TSE ordena remoção de posts sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida
3 veículos de centro · 2 veículos de direita

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
5 fontes políticas
Como decidimos →Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
- Poder360Buscas no Google por Nossa Senhora e Flávio aumentam após fake newsCrescimento veio após TSE ordenar remoção de publicações que ligavam Flávio à retirada do título de padroeira do Brasil. Leia no Poder360.(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
- Poder360Funcionário do Planalto estimula fake news sobre Nossa SenhoraGeorge Marques repostou e depois apagou texto que pedia para espalhar boato sobre Flávio e o título de padroeira. Leia no Poder360.(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
- Folha de S.PauloCriador de Dilma Bolada nega autoria de fake news sobre Flávio e Nossa SenhoraCampanha do candidato do PL cita conta no X do publicitário Jeferson Monteiro como origem do boato(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
- VejaOs políticos que ajudaram a bombar a fake news contra Flávio sobre Nossa SenhoraRanking mostra como deputados e vereadores embarcaram no boato mesmo após desmentido do candidato(abre em nova aba)
Nesta matéria: falácia identificada.
- Gazeta do PovoCampanha de Flávio reage para conter impacto de fake news sobre Nossa SenhoraCampanha de Flávio Bolsonaro tenta conter os efeitos eleitorais de fake news sobre Nossa Senhora Aparecida em meio a nova disputa nas redes.(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Briefing
O que importa para você
- Cinco plataformas, X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube, estão obrigadas a remover publicações sobre o tema, inclusive versões em imagem, áudio, vídeo e meme.
- A campanha do candidato entregou ao Ministério Público Eleitoral um levantamento com 2.086 publicações de 1.674 contas e mais de 21 milhões de visualizações, o que pode gerar responsabilização de quem compartilhou.
- Um servidor em cargo de coordenação na Secretaria de Comunicação Social da Presidência teve sua atuação incluída no procedimento, o que abre discussão sobre uso de perfil pessoal por quem opera a comunicação do governo.
- O eleitor que recebeu a mensagem por rede social ou aplicativo tem, agora, retratação pública e decisão judicial para conferir o teor.
Onde os lados divergem
- Responsabilidade: veículos de direita tratam a propagação como ação política deliberada de parlamentares de esquerda e de um servidor da Secretaria de Comunicação Social; a leitura do outro campo atribui o estrago ao erro cometido na imprensa e ao histórico de propostas vindas da direita religiosa.
- Decisão judicial: à direita, a ordem do Tribunal Superior Eleitoral é remédio necessário contra desinformação eleitoral; entre atores de esquerda, a amplitude da remoção é enquadrada como censura, sintetizada na expressão católicos censurados.
- Peso do episódio: a cobertura de centro o mede por dados de busca e de alcance; a de direita o apresenta como dano eleitoral em curso na reta final da campanha.
Onde os lados concordam
Toda a cobertura registra os mesmos três pontos: a informação de que Flávio Bolsonaro pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil é falsa; o projeto de lei que deu origem ao boato é de 2007, de autoria do então deputado Victório Galli, e foi arquivado em 2008; e o Tribunal Superior Eleitoral determinou a remoção das publicações que apresentam a versão como verdadeira. Há convergência também sobre a retratação televisiva e sobre o fato de que a narrativa continuou circulando depois dela.
O que ainda está incerto
- Não há confirmação de quem publicou primeiro a versão falsa: a campanha aponta a conta de um publicitário, que nega, e a autoria original segue em disputa.
- Não se sabe se houve coordenação entre as 1.674 contas ou se a propagação foi espontânea.
- Persiste divergência sobre o número de republicações do servidor da Secretaria de Comunicação Social: a ata notarial anexada ao procedimento registra quatro, e o levantamento jornalístico identificou dez.
- Nenhuma fonte informa se haverá apuração administrativa interna nem qual será o desfecho do caso no Ministério Público Eleitoral.
