O deputado federal Silvio Costa Filho, do Republicanos de Pernambuco, foi escolhido para assumir a liderança da Maioria na Câmara dos Deputados. A indicação foi feita pelo presidente da Casa, Hugo Motta, também do Republicanos, em conjunto com os líderes partidários. O parlamentar assume oficialmente o cargo na próxima semana, após uma reunião de líderes, e passa a comandar um bloco suprapartidário que reúne cerca de 300 dos 513 deputados, um posto considerado estratégico na condução das votações.
Costa Filho é ex-ministro de Portos e Aeroportos do governo do presidente Lula. Ele deixou a pasta há cerca de dois meses, dentro do prazo de desincompatibilização eleitoral, para tentar uma vaga ao Senado por Pernambuco. Acabou ficando fora da chapa majoritária liderada pelo ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo estadual João Campos, do PSB, que terá Marília Arraes e Humberto Costa como candidatos ao Senado. Sem espaço na disputa, o ex-ministro decidiu buscar a reeleição para a Câmara.
Na parte factual, há convergência entre as coberturas. A cobertura de centro relatou que a escolha foi chancelada por Hugo Motta e que Costa Filho prometeu construir pontes entre Executivo, Legislativo e Judiciário, atuando pela construção de consensos e pelo avanço de pautas prioritárias. Veículos de economia, com perfil editorial mais à direita, registraram a mesma indicação de forma factual e acrescentaram um detalhe central: a vaga só chegou ao Republicanos porque o PT perdeu sua posição no rodízio entre os partidos, levando Costa Filho a substituir o petista Arlindo Chinaglia.
É nesse ponto que a ênfase das coberturas se separa. Veículos de direita, incluindo a comunicação do próprio Republicanos, enfatizaram o protagonismo do partido e o reconhecimento ao parlamentar, lembrando que ele voltou a ser apontado pelo Diap como um dos deputados mais influentes de 2026. O enquadramento à direita destacou o tom de competitividade, desenvolvimento econômico e geração de oportunidades. Já uma leitura de esquerda tenderia a ressaltar a perda de espaço da base petista na articulação da Casa e a concentração do poder de pauta em torno de aliados de Hugo Motta, ainda que Costa Filho afirme que seguirá contribuindo com o governo Lula em pautas de desenvolvimento e ampliação da agenda social.
O que ainda não se sabe é como a nova liderança vai se posicionar nas votações mais sensíveis do segundo semestre, em pleno ano eleitoral, nem qual será o efeito prático da saída do PT da Maioria sobre a relação entre o Planalto e o Congresso. A data exata da reunião de líderes que oficializa a posse também não foi detalhada nas coberturas.