O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, e pediu a anulação da expulsão do jogador americano Folarin Balogun, punido com cartão vermelho durante a Copa do Mundo de 2026, sediada em solo norte-americano. A Fifa atendeu ao pedido e, por meio do artigo 27 de seu código disciplinar, suspendeu condicionalmente a sanção, o que permitiu que Balogun voltasse a jogar contra a Bélgica nas oitavas de final. Depois, Trump agradeceu publicamente pela decisão. O episódio, revelado em reportagem do New York Times, provocou reação de veículos de diferentes orientações no Brasil.
Há pontos em que as coberturas convergem. Todas relatam que o pedido partiu diretamente de Trump, que a Fifa cedeu e que a Federação Belga manifestou inconformismo, recorrendo ao Tribunal Arbitral do Esporte, o CAS, sediado em Lausanne, na Suíça. Também é consenso que Uefa e Comissão Europeia criticaram a entidade máxima do futebol pela decisão.
Os veículos de centro concentraram-se no lado técnico e processual do caso. A cobertura de centro relatou que a Federação Belga terá muita dificuldade em reverter a decisão: o CAS exigiria que os belgas provassem ter sofrido impacto jurídico ou financeiro, algo difícil de comprovar antes de o jogo acontecer, e o tempo exíguo praticamente inviabilizaria uma decisão de emergência. Esse ângulo destacou ainda que a Fifa optou por suspender condicionalmente a sanção, e não por cancelá-la, o que enfraquece as chances de reversão.
Veículos de esquerda enfatizaram o que consideram um abuso de poder. Para essa cobertura, o episódio revela um padrão autoritário de Trump, que não aceita regras nem resultados contrários a seus interesses. Colunistas traçaram paralelos históricos com o ditador italiano Benito Mussolini, que manipulou a Copa de 1934 como propaganda fascista, e com o general Médici, que pressionou a seleção brasileira em 1970. Essa cobertura também ligou o comportamento de Trump ao bolsonarismo no Brasil, lembrando que Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos para pedir a Trump o adiamento do tarifaço sobre produtos brasileiros até depois das eleições de 2026, e alertou para o que descreve como ameaça à democracia.
Veículos de direita, por sua vez, evitaram o enquadramento moral e trataram o caso sob a ótica do regulamento. Essa cobertura enfatizou a viabilidade jurídica das reclamações belgas e os limites do código disciplinar da Fifa, sem atribuir ao episódio o peso de crise institucional que a esquerda apontou.
O que ainda não se sabe é se a Federação Belga conseguirá levar o caso adiante no CAS e com qual resultado, quais foram os termos exatos da conversa entre Trump e Infantino, e se a Fifa adotará alguma medida diante das críticas de Uefa e Comissão Europeia. Também não há confirmação independente sobre a alegação, citada por parte da cobertura, de que a Casa Branca teria produzido um dossiê contra um árbitro para pressionar a entidade.