O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos de Minas Gerais, tornou-se o centro de uma disputa eleitoral marcada por indefinição, luto e o uso inédito de inteligência artificial na pré-campanha ao governo do estado em 2026. Depois de meses sem confirmar se disputaria o Palácio Tiradentes, o parlamentar publicou um vídeo em que imagens geradas por IA recriam seu pai, José Maria Azevedo, e seu irmão, Matheus Azevedo, ambos já falecidos, incentivando-o a concorrer. Na legenda, o senador escreveu que seguiria na missão.
A cobertura de centro relatou os fatos com foco na cronologia e nos números. Em conversas com aliados e com uma liderança do PL, Cleitinho avisou que seria candidato, e a decisão ganhou peso porque ele lidera com folga as pesquisas no estado. Segundo levantamento Quaest, o senador aparece com 35% das intenções de voto no primeiro turno, 23 pontos à frente do segundo colocado, e vence todos os cenários de segundo turno. Esse mesmo material contextualiza o tabuleiro mineiro, com disputas no campo da direita e a candidatura lançada pelo presidente Lula ao governo do estado.
Todos os lados convergem em pontos centrais: Cleitinho lidera as pesquisas, publicou o vídeo feito com inteligência artificial, e entrou em rota de colisão com a direção nacional do Republicanos. Também há concordância de que a morte do irmão Matheus, por complicações de uma leucemia em 18 de julho, ajudou a explicar o adiamento da decisão e a ausência do senador na convenção estadual do partido.
As divergências aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram o embate entre a vontade popular e a máquina partidária, retratando o senador como candidato de origem simples e forte apelo popular, que teria de passar por cima da cúpula da legenda para se viabilizar. Nessa leitura, a mobilização convocada pela família apela a uma população contra o que seria a manobra do sistema para tirá-lo da disputa.
Veículos de direita enfatizaram a responsabilidade pessoal do senador e a ordem institucional. Na versão da legenda, o Republicanos negociou por meses, estruturou o projeto e mobilizou aliados, mas nunca recebeu a confirmação formal e inequívoca da candidatura. O presidente nacional do partido afirmou que Cleitinho perdeu o timing e lembrou que ele faltou à convenção estadual. A exigência de uma declaração pública de viva voz, sem inteligência artificial, reforça a crítica de que a decisão fugiu dos ritos partidários.
O impasse escalou quando o partido divulgou nota responsabilizando o senador pela não consolidação da candidatura, e, horas depois, Cleitinho convocou uma coletiva em Divinópolis para manter a pré-candidatura, com o ex-prefeito Luís Eduardo Falcão como vice. No dia seguinte, o irmão Gleidson Azevedo convocou uma mobilização virtual para pressionar a legenda.
O que ainda não se sabe é decisivo. Como o partido detém a palavra final sobre o registro, permanece em aberto se o Republicanos formalizará a candidatura, se Cleitinho terá o apoio do PL e do PP, e se haverá a confirmação pública de viva voz cobrada pela sigla. O prazo legal para registrar a candidatura na Justiça Eleitoral corre até o início de agosto, e o senador não pode trocar de partido para disputar o governo neste ano.