Governo corre para aprovar fim da taxa das blusinhas antes da eleição
2 veículos de esquerda · 6 veículos de centro · 3 veículos de direita

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O Congresso retomou os trabalhos após o recesso com a medida provisória que zera o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas, no topo das prioridades do governo. Editada em maio, a MP precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado até 8 de setembro; se caducar, a cobrança volta a valer automaticamente. A tramitação está travada porque a comissão mista, formada por 12 deputados e 12 senadores, ainda não foi instalada. A sessão marcada para quarta-feira foi adiada por falta de acordo sobre a presidência e a relatoria do colegiado, e a instalação ficou para a próxima janela de esforço concentrado, entre 31 de agosto e 3 de setembro.
Para veículos e analistas alinhados à esquerda, a medida provisória corrige um erro que penalizou justamente o consumidor de baixa renda. A cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, criada em 2024 sob pressão do varejo, encareceu produtos acessíveis para as famílias das classes C e D e virou símbolo negativo do governo.
Na leitura de veículos e setores de perfil liberal-conservador, o episódio expõe o uso eleitoral da política tributária. A cobrança de 20% foi criada em 2024 com apoio do próprio governo e da equipe econômica para equilibrar a concorrência entre o varejo instalado no país e as plataformas asiáticas, e foi revogada por medida provisória em maio apenas quando a impopularidade ameaçou a campanha.
11 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: viés de centro.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: viés de centro.
Todos os lados registram os mesmos fatos: a MP zerou em maio o imposto de 20% sobre compras de até US$ 50, precisa passar por uma comissão mista de 12 deputados e 12 senadores antes dos plenários, e a cobrança volta automaticamente se o texto não for aprovado no prazo. Também há convergência de que o calendário eleitoral é o que explica a pressa do governo.
O governo colocou a medida provisória que acaba com a taxa das blusinhas no topo das prioridades do esforço concentrado do Congresso. Se o texto não for aprovado pela Câmara e pelo Senado até 8 de setembro, a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 volta a valer a menos de um mês do primeiro turno das eleições.
O Congresso Nacional voltou do recesso com a medida provisória que zera o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas, no centro da disputa entre o Palácio do Planalto e o Legislativo. Editada em maio, a MP 1.357 precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado até 8 de setembro. Se perder a validade, a cobrança volta a valer automaticamente, a menos de um mês do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
A cobertura de centro relatou o obstáculo concreto da tramitação: para chegar aos plenários, o texto precisa antes passar por uma comissão mista formada por 12 deputados e 12 senadores, e esse colegiado sequer havia sido instalado quando as duas Casas retomaram as votações. O calendário é curto. O Congresso reservou apenas duas semanas de esforço concentrado, de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro, porque os parlamentares estão voltados para seus redutos eleitorais. A sessão marcada para instalar a comissão na quarta-feira acabou adiada por falta de acordo sobre quem assumiria a presidência e a relatoria, e a instalação ficou para a última janela antes do prazo. No mesmo dia, cinco outras medidas provisórias tiveram seus colegiados instalados, e um projeto que reduz tributos sobre combustíveis foi aprovado nas duas Casas.
Há convergência entre todos os lados sobre os fatos centrais. A taxa entrou em vigor em agosto de 2024, dentro do programa que regularizou as compras de baixo valor no comércio eletrônico. Em maio deste ano o governo recuou e editou a medida provisória que zerou a alíquota, mantendo a tributação de 60% para encomendas entre US$ 50 e US$ 3 mil, com dedução fixa de US$ 30. A proposta recebeu 112 emendas e está em regime de urgência desde junho. O ministro responsável pela articulação com o Congresso declarou publicamente que a instalação da comissão é prioridade do governo. Todos os lados também registram que a relação entre o presidente da República e o presidente do Senado ficou congelada por meses depois da rejeição de uma indicação ao Supremo Tribunal Federal, e que um encontro recente entre os dois foi o gesto que reabriu a negociação sobre a pauta.
A divergência começa na pergunta sobre quem ganha e quem perde com o fim da cobrança. Veículos de esquerda destacaram que a taxa recaiu sobre o consumidor de baixa renda, para quem a compra internacional barata é acesso a bens do dia a dia, e trataram a revogação como correção de rumo, uma vitória da ala política do governo sobre a leitura arrecadatória da equipe econômica. Nesse enquadramento, a demora na instalação da comissão é obstrução: deixar a MP caducar devolveria o imposto ao bolso do comprador e transferiria o desgaste ao presidente em plena campanha.
Veículos de direita enfatizaram o outro lado da conta. Entidades do varejo têxtil e do comércio pressionam o Congresso a não aprovar a medida e sustentam que quase 800 mil empregos estão em risco nos setores mais expostos à concorrência das plataformas estrangeiras. Uma das associações atribui a esses segmentos a quase totalidade dos cerca de 3 mil postos fechados no varejo em maio; outra afirma que o setor criou 107 mil vagas no primeiro ano de vigência da cobrança e defende isonomia tributária entre o importado e o produto fabricado no país. Dados da Receita Federal citados nessa cobertura apontam alta de 40% nas encomendas de até US$ 50 em junho ante maio. Essa leitura também trata a revogação como decisão eleitoral, já que o próprio governo apoiou a criação do imposto em 2024 e só recuou quando a medida se tornou impopular.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há definição sobre quem presidirá e quem relatará a comissão mista, nem data marcada para a votação nos plenários. Também não está claro se a presidência do Senado colocará a matéria em pauta a tempo, nem qual alternativa o governo adotaria caso o texto caduque. As coberturas divergem inclusive sobre o prazo final: a maior parte aponta 8 de setembro, enquanto uma delas fala em 24 de setembro. E nenhuma fonte apresentou estudo independente que confirme a relação de causa entre o fim da cobrança federal e a variação de empregos no varejo.
Ainda não houve acordo sobre a relatoria e a presidência do colegiado. Outras cinco Medidas Provisórias tiveram comissões instaladas.
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Texto foi editado pelo governo em maio deste ano, mas ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para se tornar lei em definitivo até o dia 8 de setembro; do contrário, proposta caduca e deixa de vigorar.

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Editada em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a proposta caducará caso não seja apreciada até 24 de setembro

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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: viés de centro.