Os Estados Unidos anunciaram nesta semana uma nova fase de sua operação militar na América Latina, com exercícios conjuntos que envolvem 18 países, entre eles o Brasil. O Comando Sul das Forças Armadas norte-americanas informou que a Operação Lanças do Sul passa a se chamar Força-Tarefa para o Hemisfério Ocidental, sob o comando do major-general da Marinha Kevin Jarrard. Os exercícios, apelidados de Panamax 26, começaram na terça-feira, 4 de agosto, na região do Canal do Panamá, e devem seguir até o dia 13.
Segundo o comunicado oficial, a nova etapa busca sincronizar capacidades militares dos países envolvidos e manter pressão contínua sobre as redes que, no entendimento de Washington, ameaçam a segurança coletiva do continente. A fase anterior da mesma operação atuou diretamente no bombardeio de embarcações no Caribe e deu início ao processo que culminou na captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. O anúncio ocorre depois de o governo de Donald Trump lançar a Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis, que reúne 16 países latino-americanos. O Brasil colabora nos exercícios, mas não integra essa coalizão.
Em paralelo, a story reúne um segundo eixo sobre a inserção internacional do país, desta vez econômico. Relatório da consultoria KPMG apontou que os investimentos de capital de risco em startups brasileiras somaram US$ 391,6 milhões no segundo trimestre, alta de 16,6% sobre os US$ 335,9 milhões do primeiro trimestre, mas queda de 9% na comparação com os US$ 430,3 milhões do mesmo período do ano passado. A recuperação parcial aparece associada ao surgimento do primeiro unicórnio de inteligência artificial da América Latina, empresa que o material disponível não identifica.
Os dois blocos de cobertura convergem no essencial. Nenhum contesta as datas, o comando, o número de países envolvidos nos exercícios nem os valores do relatório setorial. A divergência está no recorte. Veículos de direita concentraram a atenção no eixo militar, apresentando a força-tarefa como continuidade de uma operação com resultados operacionais já entregues e tratando o combate ao narcotráfico como pauta de ordem e de segurança das fronteiras. A cobertura de centro se ateve aos números do capital de risco, com registro seco das três séries comparativas e sem interpretação sobre o ambiente de negócios. Não houve, no conjunto analisado, cobertura de veículos de esquerda, de modo que os questionamentos de soberania e de legalidade internacional que costumam acompanhar operações militares estrangeiras na região não aparecem no material examinado.
Há lacunas relevantes em ambos os eixos. Não se sabe qual será o papel concreto das Forças Armadas brasileiras no Panamax 26, qual o efetivo mobilizado, qual o custo para o país e sob que base legal a participação foi autorizada. Também não há manifestação do governo brasileiro nas matérias disponíveis, nem explicação para o país colaborar nos exercícios e ficar de fora da coalizão antinarcóticos. No lado econômico, a empresa que se tornou o primeiro unicórnio de inteligência artificial da região não é nomeada, o valor de sua captação não é informado e os fatores por trás da queda de 9% na comparação anual seguem sem detalhamento.