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O influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo desistiu de comparecer pessoalmente à audiência do governo dos Estados Unidos sobre a proposta de tarifa de 25% aos produtos brasileiros, prevista para segunda-feira (6). Ele disse que enviaria comentários por escrito e que o foco da semana deveria ser a participação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), marcada para terça (7). A desistência ocorreu após a repercussão de um vídeo em que Figueiredo afirmou que as mulheres 'votam muito mal' e atacou Michelle Bolsonaro. Flávio declarou 'repudiar veementemente' as falas e disse que o aliado não faz parte de sua campanha. A audiência integra investigação do USTR sobre práticas comerciais no Brasil, cuja decisão final cabe a Donald Trump.
O influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo anunciou que desistiu de comparecer pessoalmente à audiência promovida pelo governo dos Estados Unidos sobre a proposta de tarifa de 25% aos produtos brasileiros. Sua participação estava prevista para segunda-feira, e ele afirmou que enviaria seus comentários por escrito. A justificativa foi ceder o protagonismo a Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro e pré-candidato à Presidência, cuja participação estava marcada para o segundo dia de audiência, na terça-feira.
A cobertura de centro, representada pela Folha de S.Paulo e pela Notícias ao Minuto reproduzindo despacho da Folhapress, relatou de forma factual que a desistência ocorreu logo após a repercussão de um vídeo em que Figueiredo afirmou que as mulheres 'votam muito mal' e atacou Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama havia dito ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio. Diante do temor de desgaste com o eleitorado feminino, o senador declarou 'repudiar veementemente' as falas do aliado e afirmou que ele não faz parte de sua campanha, embora reconhecendo que Figueiredo 'ajuda muito nos Estados Unidos'.
Todos os veículos convergem no núcleo dos fatos. A audiência integra a investigação aberta pelo USTR, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, sobre práticas comerciais no Brasil. A investigação foi instaurada em julho de 2025 e mira desde queixas antigas de Washington, como as tarifas brasileiras sobre a importação de etanol, até o Pix. Nesse ponto, o governo Trump acusou o Banco Central de favorecer o Pix de forma discriminatória em relação a empresas de cartão americanas. A decisão final sobre aplicar ou não as tarifas cabe ao presidente Donald Trump. No documento protocolado, Figueiredo pede que Trump suspenda as tarifas e adie qualquer decisão até depois das eleições brasileiras de outubro, defendendo que sejam substituídas por sanções individuais da Lei Magnitsky contra ministros do Supremo Tribunal Federal, incluindo Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
É na leitura política que a cobertura diverge. Veículos de esquerda, como o ICL Notícias, enfatizaram o caráter machista da fala e a ofensiva bolsonarista contra o Judiciário brasileiro a partir do exterior, destacando que Lula classificou Flávio como 'traidor da pátria' por atuar em favor de medidas que penalizam o país para tentar reverter o julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. A cobertura de centro registrou tanto a acusação quanto o repúdio público de Flávio, mantendo paridade entre as versões. Não houve, no conjunto de fontes, veículos de direita cobrindo diretamente o episódio; a leitura de direita disponível nos próprios fatos aponta para o argumento bolsonarista de que o tarifaço decorreria da má diplomacia de Lula com Washington e de que a proposta de trocar tarifas amplas por sanções individuais pouparia a economia brasileira, mirando apenas autoridades vistas como responsáveis por excessos institucionais.
O que ainda não se sabe é o teor integral do vídeo atribuído a Figueiredo, qual será o resultado da participação de Flávio na audiência de terça-feira e, sobretudo, qual decisão final Donald Trump tomará sobre o tarifaço de 25% e sobre a alternativa das sanções da Lei Magnitsky.
Todos os veículos concordam nos fatos centrais: Figueiredo desistiu de ir pessoalmente à audiência do USTR após a repercussão da fala sobre mulheres, Flávio repudiou publicamente o aliado e participaria da audiência na terça-feira, e a decisão final sobre o tarifaço cabe a Trump.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
Publicado pelo ICL Notícias (veículo de esquerda). O texto enquadra a articulação bolsonarista de forma crítica, adota o termo 'fala machista' no título, destaca a fala de Lula chamando Flávio de 'traidor da pátria' e insere blocos relacionados criticando Trump ('a máfia não agia diferente') e Flávio ('mistura religião e política'). O núcleo factual é preciso, mas a seleção de contexto e vocabulário sinaliza enquadramento à esquerda.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Notícias ao Minuto reproduzindo despacho da Folhapress. Texto factual, com citações diretas atribuídas, apresenta a fala de Flávio repudiando o aliado e o contexto da investigação do USTR sem vocabulário valorativo próprio. Enquadramento neutro de agência.
Perspectivas omitidas
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Paulo Figueiredo desistiu de comparecer à audiência do governo dos EUA sobre a tarifa de 25% aos produtos brasileiros. A sessão seria hoje (6)


Paulo Figueiredo diz que foco deve ser a participação do pré-candidato à Presidência, prevista para terça
Reporte para que a equipe revise. Sua contribuição ajuda a melhorar a cobertura.
Folha de S.Paulo com reportagem própria ('A Folha teve acesso ao comentário escrito'). Texto factual e apurado, apresenta as duas pontas (a fala do aliado e o repúdio de Flávio), detalha o pedido de Figueiredo por Lei Magnitsky no lugar das tarifas. Enquadramento neutro de jornalão, sem vocabulário ideológico próprio.
Perspectivas omitidas


