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O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou nesta terça-feira, em São Paulo, a segunda edição do estudo Futebol e violência contra a mulher. O levantamento cruzou registros policiais obtidos por Lei de Acesso à Informação com o calendário do Campeonato Brasileiro, da Libertadores e da Copa Sul-Americana entre 2023 e 2025, em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. Em dias de jogo, os registros de lesão corporal dolosa por violência doméstica sobem cerca de 28,9% e as ameaças, 27,4%. Os índices superam os da primeira edição, que analisou 2015 a 2018 e apontava 20,8% e 23,7%. Os autores ressalvam que a pesquisa não investigou a motivação dos agressores e que, portanto, os dados não permitem afirmar que uma partida provocou determinada agressão.
Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública cruzou registros policiais de cinco capitais com o calendário do Campeonato Brasileiro, da Libertadores e da Sul-Americana entre 2023 e 2025. Em dias de jogo, as lesões corporais por violência doméstica sobem cerca de 28,9% e as ameaças, 27,4%. Mais de um terço dos casos ocorreu dentro da casa da vítima.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública apresentou nesta terça-feira, em São Paulo, a segunda edição do estudo Futebol e violência contra a mulher. O levantamento aponta que, em dias de jogo, os registros de lesão corporal dolosa decorrentes de violência doméstica sobem cerca de 28,9%, enquanto as ameaças crescem 27,4%. Os índices são maiores que os da primeira edição, divulgada em 2022 com dados de 2015 a 2018, quando as altas eram de 20,8% e 23,7%, respectivamente.
A metodologia é a mesma nas duas edições. Os pesquisadores cruzaram boletins de ocorrência obtidos junto às secretarias estaduais de Segurança Pública por meio da Lei de Acesso à Informação com as datas das partidas do Campeonato Brasileiro, da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana, entre 2023 e 2025, em cinco capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. Mulheres de 15 a 29 anos aparecem como as mais atingidas, com elevação de 44,4% tanto em ameaças quanto em lesões corporais nos dias de partida.
Toda a cobertura converge nesses números e na ressalva central do trabalho. A cobertura de centro foi a que mais detalhou o limite metodológico, registrando que a análise não investigou estatisticamente a motivação dos agressores e que, por isso, os dados não permitem afirmar que uma partida específica provocou determinada agressão. Foi também a que trouxe o dado de que mais de um terço dos registros de lesão corporal considerados ocorreu dentro da residência da vítima, deslocando a discussão sobre violência no futebol para além das arquibancadas.
Veículos de esquerda destacaram a dimensão estrutural e o dever do poder público. Uma das reportagens desse campo abriu espaço para a avaliação de que os dias de jogo são hoje fator de risco comprovado e devem orientar o planejamento das forças de segurança, com reforço das Delegacias da Mulher e das patrulhas que fiscalizam medidas protetivas de urgência. Outra afirmou, na própria voz editorial, que o ambiente esportivo reproduz comportamentos machistas e padrões de dominação, e concentrou o texto nas dez recomendações do estudo, entre elas postos permanentes de denúncia dentro dos estádios, protocolos internos nos clubes e responsabilização de integrantes de torcidas envolvidos em violência doméstica.
Veículos de direita, que até o momento não cobriram o estudo, tendem a enfatizar outro ângulo dos mesmos dados: a distinção entre correlação e causa, a responsabilidade penal individual do agressor e a cobrança por aplicação efetiva da Lei Maria da Penha e das medidas protetivas já concedidas, em vez de campanhas educativas de resultado difícil de aferir. Propostas como restringir a venda de bebida alcoólica em estádios e banir torcedores condenados costumam ser lidas nesse campo como custo regulatório sobre a maioria dos torcedores.
A divergência de fundo não está nos percentuais, e sim na atribuição de responsabilidade. Para a leitura à esquerda, o futebol funciona como marcador temporal de um problema coletivo que exige política pública e engajamento de clubes e federações. Para a leitura à direita, o dado descreve um ambiente de risco, mas quem responde pelo crime é o agressor. Os próprios autores tentam ocupar o meio do caminho ao escrever que o futebol não causa a violência doméstica, mas deixa à mostra as dinâmicas violentas de quem já vive nela.
Um resultado dividiu interpretações mesmo entre os pesquisadores. O crescimento das agressões foi maior entre mulheres brancas, de 30,9%, do que entre mulheres negras, de 23,2%, invertendo o padrão de outros levantamentos sobre violência de gênero. As hipóteses levantadas incluem a possibilidade de mulheres negras estarem trabalhando fora de casa no horário das partidas e a pressão maior para não denunciar, que reduziria o registro oficial. Nenhuma das duas foi testada no estudo.
O que ainda não se sabe é considerável. Não há medição da motivação dos agressores, nem dados sobre as demais capitais e cidades do país. Não se sabe qual peso cabe ao consumo de álcool e às apostas esportivas, citados como possíveis amplificadores da frustração, porque o estudo não isola essas variáveis. Também não há resposta de clubes, federações ou das secretarias estaduais de Segurança Pública sobre a adoção das dez recomendações, nem prazo, custo ou responsável definido para qualquer uma delas.
Toda a cobertura aceita os números do levantamento e a comparação com a edição anterior: as altas em dias de jogo passaram de 20,8% para cerca de 28,9% em lesões corporais e de 23,7% para 27,4% em ameaças. Há convergência também em que o estudo não afirma que o futebol causa a violência doméstica.
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial esquerda.
Texto de agência pública que relata os percentuais do estudo (28,9% em lesão corporal, 27,4% em ameaça, 44,4% na faixa de 15 a 29 anos) e a comparação com a edição de 2022 sem vocabulário valorativo próprio. O framing sobre responsabilidade dos clubes e sobre reforço de Delegacias da Mulher aparece dentro de aspas da coordenadora do FBSP, não na voz do veículo, o que sustenta a leitura factual apesar do viés do publisher.
Perspectivas omitidas
O veículo assume na própria voz o enquadramento estrutural: afirma que a relação precisa ser observada dentro de um cenário mais amplo de desigualdade e violência de gênero e que o ambiente esportivo pode reproduzir comportamentos machistas e padrões de dominação. Essas frases não estão atribuídas a fonte, e o texto dedica a maior parte do espaço às recomendações de política pública e à leitura racial da subnotificação, marcadores típicos de enquadramento à esquerda.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
O texto é o mais completo do cluster: descreve a obtenção dos dados via Lei de Acesso à Informação, cita dois pesquisadores nominalmente e registra explicitamente a ressalva de que a análise não investigou a motivação dos agressores, o que impede afirmar que uma partida provocou determinada agressão. Expressões como masculinidade que opera pela violência aparecem em citação direta, não na voz do veículo. O título com aspas em conexão invisível e a construção emocional do lead elevam o clickbait, mas o corpo sustenta o que a manchete promete.
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra também aumento nos casos de ameaça contra as mulheres quando ocorrem os jogos.

Mais de um terço dos registros de lesão corporal considerados na pesquisa ocorreu dentro da residência das vítimas

Violência contra mulher aumenta em cinco capitais nos períodos de jogos, segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
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Perspectivas omitidas