Um boato sobre a retirada do título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida colocou a campanha de Flávio Bolsonaro na defensiva, levou o Tribunal Superior Eleitoral a ordenar a remoção de publicações em cinco plataformas e expôs a atuação de parlamentares e de um servidor da Secretaria de Comunicação Social da Presidência na circulação da informação falsa.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência passou o fim de semana tentando conter os efeitos de uma informação falsa que associou o senador à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O boato ganhou tração na noite de 24 de setembro de 2026, depois de um comentário em telejornal de televisão paga que mencionava um movimento na Igreja Católica em reação a setores evangélicos que estariam mobilizando um projeto de lei nesse sentido. Horas depois veio a retratação: o projeto citado é o de número 2.623, apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que pretendia substituir a expressão padroeira do Brasil por padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos na lei do feriado de 12 de outubro. A Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados rejeitou a proposta em julho de 2008 e o arquivamento ocorreu em 22 de agosto do mesmo ano. O candidato não é autor do texto e negou, em vídeo publicado em seu perfil, qualquer intenção de mudar o título da santa, afirmando respeitar todas as religiões e também quem não tem religião.
Na tarde de 25 de setembro, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, considerou notoriamente inverídica a afirmação de que o senador ou integrantes de sua família propuseram, articularam, apoiaram ou pretendem promover a retirada do título, e determinou que X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube removessem as publicações. A ordem alcança também conteúdos que reproduzam a mesma informação com texto, imagem, áudio, vídeo ou meme diferentes. Segundo o levantamento apresentado ao tribunal pela defesa, foram identificadas 2.086 publicações em 1.674 contas, com mais de 21 milhões de visualizações, cerca de 1,49 milhão de curtidas e 312 mil compartilhamentos. A campanha levou o caso ao Ministério Público Eleitoral.
A cobertura de centro concentrou-se na medida do fenômeno e na apuração de responsabilidades individuais. Um levantamento de dados de busca mostrou alta de até 2.450% em termos que ligavam o nome do candidato à padroeira nas 24 horas seguintes ao início do boato, com consultas sobre projetos de lei e bancada evangélica classificadas como crescimento repentino. Esse mesmo bloco de reportagens ouviu o publicitário Jeferson Monteiro, criador da página de humor Dilma Bolada e apontado pela campanha do PL como a conta que publicou primeiro o boato: ele confirma que o perfil é seu, nega ter divulgado informação falsa e diz que houve tentativa de construir uma narrativa para manipular o debate eleitoral. Foi também por essa via que apareceu a atuação de George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que republicou conteúdo pedindo para deixar o assunto rolar e depois apagou o endosso, alegando compartilhamento involuntário em perfil pessoal de política e humor; o órgão afirmou em nota que a manifestação não representa a posição institucional, mas classificou o uso como inadequado.
Veículos de direita enfatizaram a cadeia de propagação e a cobrança de responsabilização. Um ranking de engajamento produzido por ferramenta de monitoramento de redes apontou parlamentares de esquerda entre os que mais ampliaram o tema, com a deputada Erika Hilton em primeiro lugar, seguida por um vereador de São Paulo e pelo deputado Ivan Valente, que afirmou como fato que o candidato propôs retirar o título e ironizou o desmentido. Outro levantamento indicou que 37% das mensagens analisadas tratavam a informação falsa como verdadeira, com pico de 735 menções a cada 100 mil mensagens em 25 de setembro. Nesse enquadramento, a correção pública não interrompeu o efeito eleitoral, e o episódio é lido como exploração deliberada da fé de eleitores católicos na reta final da campanha, agravada pela participação de um servidor pago pelo contribuinte.
Veículos de esquerda não registraram o episódio no material reunido até aqui, e é justamente esse o ângulo ausente na cobertura: a leitura que parte da origem do projeto de 2007, apresentado por um deputado que depois se tornou assessor especial da Presidência no governo de Jair Bolsonaro, e que enxerga na ordem judicial ampla um risco ao debate público.
Fontes

Crescimento veio após TSE ordenar remoção de publicações que ligavam Flávio à retirada do título de padroeira do Brasil. Leia no Poder360.

George Marques repostou e depois apagou texto que pedia para espalhar boato sobre Flávio e o título de padroeira. Leia no Poder360.

Ranking mostra como deputados e vereadores embarcaram no boato mesmo após desmentido do candidato

Campanha de Flávio Bolsonaro tenta conter os efeitos eleitorais de fake news sobre Nossa Senhora Aparecida em meio a nova disputa nas redes.

Campanha do candidato do PL cita conta no X do publicitário Jeferson Monteiro como origem do boato