O Partido Social Democrático confirmou, na terça-feira, 4 de agosto de 2026, a candidatura da jornalista Cristina Graeml a uma das duas vagas do Paraná no Senado. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa em Curitiba, ao lado do governador Ratinho Junior, do candidato do partido ao governo do estado, Sandro Alex, e de Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, escolhido na véspera para disputar a outra cadeira. Com a definição, o grupo governista fechou a chapa majoritária, que ainda tem o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca como candidato a vice-governador.
A coligação liderada pelo PSD reúne apoios declarados do MDB, do Republicanos e das federações União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, e PSDB-Cidadania. Segundo a própria chapa, o arranjo conta com a adesão de 75% dos prefeitos paranaenses. A escolha do segundo nome ao Senado só se tornou possível depois que Álvaro Dias, ex-governador e ex-senador, anunciou em nota, na segunda-feira, que não disputaria as eleições deste ano, deixando em aberto a indicação que estava indefinida desde a entrada do MDB na aliança.
Toda a cobertura converge nos dados centrais do episódio. A candidata é jornalista com mais de trinta anos de carreira no estado, filiou-se ao PSD em abril de 2026 e disputou sua primeira eleição em 2024, quando chegou ao segundo turno da prefeitura de Curitiba com mais de 390 mil votos e foi derrotada pelo atual prefeito, Eduardo Pimentel. As eleições gerais estão marcadas para 4 de outubro, com registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral até 15 de agosto.
A cobertura de centro deu destaque ao ponto mais delicado do anúncio: na mesma coletiva, a candidata declarou que apoiará Flávio Bolsonaro, do PL, na disputa presidencial, e não Ronaldo Caiado, nome do próprio PSD. Ela afirmou que se trata de convicção antiga, que o governador sabia desse apoio desde a primeira conversa entre os dois e que considera o senador o único candidato com condições reais de vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno, ainda que tenha se referido a Caiado como um grande nome. Essa mesma cobertura registrou que ela negou ser de extrema direita e disse atuar por pautas conservadoras e de oposição ao governo federal dentro do que considera o espectro democrático.
Veículos de direita concentraram o relato na articulação partidária e na sucessão do espólio eleitoral deixado pela desistência de Álvaro Dias, tratando a definição como o fechamento de um bloco governista consolidado, sem detalhar a divergência sobre o palanque presidencial. Já veículos de esquerda não registraram a convenção até o momento, e o ângulo que costuma organizar essa cobertura, a ascensão de uma comunicadora de perfil conservador sem mandato prévio dentro de uma aliança que concentra cinco siglas e a maioria das prefeituras do estado, ficou fora do noticiário disponível.
Parte da cobertura reproduziu apenas falas dos próprios integrantes da chapa, que classificaram a candidata como uma das maiores lideranças femininas do Paraná e enquadraram a aliança em torno de liberdade de imprensa, propriedade privada e defesa da família. Não há, no material disponível, contraponto de adversários nem avaliação independente dessas afirmações.
Ainda não se sabe como a direção nacional do PSD reagirá ao fato de uma candidata da legenda apoiar presidenciável de outro partido, nem se haverá alguma formalização dessa liberdade de palanque. Também não estão definidos publicamente os nomes que a oposição estadual lançará às duas vagas do Senado, e não há pesquisas de intenção de voto divulgadas para a disputa paranaense depois da saída de Álvaro Dias, que liderava os levantamentos anteriores.