Duas pesquisas do instituto Quaest divulgadas em 24 e 25 de agosto de 2026 desenharam cenários eleitorais bastante distintos em dois estados. Em Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel, do Progressistas, aparece com 40% das intenções de voto na disputa pela reeleição, contra 13% de Fábio Trad, do Partido dos Trabalhadores, 8% de Delcídio Amaral, do PRD, 3% de João Henrique Catan, do Novo, e 2% de Lucien Rezende, do PSOL. Indecisos somam 20% e brancos, nulos ou abstenção, 11%. No Maranhão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, lidera o primeiro turno da corrida presidencial com 58%, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, com 20%.
Os dois levantamentos compartilham a mesma arquitetura metodológica. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Em Mato Grosso do Sul foram ouvidos 804 eleitores entre 21 e 24 de agosto, com registro MS-00793/2026 na Justiça Eleitoral. No Maranhão foram 900 entrevistados, entre 20 e 23 de agosto, sob o registro BR-01389/2026. Nos dois casos, a liderança é ampla o bastante para não ser explicada por oscilação estatística.
Há convergência entre as coberturas quanto aos números e ao favoritismo dos líderes. Em Mato Grosso do Sul, os três cenários de segundo turno testados dão vitória ao governador: 54% contra 23% de Delcídio Amaral, 59% contra 22% de Fábio Trad e 61% contra 13% de João Henrique Catan. No Maranhão, a dianteira do presidente se mantém nos dois cenários testados, com e sem a presença de Pablo Marçal, do PRTB, que marca 1%. O mesmo estudo mediu ainda a aprovação do governo federal no estado, com 66% de aprovação e 27% de desaprovação, além da disputa por duas vagas ao Senado, liderada por Roseana Sarney, do MDB, com 16%, seguida de Weverton Rocha, do PDT, com 11%, e Lahesio Bonfim, do Novo, com 10%.
As coberturas divergem no recorte e no grau de detalhamento metodológico. Veículos de esquerda destacaram a disputa estadual sul-mato-grossense, com foco na vantagem de 27 pontos do governador sobre o candidato petista e na possibilidade de decisão já no primeiro turno, sem informar quem contratou ou financiou o levantamento. A cobertura de centro relatou o cenário presidencial no Maranhão e foi além na transparência: informou que a pesquisa foi encomendada pelo Grupo Globo, custou R$ 106.290, foi paga pela Televisão Mirante e que nem o instituto nem o grupo contratante disponibilizam a íntegra do documento. Entre veículos de direita, o levantamento não recebeu cobertura direta no conjunto analisado; a leitura provável desse campo enfatizaria o desempenho do governador em Mato Grosso do Sul como aval à gestão fiscal e ao alinhamento com o agronegócio, e trataria os 58% do presidente no Maranhão como reflexo de um reduto historicamente favorável ao Partido dos Trabalhadores, e não como indicador nacional.
Alguns pontos seguem em aberto. Nenhuma das divulgações apresenta índices de rejeição dos candidatos, dado que costuma qualificar o tamanho real de uma liderança. Também não há comparação com levantamentos anteriores nos mesmos estados, o que impede medir tendência de alta ou queda. No caso de Mato Grosso do Sul, não se sabe quem encomendou a pesquisa nem quanto ela custou. No caso do Maranhão, a íntegra do estudo não é pública. Nenhuma das campanhas citadas foi ouvida sobre os resultados, e não há indicação de novos levantamentos agendados nos dois estados antes do pleito de outubro.