O governo dos Estados Unidos propôs, em 2 de junho de 2026, tarifas adicionais de 10% ou 12,5% sobre produtos importados de 60 economias, sob a justificativa de que esses parceiros comerciais não implementaram nem aplicaram de forma eficaz a proibição de importar bens produzidos com trabalho forçado. O anúncio partiu do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, órgão que conduz a política comercial americana. Um dia depois, o Ministério das Relações Exteriores da China rejeitou a acusação e afirmou se opor a qualquer forma de tarifa unilateral.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse em coletiva de imprensa que não existe o chamado trabalho forçado no país e que Pequim se opõe ao uso do tema como desculpa para manipulação política. Do lado americano, o Representante de Comércio Jamieson Greer declarou que a falha dos principais parceiros comerciais em barrar mercadorias produzidas com trabalho forçado é inaceitável e cria uma dinâmica na qual trabalhadores americanos competem em condições desiguais.
A proposta divide os países atingidos em duas faixas. Economias que já impõem proibição à importação desses produtos, que se comprometeram a aplicá-la ou que mantêm regime parcial com efeito equivalente ficam com alíquota adicional de 10%: é o caso de Canadá, Equador, Indonésia, México, Paquistão e União Europeia. Todas as demais entram na faixa de 12,5%, grupo que inclui Brasil, Argentina, China, Japão, Reino Unido e Rússia.
A cobertura de centro relatou o episódio com detalhamento do relatório do USTR, reproduzindo tanto a conclusão americana de que a China não aplicou de modo eficaz a proibição quanto a negativa integral de Pequim, e registrou a inclusão do Brasil na faixa mais alta. Veículos de direita enfatizaram o enquadramento de disputa entre potências, tratando a China como alvo central de uma lista de 60 países e sublinhando o percentual de 12,5% que recai sobre as importações.
Nenhum veículo de esquerda cobriu o caso no conjunto de fontes reunido. A leitura à esquerda, a partir dos mesmos fatos, tenderia a separar duas questões que a medida junta: a denúncia de trabalho forçado como pauta de direitos trabalhistas e o uso de tarifas como instrumento de pressão comercial, com atenção ao custo que a sobretaxa impõe a exportadores e trabalhadores de países que não participaram da investigação.
Permanecem em aberto pontos decisivos. Nenhuma das reportagens informa a data de entrada em vigor da sobretaxa, o prazo de consulta pública ou o caminho para que um país deixe a faixa de 12,5%. Também não há registro de reação oficial do governo brasileiro à inclusão do país no grupo mais penalizado, nem estimativa do impacto da medida sobre a pauta de exportação nacional.