A 90 dias do primeiro turno das eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, chega à reta pré-campanha na liderança das pesquisas de intenção de voto para a reeleição. Ao mesmo tempo, o governo enfrenta dois desgastes centrais: o escândalo do Banco Master, que atingiu aliados do Palácio do Planalto, e a ameaça de um novo tarifaço de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Do outro lado da disputa, o principal opositor, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vive um dos maiores rachas da direita nos últimos anos.
A cobertura de centro relatou, com base em levantamento da AtlasIntel/Bloomberg divulgado em 1º de julho, que Lula aparece com 46,3% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36,6% de Flávio. Em um eventual segundo turno, o petista soma 48,8%, contra 42,3% do senador. Os veículos de centro destacaram que Flávio perdeu cerca de 5,7 pontos percentuais desde abril, quando os dois estavam tecnicamente empatados. Essa queda é atribuída, em parte, ao envolvimento do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e, em parte, à crise familiar no campo bolsonarista.
O racha na oposição veio à tona quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou vídeos nas redes sociais afirmando ter sido humilhada, desrespeitada e maltratada por Flávio durante uma conversa telefônica. O pano de fundo é a articulação do PL no Ceará: Michelle rejeita a aproximação da sigla com Ciro Gomes (PSDB) e defende o apoio a nomes mais alinhados ao bolsonarismo, como Eduardo Girão (Novo-CE). A crise culminou na saída de Michelle da presidência do PL Mulher, e o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que ela não deve disputar o Senado pelo Distrito Federal. Flávio negou ter desrespeitado a madrasta.
Veículos de esquerda destacaram que a divisão da extrema-direita revela a fragilidade de um campo que perdeu sua figura central e não encontrou herdeiro capaz de unificar a base, favorecendo a reeleição de Lula. Nessa leitura, o governo entrega obras pelo país e avança em pautas dos trabalhadores, como o fim da escala 6x1 e a ampliação da isenção do Imposto de Renda, e o tarifaço dos EUA é enquadrado como manobra política articulada por Flávio e Eduardo Bolsonaro para prejudicar o Brasil na eleição.
A cobertura de centro, majoritária no conjunto de veículos, tratou os dois campos com paridade, enfatizando os números da pesquisa e a cronologia dos fatos sem tomar partido. Reproduziu tanto a liderança de Lula quanto os desgastes que atingem o Planalto. O caso Banco Master chegou ao entorno do presidente: o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi alvo de uma operação da Polícia Federal em 18 de junho, sob suspeita de receber vantagens econômicas, entre elas um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões e transferências que somariam R$ 3,5 milhões. Wagner nega, mas o governo decidiu afastá-lo da liderança, substituindo-o pela senadora Teresa Leitão (PT-PE). Uma pesquisa AtlasIntel apontou empate técnico na percepção do eleitorado sobre quem está mais envolvido no caso: 37,6% atribuem a aliados de Lula e 36% a aliados de Bolsonaro.
Há pontos em que as coberturas convergem. Todos os lados reconhecem a liderança de Lula nas pesquisas, o racha real e público entre Flávio e Michelle, a operação da PF contra Jaques Wagner e a ameaça concreta do tarifaço americano, cuja decisão está prevista para até 15 de julho. A divergência está no peso relativo: enquanto a esquerda enfatiza a crise da oposição e as entregas do governo, a cobertura de centro distribui atenção igual entre a liderança do petista e o avanço do caso Master sobre o Planalto.
O que ainda não se sabe é o desfecho da negociação sobre o tarifaço, já que o governo apresentou um mapa de compensações aos EUA, mas mantém o Pix como ponto inegociável, sem clareza sobre o que será aceito. Também permanece em aberto se Michelle formalizará a desistência da candidatura ao Senado e qual será seu projeto político futuro, além dos rumos da investigação da PF sobre Jaques Wagner.