Duas pesquisas de intenção de voto divulgadas em dias consecutivos recolocaram as disputas pelos governos de São Paulo e de Minas Gerais no centro do noticiário político. Em 24 de agosto de 2026, o instituto Real Time Big Data apresentou levantamento em que Tarcísio de Freitas, do Republicanos, aparece com 52% das intenções de voto no estado de São Paulo, contra 35% de Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores, uma diferença de 17 pontos percentuais. No dia seguinte, 25 de agosto, a Quaest divulgou estudo sobre Minas Gerais em que Cleitinho Azevedo, também do Republicanos, lidera o primeiro turno com 29% e vence todos os adversários testados em simulações de segundo turno.
Os dois estudos convergem nos pontos verificáveis. Ambos estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral, o paulista sob o protocolo SP-01347/2026 e o mineiro sob o número MG-04060/2026. A pesquisa de São Paulo ouviu 2 mil eleitores entre 19 e 22 de agosto, com margem de erro de 2 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%; em simulação de segundo turno, o governador marca 54% contra 36% do adversário. A de Minas Gerais entrevistou 1.506 eleitores entre 21 e 24 de agosto, com margem de erro de 3 pontos percentuais e o mesmo intervalo de confiança. Nas simulações mineiras, Cleitinho Azevedo tem 48% contra Alexandre Kalil, do PDT, 51% contra Patrus Ananias, do Partido dos Trabalhadores, e 49% contra o atual governador Mateus Simões, do PSD. Nos dois estados, os candidatos apoiados pelo campo governista federal aparecem atrás dos líderes.
A forma de apresentar esses números difere. A cobertura de centro publicou os seis cenários de segundo turno testados em Minas Gerais, inclusive os confrontos que não envolvem o líder, listou os onze nomes do primeiro turno com indecisos e brancos, e informou que o levantamento custou 212.346 reais, foi pago por um grupo de comunicação e não tem a íntegra divulgada ao público. Veículos de direita concentraram o texto no desempenho do governador paulista, trataram a liderança como vitória já definida no primeiro turno e identificaram o principal adversário sobretudo pela legenda partidária. Até o momento não há cobertura de veículos de esquerda sobre os dois levantamentos no conjunto reunido nesta página, de modo que a leitura habitual desse campo, questionando metodologia, financiamento privado de sondagens e efeito das pesquisas sobre a agenda de campanha, não aparece atribuída a nenhuma reportagem.
O que ainda não se sabe é relevante para interpretar os dois retratos. Nenhum dos textos compara os resultados com levantamentos anteriores dos mesmos institutos, o que impede identificar tendência de alta ou de queda. Não há reação registrada das campanhas citadas, nem explicação para o desempenho do governador mineiro, que aparece com 7% no primeiro turno e 17% na simulação contra o líder. Também não está detalhado como se distribuiriam os indecisos, que somam 19% no primeiro turno mineiro e 6% no cenário paulista, nem se os percentuais se sustentam depois do início da propaganda eleitoral. A íntegra do estudo mineiro segue indisponível, o que limita a checagem independente dos recortes por região, faixa de renda e escolaridade.