Lista Estudantil vence eleição na Sérvia e encerra 14 anos de Aleksandar Vucic
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
- Outras PalavrasSérvia: Os estudantes no poder?Lista formada em assembleias universitárias vence eleições parlamentares, supera 14 anos de autoritarismo e será governo. Não tem projeto claro, mas sua força está nas ruas. Poderá somar-se às lutas antineoliberais que despontam pelo mundo?(abre em nova aba)
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Briefing
O que importa para você
- Lista Estudantil com cerca de 53% dos votos, contra cerca de 39% da aliança de Vucic.
- Cerca de 140 das 250 cadeiras do Parlamento ficam com a lista vencedora.
- Programa prevê limitar contratos temporários a 12 meses e livros didáticos gratuitos.
- Nova eleição presidencial deve ocorrer até o fim do ano.
Onde os lados concordam
- A Lista Estudantil venceu as eleições parlamentares e encerrou mais de 14 anos de domínio de Aleksandar Vucic.
- O movimento nasceu do desabamento na estação de Novi Sad, que matou 16 pessoas e expôs suspeitas de corrupção.
- A lista é heterogênea e sua direção política ainda é incerta.
O que ainda está incerto
- Quem chefiará o novo governo; Dejan Soskic é o nome mais citado.
- Posição da lista sobre União Europeia, Rússia e Kosovo.
- Se Vucic será processado e quanto poder seu partido manterá nos municípios.
A lista nascida dos protestos estudantis após a tragédia de Novi Sad venceu as eleições parlamentares da Sérvia em 25 de outubro, com cerca de 53% dos votos. Aleksandar Vucic, que renunciou à Presidência para tentar virar primeiro-ministro, reconheceu a derrota. A coalizão heterogênea ainda não definiu quem chefiará o governo.
A lista eleitoral nascida do movimento estudantil venceu as eleições parlamentares da Sérvia no domingo, 25 de outubro, e pôs fim a mais de 14 anos de domínio de Aleksandar Vucic. Segundo a cobertura, a Lista Estudantil obteve cerca de 53% dos votos, enquanto a aliança liderada pelo Partido Progressista Sérvio, de Vucic, ficou com aproximadamente 39%. Nenhuma outra lista superou a cláusula de barreira de 3%; só representantes de minorias nacionais, isentos da regra, também terão assentos.
Vucic havia renunciado à Presidência em setembro e dissolvido o Parlamento, na expectativa de se eleger primeiro-ministro. Na noite da votação, admitiu a derrota e parabenizou os vencedores, mas voltou a acusá-los de destruir o Estado e disse que pretende liderar a oposição. Milhares de jovens comemoraram nas ruas de Belgrado e de outras cidades até a madrugada.
As duas coberturas convergem sobre a origem do movimento. No fim de 2024, a marquise recém-reformada da estação ferroviária de Novi Sad, segunda maior cidade do país, desabou e matou 16 pessoas. A tragédia expôs suspeitas de desvios na obra e de alertas de segurança ignorados. O lema "A corrupção mata!" guiou dois anos de protestos, marchas e ocupações universitárias. Ambas também descrevem a lista como heterogênea, reunindo acadêmicos, ativistas e cidadãos sem filiação, com visões distintas sobre a União Europeia e a Rússia.
A cobertura de centro relatou uma campanha tensa, com denúncias de compra de votos, pressão sobre servidores públicos para votar no partido governista e agressões a apoiadores dos estudantes a partir de um acampamento pró-Vucic ao lado do Parlamento. Esse recorte ouviu eleitores e o filósofo Ivan Milenkovic, para quem conservar o poder será mais difícil do que conquistá-lo. Também citou o economista Dejan Soskic, ex-presidente do Banco Central, como nome frequente para chefiar o governo.
Veículos de esquerda destacaram que a lista deve ocupar cerca de 140 das 250 cadeiras e que seus candidatos foram escolhidos em assembleias universitárias. Esse enquadramento enfatizou propostas sociais do programa, como limitar contratos temporários a 12 meses, reduzir o preço de remédios essenciais, reabrir clínicas em vilarejos e distribuir livros didáticos gratuitos. A leitura de esquerda conecta a vitória a uma revolta europeia contra o neoliberalismo e alerta que magnatas e redes de influência do antigo regime vão pressionar o novo governo, defendendo mobilização permanente e sindicatos independentes.
Até o momento, não houve cobertura de veículos de direita sobre o resultado, e por isso não há enquadramento desse campo a registrar.
O que ainda não se sabe é quem chefiará o novo governo, por quanto tempo uma coalizão tão diversa permanecerá unida e qual será sua posição sobre União Europeia, Rússia e Kosovo. Também está em aberto como a lista vai lidar com o poder que o partido de Vucic mantém nos municípios, se ele será levado à Justiça, como pedem integrantes da lista, e quem vencerá a eleição presidencial prevista até o fim do ano.
Fontes
Lista formada em assembleias universitárias vence eleições parlamentares, supera 14 anos de autoritarismo e será governo. Não tem projeto claro, mas sua força está nas ruas. Poderá somar-se às lutas antineoliberais que despontam pelo mundo?

Mobilização nascida após uma tragédia ferroviária leva jovens ao poder e põe fim à hegemonia de Aleksandar Vucic, acusado por críticos de corroer as instituições democráticas.
