Estados Unidos e China cortam tarifas sobre US$ 60 bilhões e excluem a soja
4 veículos de centro · 1 veículo de direita

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
5 fontes políticas
Como decidimos →Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
- CNN BrasilChina e EUA concordam com cortes tarifários em US$ 60 bilhões em produtosO acordo inclui itens agrícolas, com exceção da soja, e domésticos, como pequenos eletrodomésticos chineses, além de brinquedos e intens para o Natal(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
- CNN BrasilChina reduz tarifas de produtos agrícolas dos EUA mas exclui a sojaPacote de cortes atinge itens como milho, farelo de soja e carnes após cúpula entre Xi Jinping e Donald Trump enquanto grão mantém taxa extra(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
- MetrópolesChina e EUA anunciam redução de tarifas sobre US$ 60 bilhões em produtosCada país indicou US$ 30 bilhões em mercadorias que poderão receber tratamento tarifário mais favorável(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Briefing
O que importa para você
- A soja americana segue com tarifa adicional de 10%, e sem tarifa o custo de desembarque da soja americana e da brasileira na China é de cerca de US$ 595 por tonelada, com preferência dos compradores pela brasileira por maior teor de óleo e proteína.
- Eletrodomésticos, brinquedos e enfeites de Natal chineses ficam mais baratos nos Estados Unidos, mas boa parte dos artigos desta temporada já foi embarcada antes do anúncio.
- A trégua vale só até 10 de janeiro, prazo em que contratos e decisões de investimento voltam a ficar em aberto.
- A China se compromete a importar 10 milhões de toneladas de carvão americano por ano em 2027 e 2028, cerca de 2% de suas importações anuais do produto.
Onde os lados concordam
- Toda a cobertura descreve o mesmo pacote: cerca de US$ 60 bilhões em mercadorias, US$ 30 bilhões de cada lado, decididos no Conselho de Comércio EUA-China depois da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping.
- Há convergência de que a trégua comercial foi estendida até 10 de janeiro e de que a soja em grão ficou fora das reduções.
- Nenhum veículo afirma que as tarifas já caíram: todos registram que a vigência depende dos trâmites legais de cada país.
O que ainda está incerto
- Nenhuma das partes informou a data em que as reduções tarifárias entram em vigor.
- A China nunca confirmou publicamente a meta de US$ 17 bilhões em compras agrícolas anuais atribuída a ela pela Casa Branca.
- Não se sabe o desfecho da investigação americana sobre excesso de capacidade industrial chinesa, que pode resultar em novas tarifas, nem o que acontece com a soja depois de 10 de janeiro.
Os dois governos publicaram listas recíprocas de produtos com tarifas reduzidas, num pacote de cerca de US$ 60 bilhões, e prorrogaram a trégua comercial até 10 de janeiro. A soja em grão, item mais negociado entre eles, ficou fora e segue com tarifa adicional de 10%. Veja o que cada lado da cobertura destacou e o que ainda não foi informado.
Os governos dos Estados Unidos e da China divulgaram nesta segunda-feira listas recíprocas de produtos que terão tarifas reduzidas, num pacote que abrange cerca de US$ 60 bilhões em mercadorias, sendo US$ 30 bilhões de cada lado. O anúncio saiu do Conselho de Comércio EUA-China, criado pelos dois governos para tratar de itens considerados não sensíveis, e é o desdobramento mais concreto da segunda cúpula do ano entre o presidente americano, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, realizada em Washington na semana anterior. Junto das listas, Pequim e Washington confirmaram a prorrogação da trégua comercial por dois meses, até 10 de janeiro.
A cobertura de centro relatou os termos com detalhe e forte convergência. A lista chinesa contempla commodities agrícolas americanas como milho, trigo, sorgo, carnes, laticínios, óleos vegetais e farelos, além de peixes e frutos do mar, madeira, cosméticos e dispositivos médicos. A lista americana alcança pequenos eletrodomésticos chineses, louças, roupas de cama, brinquedos, fogos de artifício, enfeites de Natal e cadeirinhas infantis para automóveis. Para mais de 90% dos itens, as tarifas específicas por país caem ao nível da nação mais favorecida. Um dos veículos de centro registrou que a relação chinesa reúne 1.619 itens e a americana, 77, e que semicondutores, veículos elétricos e baterias ficaram de fora, assim como petróleo e gás natural liquefeito. Nenhum texto do conjunto informa quando as reduções entram em vigor, porque as duas partes disseram que o passo seguinte depende dos procedimentos legais internos de cada país.
Veículos de direita enfatizaram o acordo como distensão entre as duas maiores economias do mundo e destacaram a promessa de acesso a mercado: segundo o Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, cerca de 30% das exportações americanas para a China passam a ter tratamento mais favorável. A leitura econômica mais completa veio da cobertura de centro especializada, que ouviu economistas divergindo sobre o tamanho do efeito. Para uns, o corte dá impulso relevante ao comércio bilateral e pode reduzir a inflação americana ao baratear bens de consumo; para outros, US$ 30 bilhões em cada sentido é pouco diante de exportações americanas de cerca de US$ 68 bilhões para a China nos primeiros sete meses do ano e de exportações chinesas de cerca de US$ 270 bilhões para os Estados Unidos nos primeiros oito meses. A cobertura de esquerda esteve ausente do conjunto analisado, de modo que o enquadramento de custo social, emprego e assimetria entre potências não apareceu em nenhuma matéria.
O ponto de maior atenção editorial foi a exclusão da soja em grão. O produto agrícola mais negociado entre os dois países segue sujeito a uma tarifa adicional de 10%, considerada alta demais para ser absorvida pelas usinas privadas chinesas, ainda que compradores estatais como Sinograin e Cofco já tenham adquirido mais de 12 milhões de toneladas, quase metade dos 25 milhões que a Casa Branca afirma que Pequim se comprometeu a comprar por ano. Um analista ouvido pela cobertura de centro afirmou que manter a soja em categoria separada preserva poder de barganha chinês antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. O pacote traz ainda a criação de um grupo de trabalho agrícola, com primeira reunião antes do fim do ano, o compromisso chinês de importar 10 milhões de toneladas de carvão americano por ano em 2027 e 2028, um canal de comunicação para incidentes de inteligência artificial, com novo diálogo até o fim de novembro, e conversas sobre voos diretos e sobre a autorização de instituições financeiras estrangeiras na China.
O que ainda não se sabe é quando as reduções passam a valer, se a China confirmará publicamente a meta de US$ 17 bilhões em compras agrícolas anuais, qual será o desfecho da investigação americana sobre excesso de capacidade industrial chinesa, que pode gerar novas tarifas, e o que acontece com a soja quando a trégua vencer em 10 de janeiro. Também segue sem resposta quanto do alívio chegará ao consumidor, já que boa parte dos artigos natalinos desta temporada foi embarcada antes do anúncio.
Fontes

O acordo inclui itens agrícolas, com exceção da soja, e domésticos, como pequenos eletrodomésticos chineses, além de brinquedos e intens para o Natal

Pacote de cortes atinge itens como milho, farelo de soja e carnes após cúpula entre Xi Jinping e Donald Trump enquanto grão mantém taxa extra

Washington e Pequim reduzirão taxas sobre US$ 30 bilhões em mercadorias de cada país e estenderão trégua comercial até 10 de janeiro

Cada país indicou US$ 30 bilhões em mercadorias que poderão receber tratamento tarifário mais favorável

Medida abrange US$ 30 bilhões de cada lado em trocas comerciais e se dá depois de reunião entre Donald Trump e Xi Jinping. Leia no Poder360.