Fake news sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida vai ao TSE e ao STF
1 veículo de centro · 4 veículos de direita

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
5 fontes políticas
Como decidimos →Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Veículos com viés à direita
- O AntagonistaLula usa fake news em entrevista, é confrontado e desconversaPara o petista, o "dado concreto" é que a discussão sobre Nossa Senhora Aparecida está nas redes sociais(abre em nova aba)
Nesta matéria: falácia identificada.
- O Estado de S.PauloFake news sobre padroeira começou após Lula ver risco de ‘derreter’ entre católicosPesquisa Atlas/Bloomberg mostrou que a maioria desse eleitorado agora desaprova o petista e também relaciona a crise envolvendo ministros do STF como um problema maior para Lula(abre em nova aba)
Nesta matéria: falácia identificada.
- Pleno NewsLula, fake news, religião e eleiçõesUma Carta Aberta aos cristãos brasileiros sobre o pleito de 2026(abre em nova aba)
Nesta matéria: falácia identificada.
Briefing
O que importa para você
- Publicações sobre o tema tiveram remoção ordenada por André Mendonça e depois liberada por Flávio Dino.
- O primeiro turno é no domingo, 4 de outubro.
- Pesquisa Atlas mostra Lula com 49,1% entre católicos, ante 54,2% em março.
Onde os lados divergem
- Direita: a campanha de Lula difundiu o boato de propósito para conter a queda entre católicos, e Dino interferiu no TSE.
- Esquerda: o boato é falso, mas Flávio o tornou plausível ao prometer decreto declarando Jesus Senhor do Brasil.
Onde os lados concordam
- A afirmação de que Flávio Bolsonaro tiraria o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida é falsa.
- O caso passou pelo TSE e pelo STF a poucos dias do primeiro turno.
O que ainda está incerto
- Qual decisão judicial prevalece sobre a remoção das publicações.
- Se houve coordenação da campanha de Lula na difusão, acusação ainda sem comprovação independente.
Um boato falso de que Flávio Bolsonaro retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil levou a decisões opostas de André Mendonça, no TSE, e Flávio Dino, no STF. Direita acusa a campanha de Lula de explorar a mentira; esquerda diz que o próprio candidato abriu espaço para ela.
A informação falsa de que o senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil virou um dos focos da reta final da campanha de 2026. O boato circulou com força nas redes sociais, chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) e passou a ser explorado pelos dois lados da disputa presidencial.
Os fatos básicos aparecem em toda a cobertura. A história se apoiava num projeto de lei apresentado em 2007 e arquivado em 2008. Uma emissora de televisão que reverberou a informação pediu desculpas. Flávio recorreu ao TSE, e o ministro André Mendonça determinou a remoção das publicações. No domingo, 27 de setembro, o ministro Flávio Dino, do STF, derrubou a decisão de Mendonça. Em entrevista à televisão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), disse que mexer com a padroeira “não é aceitável”. Confrontado com o caráter falso da história, respondeu que não sabia se era fake news e que o assunto estava forte nas redes.
Veículos de direita concentraram a cobertura e enquadraram o caso como desinformação deliberada da campanha petista. Uma coluna relacionou o início da onda de conteúdos falsos a uma pesquisa Atlas que mostrou Lula caindo de 54,2% para 49,1% entre os católicos desde março. A mesma coluna relatou que George Marques da Silva e Silva, coordenador da Secretaria de Comunicação da Presidência, republicou uma mensagem pedindo que apoiadores parassem de divulgar a retratação e deixassem “o assunto rolar”. A postagem foi apagada depois. Um texto de opinião à direita acusou Lula de manipulação religiosa, criticou Dino por ocupar o papel do TSE e afirmou que a Primeira Turma do STF, com voto do ministro Luiz Fux, restabeleceu a remoção.
A cobertura de centro trouxe contexto histórico. Lembrou que, em 2022, a ministra Cármen Lúcia, então no TSE, mandou remover publicações do então deputado Eduardo Bolsonaro que associavam Lula e o PT à perseguição de cristãos na Nicarágua. O tribunal multou depois Eduardo, Carla Zambelli, Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro por desinformação. O registro ressalta que cada caso depende do conteúdo específico de cada publicação.
Veículos de esquerda sublinharam que a falsidade ganhou plausibilidade por causa do próprio candidato. Um artigo de opinião lembrou que, no fim de agosto, Flávio prometeu que seu primeiro decreto faria de Jesus o Senhor do Brasil, fala lida como aceno à teologia evangélica de domínio territorial. Para esse texto, o candidato não prometeu tirar a padroeira, mas legitimou suspeitas e reduziu a fé a cálculo eleitoral. O artigo cita ainda a visita de Flávio ao Mercado Municipal de São Paulo, em 28 de setembro, com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida nas mãos, como tentativa de reduzir danos.
O primeiro turno está marcado para domingo, 4 de outubro. Ainda não está claro qual será o desfecho da disputa judicial entre a decisão de Dino e o entendimento do TSE. Também falta prova de coordenação da campanha de Lula na difusão do boato, acusação feita por veículos de direita e não confirmada pelas demais fontes. E não se sabe que efeito o episódio terá sobre o voto católico, sobretudo no Nordeste.
Fontes

Ao legitimar uma visão evangélica, candidato tornou plausíveis as suspeitas em torno de suas intenções político-religiosas

Para o petista, o "dado concreto" é que a discussão sobre Nossa Senhora Aparecida está nas redes sociais

Pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou que a maioria desse eleitorado agora desaprova o petista e também relaciona a crise envolvendo ministros do STF como um problema maior para Lula

Uma Carta Aberta aos cristãos brasileiros sobre o pleito de 2026

Uma decisão tomada pela ministra Cármen Lúcia durante as eleições de 2022 voltou ao debate em meio à atual disputa