Edinho Silva diz que PT nunca debateu plano de Lara Resende de Selic a 7,5%
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Briefing
O que importa para você
- A proposta leva a Selic a 7,5% ao ano em 12 meses, segundo seu autor.
- Lara Resende estima economia fiscal de cerca de 4% do PIB ao ano com a queda do custo médio da dívida.
- O presidente do PT, Edinho Silva, disse que o tema não está na agenda do partido nem foi discutido com Lula.
Onde os lados concordam
As duas coberturas descrevem a mesma proposta de André Lara Resende: criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional e queda gradual da Selic para 7,5% ao ano em 12 meses.
O que ainda está incerto
- Até a noite de 3 de novembro, as matérias analisadas não registravam posição do Banco Central nem do Ministério da Fazenda sobre a proposta.
- O trecho disponível da análise de John Cochrane não detalha a ressalva sobre câmbio citada na abertura do texto.
A proposta do economista André Lara Resende de levar a Selic a 7,5% ao ano em 12 meses, com um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, nunca foi debatida no PT nem com Lula, segundo Edinho Silva. O americano John Cochrane reconheceu fundamentos no plano, mas apontou ressalvas sobre política fiscal e juros reais.
A proposta do economista André Lara Resende para derrubar os juros no Brasil ganhou duas reações publicadas em 3 de novembro de 2026. O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, disse em entrevista que a ideia nunca foi debatida no partido nem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que não há agenda construída para isso. No mesmo dia, o economista americano John Cochrane, cuja obra inspira a proposta, publicou uma análise que reconhece fundamentos teóricos no plano, mas aponta ressalvas.
A proposta, descrita nas duas coberturas, prevê a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para coordenar a política monetária e a fiscal. Como primeiro passo, a taxa básica de juros, a Selic, cairia gradualmente para 7,5% ao ano ao longo de 12 meses. Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, sustenta que o Banco Central mantém os juros elevados com base em uma teoria anacrônica e que o centro do problema fiscal está no custo da dívida, não no déficit primário.
A cobertura de centro relatou a posição de Edinho Silva dentro de uma entrevista mais ampla, que tratou também das eleições para o comando da Câmara e do Senado, da proibição das apostas on-line e da transição para o fim da escala de seis dias de trabalho. O texto informa que a Selic cairia dos atuais 13,75% para 7,5%, e não traz avaliação de outros economistas sobre a viabilidade da ideia.
O veículo de direita do conjunto deu à proposta um tratamento técnico, centrado na análise de Cochrane, pesquisador da Universidade Stanford. Segundo a matéria, ele classificou o texto do brasileiro como economicamente sofisticado e admitiu que juros menores, sem expansão de gastos, poderiam aliviar a dívida e até reduzir a inflação. A principal ressalva do americano é fiscal: os investidores precisariam confiar que o governo usaria o espaço aberto pelos juros menores para melhorar a trajetória da dívida. Ele também questiona se cortar a taxa nominal reduziria de fato os juros reais. A matéria registra ainda a estimativa de Lara Resende de economia de cerca de 4% do PIB ao ano, calculada sobre a queda do custo médio da dívida de quase 13% para 7,5%, um indicador diferente da Selic citada pela cobertura de centro. Segundo o texto, Cochrane não endossou nem rejeitou a medida.
Nenhum veículo de esquerda cobriu o caso no conjunto analisado. As duas coberturas não se contradizem: uma registra a distância do partido do presidente em relação à proposta, a outra discute sua consistência econômica.
Até a noite de 3 de novembro, quando saíram as matérias analisadas, não havia registro nelas de manifestação do Banco Central ou do Ministério da Fazenda sobre a proposta. O trecho disponível da análise de Cochrane também não desenvolve a ressalva sobre câmbio mencionada na abertura da matéria.
Fontes
Pesquisador de finanças e macroeconomia da Universidade Stanford, John Cochrane reconhece a consistência da proposta de levar a Selic a 7,5%, mas questiona as condições para sua aplicação no Brasil

Presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva diz que legenda nunca tratou do assunto e que “nem há agenda construída para isso”. Leia no Poder360.
