os partidos que usaram emendas de liderança em 2025 seguem adotando o modelo, incluindo o PT, do presidente Lula, que passou a recorrer ao mecanismo neste ano. Até maio, R$ 373,8 milhões já haviam sido registrados dessa forma na atual legislatura.
O que ainda não se sabe é se a Câmara vai atender às recomendações da Transparência Brasil, que pede a suspensão dos pagamentos das emendas de liderança, a criação de um identificador único para cada indicação e a publicação das atas das reuniões de bancada de 2025 e 2026, documentos que a entidade diz não ter conseguido obter nem por pedido formal de acesso à informação.
Todos os veículos concordam que a Câmara ocultou a autoria de R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão em 2025, que o Senado identifica nominalmente seus autores enquanto a Câmara não, e que a prática se assemelha à lógica do orçamento secreto, julgado inconstitucional pelo STF em 2022.
5 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Corpo do texto é majoritariamente factual (matéria da Folhapress), mas a curadoria de conteúdo relacionado (links para a apuração sobre Valdemar Costa Neto, o caso Chiquinho Brazão e a série 'Orçamento Secreto') reforça uma narrativa de responsabilização sistêmica típica de cobertura de esquerda.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Reprodução direta da apuração da Folhapress, sem acréscimo de opinião ou seleção editorial adicional; tom neutro e descritivo.
Veículos com viés à direita
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Artigo detalha com precisão o relatório da Transparência Brasil, cita nominalmente parlamentares investigados pela Polícia Federal (Valdemar Costa Neto, Eduardo Cunha) e decisões do ministro Flávio Dino, sem linguagem valorativa; enquadramento factual e investigativo apesar do publisher ser classificado como RIGHT.

Levantamento da Transparência Brasil divulgado nesta segunda-feira (13) aponta falta de informações sobre repasses feitos em 2025

Indicações registradas em nome de líderes partidários dificultam a identificação dos parlamentares responsáveis pela destinação dos recursos

Relatório aponta que Câmara destinou R$ 1,3 bilhão em emendas sem identificar os autores, reproduzindo a lógica do antigo orçamento secreto


Questionada sobre estudo da ONG Transparência Brasil, a assessoria da Casa não retornou
Reporte para que a equipe revise. Sua contribuição ajuda a melhorar a cobertura.
Texto original da Folhapress, com entrevista direta ao coordenador de projetos da Transparência Brasil e detalhamento da distribuição por comissão; cobertura factual e sem enquadramento ideológico.
Perspectivas omitidas
Perspectivas omitidas
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Cobertura estatística e descritiva, com detalhamento por partido e citação do coordenador da Transparência Brasil; sem enquadramento ideológico evidente apesar do publisher ser classificado como RIGHT.
Perspectivas omitidas



