O PSD oficializou nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026, a candidatura da jornalista Cristina Graeml ao Senado pelo Paraná. O anúncio foi feito em entrevista coletiva em Curitiba, com a presença do governador Ratinho Junior e do pré-candidato do partido ao governo estadual, Sandro Alex. A chapa majoritária inclui ainda Rafael Greca, do MDB, como candidato a vice-governador, e Alexandre Curi, do Republicanos, na disputa pela segunda vaga de senador, confirmado na convenção do dia anterior. Estão em jogo duas cadeiras do Senado por estado na eleição de 4 de outubro.
O ponto mais sensível surgiu na própria coletiva. Graeml declarou que, na eleição presidencial, apoiará Flávio Bolsonaro, do PL, e não Ronaldo Caiado, nome escolhido pelo seu próprio partido para a disputa nacional. Segundo ela, o arranjo foi acertado desde a primeira conversa com o governador, que teria dito que sabia do apoio e a deixou livre para mantê-lo. A candidata afirmou considerar Flávio Bolsonaro o único com condições reais de vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno, e ressalvou que respeita Caiado, a quem chamou de grande nome. Ela também lembrou que já apoiava Flávio quando estava no União Brasil, partido pelo qual Caiado passou.
A cobertura de centro, que até agora é a única a tratar do caso, relatou o episódio com atribuição direta e sem adjetivação: reproduziu as falas entre aspas, descreveu a composição completa da chapa e situou a candidatura no calendário eleitoral. Os dois relatos de centro convergem nos fatos essenciais, incluindo a divergência declarada entre o apoio presidencial da candidata e o candidato oficial da legenda. Um deles detalhou também a resposta dela sobre o rótulo de extrema direita e o argumento do governador para a indicação; o outro trouxe a trajetória eleitoral e os prazos legais da disputa. Até o momento não há cobertura própria de veículos de esquerda nem de veículos de direita sobre o anúncio, de modo que os enquadramentos ideológicos que costumam acompanhar esse tipo de movimento ainda não apareceram na imprensa.
Graeml explicou que a migração partidária ocorreu depois de desentendimentos com a sigla anterior, que não nomeou, e classificou o rompimento como inevitável, dizendo ter sido abandonada no meio do caminho. Ela tem passagens por PMB, Podemos e União Brasil e se filiou ao PSD em abril de 2026. Em 2024, na primeira eleição que disputou, foi ao segundo turno para a prefeitura de Curitiba pelo PMB e obteve mais de 390 mil votos, equivalentes a 31,17%, sendo derrotada por Eduardo Pimentel, hoje colega de partido. Questionada sobre a ausência do prefeito e de Rafael Greca na cerimônia, minimizou o episódio e afirmou que a disputa municipal ficou no passado.
Sobre a classificação de extrema direita, a candidata negou o rótulo e disse que sua atuação se pauta por bandeiras conservadoras e pela oposição ao governo federal, dentro do que considera o espectro democrático. Afirmou que a disputa de narrativa com outros candidatos da direita se dará ao longo da campanha e que pretende concentrar o debate em propostas para o Senado. Ratinho Junior defendeu a escolha como resultado de construção com vários partidos aliados, destacou a presença feminina na chapa e disse que a candidata deve defender o Paraná no Congresso.
O PSD disputa a eleição paranaense coligado ao Republicanos, à federação PSDB-Cidadania e à federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas. As convenções partidárias tinham 5 de agosto como prazo final e os registros de candidatura vão ao Tribunal Superior Eleitoral até 15 de agosto, com a campanha começando oficialmente no dia seguinte.
Ainda não se sabe como o PSD nacional e Ronaldo Caiado reagirão ao apoio público de uma candidata da legenda a um adversário presidencial, nem se haverá algum efeito prático sobre tempo de televisão, fundo eleitoral ou coordenação de campanha no estado. Também não está claro se os demais integrantes da chapa paranaense adotarão a mesma liberdade de apoio no plano nacional, nem quais serão as propostas concretas da candidata para o mandato de senadora.