A Colômbia foi às urnas neste domingo, 21 de junho de 2026, para o segundo turno da eleição presidencial, em uma disputa descrita pela imprensa colombiana como a mais antagônica da história recente do país. De um lado, Abelardo de la Espriella, advogado e empresário de 47 anos sem experiência política, candidato de extrema direita apoiado abertamente por Donald Trump. Do outro, Iván Cepeda, senador e filósofo de 63 anos, defensor dos direitos humanos e herdeiro político do presidente Gustavo Petro, que governa desde 2022 e não pode se reeleger por proibição constitucional.
A votação começou às 8h locais (10h de Brasília) e foi encerrada às 16h, com previsão de resultados poucas horas depois. De la Espriella venceu o primeiro turno e chega ao segundo como favorito nas pesquisas, por margem estreita sobre Cepeda, que havia liderado os levantamentos iniciais. A reviravolta surpreendeu a ponto de Petro chegar a contestar o resultado da primeira rodada, depois reconhecido pelo próprio Cepeda.
Há convergência entre os veículos sobre os fatos centrais. A segurança foi o tema dominante da campanha, à frente da economia. O país viveu episódios de violência com bombas, drones explosivos e o assassinato de um candidato presidencial. De la Espriella promete uma ofensiva militar contra as guerrilhas, a construção de megaprisões, exploração de petróleo por fracking, dolarização da economia e a redução do Estado em 40%, com corte de impostos. Cepeda, ao contrário, defende dar continuidade às negociações de paz iniciadas sob Petro e preservar avanços sociais do atual governo, como o aumento do salário mínimo e a queda do desemprego.
A cobertura de centro, representada pelo g1, enquadrou a disputa como uma queda de braço entre Petro e Trump, ressaltando que o resultado pode cimentar a onda de governos de direita na América Latina. O texto atribuiu a analistas, como Eduardo Pizarro à Reuters, a leitura de que a percepção de insegurança nas cidades e a expansão de grupos armados no campo explicam a ascensão do candidato de direita. Detalhou ainda a fragilidade fiscal do país, apesar de o governo ter elevado o salário mínimo nominal em 75%.
Veículos de esquerda, como a CartaCapital reproduzindo reportagem da AFP, enfatizaram as conquistas sociais do governo Petro em um dos países mais desiguais do mundo e caracterizaram De la Espriella pela ultradireita, pela ameaça ao processo de paz e por comentários descritos como machistas e homofóbicos. Esse enquadramento destacou também que o candidato pretende buscar apoio de Trump e de Israel para uma ofensiva de 90 dias contra a guerrilha, no maior produtor de cocaína do mundo. Já a leitura mais à direita, presente nas falas e propostas do próprio candidato citadas pelas reportagens, valoriza o combate ao crime, a redução do Estado e o estímulo ao setor privado, apresentando De la Espriella como empreendedor de sucesso e símbolo de mérito.
O pano de fundo regional é recorrente nas duas coberturas: enquanto Petro conta com o respaldo de governos de esquerda do México e do Brasil, a direita apoiada por Trump ganha força em Argentina, Chile, El Salvador e Equador. Cepeda é filho de um senador de esquerda assassinado em 1994 por agentes do Estado e paramilitares, e construiu sua trajetória como defensor das vítimas do conflito.
O que ainda não se sabe é o resultado final da apuração e qual rumo o vencedor dará ao frágil processo de paz e às tensas relações com Washington. Também permanece em aberto como ficará a relação da Colômbia com os vizinhos da região, em um continente cada vez mais dividido entre projetos de esquerda e de direita.