Escudo das Américas: 14 países classificam PCC e Comando Vermelho como terroristas
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Resumo da cobertura
Os governos de 14 países que integram o Escudo das Américas, grupo de cooperação em segurança liderado pelos Estados Unidos, assinaram na terça-feira (22), em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU, uma declaração que classifica o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O texto lista 24 grupos e prevê sanções, além de um pedido à Organização dos Estados Americanos com base no Tratado do Rio. O Brasil não integra o grupo e não reconhece as facções como terroristas.
Alguém precisa ver os dois lados disso?
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
- Portal VermelhoDireita alinhada a Trump abre o continente para a intervenção dos EUA14 governos aderem à lista dos EUA, incluem PCC e CV e transformam o combate ao crime em pretexto para ingerência
Análise editorial
Enquadramento de soberania nacional e anti-intervenção: abre com 'governos de direita alinhados a Donald Trump colocaram a América Latina à mercê da intervenção norte-americana', chama o combate ao crime de 'pretexto' e fecha com 'Desarma a soberania'. Traz fatos corretos (14 signatários, 24 grupos, TIAR, ofício de Mauro Vieira), mas só com vozes do governo brasileiro.
- Qualidade argumentativa
- 42/100
- Manipulação emocional
- 55/100
- Clickbait
- 30/100
- Fontes citadas
- 4
Perspectivas omitidas
- Não apresenta os argumentos dos governos signatários sobre o combate ao narcotráfico
- Afirma que um documento comprova tentativa de intervir nas eleições brasileiras sem identificar o documento
- Atribui a Flávio e Eduardo Bolsonaro pedido de intervenção sem registrar a versão deles
Falácias identificadas
- Ladeira escorregadia: trata o acionamento do Tratado do Rio como caminho para medidas de força contra o Brasil
- Atribuição de intenção oculta: descreve o combate ao crime organizado como pretexto de Washington
Veículos com viés ao centro
- Valor EconômicoPaíses da América Latina seguem EUA e classificam PCC e CV como terroristasEntre os que assinaram a declaração, que classifica as organizações criminosas como terroristas, estão Argentina, Chile, Colômbia e Peru; ao todo 14 países que integram o "Escudo das Américas" assinaram o documento
Análise editorial
Relato descritivo da reunião do Escudo das Américas, com transcrição extensa da declaração conjunta, lista de signatários e medidas previstas. O único traço valorativo é o verbo 'acataram Donald Trump'; o restante segue o padrão de agência.
- Qualidade argumentativa
- 66/100
- Manipulação emocional
- 10/100
- Clickbait
- 15/100
- Fontes citadas
- 1
Perspectivas omitidas
- Não ouve o governo brasileiro além de registrar que o país não reconhece as facções como terroristas
- Não explica o histórico da designação americana do PCC e do CV nem os efeitos possíveis sobre o Brasil
Veículos com viés à direita
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Reunidos em Nova York à margem da Assembleia Geral da ONU, 14 países do Escudo das Américas, grupo liderado pelos Estados Unidos, incluíram o PCC e o Comando Vermelho numa lista de 24 organizações terroristas e anunciaram sanções. O Brasil não integra o grupo e não reconhece as facções como terroristas.
Catorze países das Américas, reunidos no grupo Escudo das Américas, passaram a classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração conjunta foi anunciada na terça-feira, 22 de setembro, em Nova York, à margem da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em reunião do grupo de cooperação em segurança liderado pelos Estados Unidos do presidente Donald Trump.
Assinaram o documento os governos de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago, além dos Estados Unidos. A lista reúne 24 organizações descritas como narcoterroristas. O Brasil não integra o Escudo das Américas e não reconhece as duas facções como grupos terroristas.
Os signatários declaram a intenção de impor, conforme a lei de cada país, congelamento de ativos, restrições de imigração e de visto a membros e apoiadores dessas organizações, e responsabilização criminal de quem fornecer apoio material a elas. Também pretendem pedir ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) uma reunião para criar um Órgão de Consulta com base no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, conhecido como Tratado do Rio, de 1947. O Brasil é signatário desse tratado. O grupo anunciou ainda três pilares de cooperação, economia, segurança e coordenação multilateral, que incluem cadeias de suprimento de minerais críticos e maior compartilhamento de inteligência.
A cobertura de centro relatou a declaração nos termos dos próprios signatários, com citações extensas do documento, e registrou em uma frase que o Brasil não reconhece o PCC e o CV como terroristas. O relato descreve o plano de ação coletiva sem avaliar seus efeitos sobre o país.
Veículos de esquerda destacaram outro ângulo. Para essa cobertura, o combate ao crime organizado funciona como pretexto para que Washington tutele a segurança da América Latina, e usar o Tratado do Rio, criado para responder a agressões militares, transformaria o policiamento doméstico em tema de segurança coletiva. Esses veículos lembraram que, em 15 de setembro, os Estados Unidos acusaram o Brasil de ter falhado contra as facções, e que o Ministério da Justiça repudiou a acusação citando a Lei Antifacção. Citaram também ofício enviado à Câmara dos Deputados em julho pelo chanceler Mauro Vieira, que alertava para o risco de uso da força militar americana contra o território nacional, e a frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas”. A mesma cobertura associou a ofensiva à visita de Flávio e Eduardo Bolsonaro a Trump, descrita como pedido de intervenção.
Até o momento, veículos de direita não publicaram cobertura sobre a declaração entre as fontes reunidas nesta história.
A classificação não tem efeito automático no Brasil. Continuam em aberto a data da eventual reunião na OEA, o conteúdo da resolução que os signatários pretendem propor e a forma como cada país vai aplicar as sanções previstas. Até a quarta-feira, 23 de setembro, o Itamaraty não havia publicado nota específica sobre a declaração.
Briefing
O que importa para você
- Medidas previstas: congelamento de ativos, restrição de vistos e punição criminal de quem der apoio material às facções.
- Sem efeito automático no Brasil, mas os signatários podem aplicar as sanções em seus territórios.
- O Brasil é signatário do Tratado do Rio e pode ser chamado a se posicionar na OEA.
Onde os lados divergem
- Esquerda: a declaração é pretexto para ingerência dos Estados Unidos e ameaça a soberania brasileira ao reciclar o Tratado do Rio contra facções.
- Centro: registra a iniciativa como cooperação de segurança contra o narcotráfico, nos termos dos signatários, sem avaliar riscos ao Brasil.
Onde os lados concordam
- 14 países do Escudo das Américas, além dos Estados Unidos, assinaram a declaração que inclui o PCC e o CV numa lista de 24 grupos.
- O Brasil não integra o grupo e não reconhece as facções como terroristas.
- Os signatários pretendem acionar a OEA com base no Tratado do Rio.
O que ainda está incerto
- Data da reunião na OEA e o texto da resolução que os signatários vão propor.
- Como cada país aplicará as sanções pela própria lei.
- Posição formal do Itamaraty, que até 23 de setembro não havia publicado nota específica.
Fontes

Entre os que assinaram a declaração, que classifica as organizações criminosas como terroristas, estão Argentina, Chile, Colômbia e Peru; ao todo 14 países que integram o "Escudo das Américas" assinaram o documento

14 governos aderem à lista dos EUA, incluem PCC e CV e transformam o combate ao crime em pretexto para ingerência



