Segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), as exportações brasileiras para a China somaram US$ 58,3 bilhões no primeiro semestre deste ano, alta de 22% ante o mesmo período de 2025, enquanto as importações do país asiático cresceram 8%, para US$ 38,5 bilhões. O resultado gerou um superávit comercial de US$ 19,8 bilhões com o parceiro asiático, equivalente a quase metade (47%) de todo o saldo positivo do comércio exterior brasileiro no período. Até o momento, apenas o veículo InfoMoney cobriu o caso, relatando que o avanço foi puxado, do lado das exportações, pelo petróleo bruto e pela carne bovina, e, do lado das importações, por uma onda de veículos eletrificados.
De acordo com a reportagem, o embarque de petróleo bruto brasileiro para a China cresceu 62% em valor ante maio e junho de 2025, batendo recordes mensais em março, abril e junho. O diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC, Tulio Cariello, atribuiu o salto ao bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde passa metade das importações chinesas de petróleo, o que teria tornado o Brasil um parceiro estratégico para Pequim em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Ainda segundo o texto, o Rio de Janeiro respondeu por 23,3% de todas as vendas brasileiras à China no semestre, puxado justamente pelo petróleo.
A cobertura também descreve o desempenho da carne bovina, cujas exportações ao país asiático subiram 50% no semestre, para US$ 4,8 bilhões, com recorde mensal em junho. A matéria explica que esse ritmo tende a perder força no segundo semestre porque o Brasil já atingiu a cota de 1,1 milhão de toneladas com imposto de 12%: a partir desse volume passa a incidir uma sobretaxa de 55%, o que reduz a competitividade do produto brasileiro e pode levar frigoríficos a redirecionar vendas a outros mercados ou ao consumo interno. Já a carne de frango, suspensa por seis meses em 2025 após um caso de gripe aviária, voltou a crescer e somou US$ 772 milhões no semestre, alta de 43%.
Do lado das compras, o destaque foi a quadruplicação das importações de carros elétricos e a duplicação das vendas de híbridos plug-in, que juntos levaram os veículos eletrificados a 15% de toda a pauta de importação brasileira vinda da China, ou US$ 2,79 bilhões. Segundo Cariello, o movimento reflete a antecipação de embarques por importadores antes do aumento da tarifa de importação sobre eletrificados, que subiu de 25% para 35% neste mês. O executivo do CEBC pondera que essa aceleração deve perder força nos próximos meses, à medida que novas marcas chinesas cheguem ao país e fábricas da BYD e da GWM comecem a operar em solo brasileiro. A reportagem também menciona o crescimento de 218% no faturamento com chips de memória importados da China, para US$ 432 milhões, atribuído à demanda global aquecida por semicondutores.
Sobre o papel do tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil, Cariello se disse cauteloso em atribuir a ele o avanço do comércio com a China, já que as pautas de exportação para os dois mercados são diferentes; para o executivo, o efeito americano seria mais indireto, via o próprio envolvimento dos Estados Unidos no conflito em Ormuz.
O que ainda não se sabe é se o ritmo recorde de exportações de petróleo e carne bovina resistirá à sobretaxa chinesa sobre a carne no segundo semestre, nem qual será o efeito de médio prazo do aumento da tarifa chinesa sobre elétricos e da chegada de fábricas da BYD e da GWM sobre o volume futuro de importações.