O ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem afirmou, em entrevista à CNN, que sua extradição para o Brasil "não vai acontecer". As declarações foram dadas em um estádio em Nova Jersey, nos Estados Unidos, momentos antes de uma partida entre Brasil e Noruega, no domingo. Foragido da Justiça brasileira, Ramagem foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, no processo da chamada trama golpista.
A cobertura de centro relatou, com detalhamento processual, a cronologia do caso. Mesmo proibido pelo Supremo de deixar o país, Ramagem fugiu do Brasil pela fronteira de Roraima com a Guiana logo após a condenação e entrou nos Estados Unidos com passaporte diplomático, segundo investigação da Polícia Federal. Em 13 de abril, foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, o ICE, em Orlando, na Flórida, após uma infração de trânsito, porque seu visto estava vencido desde março. Solto dois dias depois, sem fiança, aguarda a análise de um pedido de asilo apresentado sob alegação de perseguição política. Segundo o próprio Ramagem, tramitam em paralelo o pedido de asilo e o processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro.
Veículos de direita enfatizaram a versão do ex-deputado, que voltou a negar a existência da trama golpista e classificou o julgamento como perseguição política. "Como eles sabem que a extradição não vai acontecer, porque sabem que é uma farsa, tentaram me deportar clandestinamente", afirmou, em referência às autoridades brasileiras. Ramagem também disse que a corte "inventou essa farsa do golpe" para "acabar com o segmento político de direita e encarcerar" Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses por liderar a tentativa de golpe após as eleições de 2022 e preso desde novembro do ano passado. A prisão temporária pelo ICE, tratada oficialmente como questão migratória, é descrita por esse enquadramento como uma tentativa clandestina de deportação.
A divergência de cobertura está menos nos fatos e mais na ênfase. A leitura de centro atribui as falas com clareza, lembrando que Ramagem nega as acusações e que a condenação foi proferida pela mais alta corte do país. O enquadramento de direita dá amplo espaço à narrativa de perseguição e à ideia de que o processo teria motivação política, sem contraponto proporcional da acusação. Ramagem vinculou um eventual retorno ao Brasil à eleição de outubro de 2026, citando a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência: "Com essa luta, vamos virar 2027. Com Flávio Bolsonaro, a gente volta para o Brasil". Até o momento, a story não reúne cobertura de veículos de esquerda; a leitura provável desse campo enfatizaria que Ramagem foi condenado por crimes contra a democracia e que a fuga descumpriu ordem judicial.
O que ainda não se sabe é como as autoridades americanas decidirão o pedido de asilo, nem qual será o desfecho formal do processo de extradição em curso. Também permanece em aberto o efeito prático das declarações sobre a cooperação entre Brasil e Estados Unidos, após a retirada de um delegado federal que atuava em operações de deportação em território americano.