Como a escolha do vice de Flávio ajuda Arthur Lira em Alagoas: 'tentando limpar a área'
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O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) foi anunciado em 5 de agosto de 2026 como candidato a vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dia depois de ter sido confirmado em convenção do PL alagoano como candidato ao Senado. A troca retira da disputa senatorial em Alagoas o nome que liderava as pesquisas e redesenha a corrida por duas vagas no estado, hoje concentrada em Arthur Lira (PP-AL), Renan Calheiros (MDB-AL) e Davi Filho (Republicanos-AL).
Veículos deste lado: O Globo
A ida de Alfredo Gaspar para a vice de Flávio Bolsonaro dá à chapa de oposição um nome com biografia de enfrentamento à corrupção, forjado no Ministério Público e como relator da CPMI do INSS, e leva ao debate presidencial o caso das fraudes contra aposentados.
Veículos deste lado: Veja
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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As coberturas de centro e de direita convergem nos fatos centrais: Gaspar liderava a disputa ao Senado em Alagoas, deixou a corrida ao virar vice na chapa presidencial e, com isso, ampliou as chances de Arthur Lira e Renan Calheiros ficarem com as duas vagas do estado. Nenhuma das duas trata o desfecho como garantido, porque outros candidatos seguem na disputa.
A confirmação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reorganizou dois tabuleiros de uma só vez: o da disputa nacional de 2026 e o da corrida pelo Senado em Alagoas. O anúncio foi feito em 5 de agosto de 2026, um dia depois de o próprio Gaspar ter sido confirmado, em convenção do PL alagoano que ele preside, como candidato ao Senado pelo estado. Em menos de vinte e quatro horas, portanto, ele trocou uma candidatura pela outra.
O efeito colateral é imediato. Gaspar era o nome mais bem posicionado na disputa senatorial alagoana. Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado em 3 de julho, realizado entre 28 de junho e 1º de julho com 1.400 eleitores em 52 municípios e margem de erro de 2,7 pontos percentuais, mostrava o deputado com 40,4% das intenções de voto, em empate técnico com o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que tinha 39,8%, e com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), com 36,4%, candidato ao quinto mandato. Logo atrás vinha o ex-deputado federal Davi Filho (Republicanos-AL), com 22,9%. Como são duas vagas em disputa no estado, a saída do primeiro colocado alivia a pressão sobre os dois nomes seguintes.
A cobertura de centro relatou que as negociações em torno de Gaspar correram da noite anterior até a manhã do anúncio e envolveram o próprio Lira, de quem o deputado é aliado, segundo pessoa que participou das conversas. Essa cobertura também ponderou que o benefício não equivale a vitória garantida, porque permanecem na disputa outros postulantes, entre eles Eudócia Caldas, ligada ao prefeito João Henrique Caldas. E registrou a leitura de que a escolha do vice mira o voto do Nordeste e o embate presidencial em torno das suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no caso do INSS. Do lado dos adversários, a reação veio direta: Renan Calheiros afirmou que a manobra é "o Arthur Lira tentando limpar a área", disse que o ex-presidente da Câmara está "muito preocupado em perder a eleição" e acrescentou que ele "quer ganhar por W.O.", tendo tentado sem sucesso tirar da disputa outro concorrente.
Veículos de direita enfatizaram os números da pesquisa e a trajetória recente de Gaspar, que ganhou projeção nacional como relator da CPMI do INSS, cujo relatório final não chegou a ser aprovado pelo colegiado em razão do racha entre governo e oposição. Nessa leitura, ganha relevo a informação de que Lira e Renan, ambos ex-presidentes de Casa legislativa, teriam costurado acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas para acomodar seus espaços nas urnas, e que apenas Gaspar ameaçava esse arranjo. A migração do deputado do União Brasil para o PL, com apoio do presidente do partido, é apresentada como o ponto de virada do seu crescimento eleitoral.
Até o momento, veículos de esquerda não haviam publicado cobertura própria do episódio, de modo que ângulos habitualmente destacados por esse campo, como o peso das negociações de cúpula sobre a escolha do eleitor e o uso eleitoral de uma investigação ainda inconclusa, não aparecem no material disponível. As duas coberturas existentes convergem no essencial: Gaspar liderava, saiu, e a saída melhora a situação de Lira e Renan.
O que ainda não se sabe é quem o PL lançará ao Senado por Alagoas no lugar de Gaspar, e como as intenções de voto se redistribuem entre os candidatos remanescentes, já que nenhuma pesquisa posterior ao anúncio foi divulgada. Também segue em aberto se o acordo atribuído a Lira e Renan será confirmado pelos envolvidos, que não se manifestaram, e se a chapa presidencial será formalizada nos termos anunciados quando começar o prazo de registro das candidaturas.
Arthur Lira acaba beneficiado porque Gaspar, embora seu aliado, liderava as pesquisas

Como a escolha do vice de Flávio ajuda Arthur Lira em Alagoas:

Deputado Alfredo Gaspar tinha mais de 40% das intenções de voto à Câmara Alta do Congresso, mas, agora, abre caminho para adversários
