Augusto Cury defende telemedicina em 80% do SUS e taxação de big techs
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O candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, participou de duas sabatinas jornalísticas em 28 e 29 de agosto de 2026 e apresentou propostas de saúde, tributação, corte de ministérios e mudanças no Supremo Tribunal Federal, em geral sem detalhamento de custos. Defendeu que 80% das consultas básicas do Sistema Único de Saúde passem a ser feitas por teleatendimento, negou conflito de interesses por ter sido sócio de uma empresa de telemedicina até 2023, prometeu taxar big techs e elevar a tributação sobre casas de apostas dos atuais 12% para mais de 50%.
Para uma leitura de direita, Augusto Cury acerta no diagnóstico do Estado inchado e erra na conta. Cortar de oito a dez ministérios, revisar 50 mil cargos comissionados, auditar contratos públicos e digitalizar a máquina são medidas de eficiência que dialogam com a pauta de responsabilidade fiscal, assim como manter o arcabouço e submeter os ministros do Supremo Tribunal Federal a mandato e a responsabilização.
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A cobertura disponível converge em três pontos: o candidato defendeu telemedicina para 80% das consultas básicas do SUS, prometeu cortar de oito a dez ministérios sem dizer quais e propôs elevar a tributação sobre casas de apostas dos atuais 12% para pelo menos 50%. Todas as versões registram que ele negou conflito de interesses por ter sido sócio de uma empresa de telemedicina.
Candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury apresentou em duas sabatinas um pacote de propostas sem detalhamento de custos: telemedicina para 80% das consultas básicas do SUS, tributação pesada sobre redes sociais e casas de apostas, corte de oito a dez ministérios e mudanças no Supremo Tribunal Federal. Ele negou conflito de interesses por ter sido sócio de uma empresa de telemedicina.
O candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, concentrou em duas sabatinas jornalísticas realizadas em 28 e 29 de agosto de 2026 um conjunto de propostas que passou por saúde pública, tributação de plataformas digitais, corte de ministérios e mudanças no Supremo Tribunal Federal. A medida que gerou mais atrito foi a de levar 80% das consultas básicas do Sistema Único de Saúde, o SUS, para o teleatendimento. Ele foi sócio de uma empresa de telemedicina até 2023 e figurava como embaixador dela no site da companhia. Confrontado, negou conflito de interesses e pediu que a menção ao seu nome fosse retirada, o que ocorreu no dia 30 de agosto.
A cobertura de centro, responsável por praticamente todo o material disponível sobre o episódio, relatou as propostas com citações literais e as confrontou com regras e números já existentes. Registrou que a meta de 80% esbarra em norma do Conselho Federal de Medicina que impede a substituição de consultas presenciais por atendimento remoto nesses termos, e que o candidato não citou estudo ou experiência concreta que sustentasse o percentual. Também anotou que, em 2025, o país registrou 31 milhões de consultas de atenção primária, escala que dá dimensão ao que seria transferido para a tela.
No campo fiscal, Cury afirmou que taxaria pesadamente as redes sociais, equiparando a tributação à de produtos prejudiciais à saúde, e defendeu elevar a alíquota das casas de apostas dos atuais 12% para pelo menos 50%. Disse que pretende cortar de oito a dez ministérios, sem informar quais, e ao mesmo tempo criar um Ministério da Segurança Pública e uma pasta ou secretaria executiva dedicada a inteligência artificial e robótica. Prometeu revisar 50 mil cargos comissionados, auditar contratos públicos e digitalizar a administração sem novas contratações, com economia que estimou entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões. Defendeu manter o arcabouço fiscal, descartou nova reforma da Previdência e disse que o déficit seria enfrentado com aumento de produtividade. A dívida pública, lembrada nas entrevistas, está acima de 80% do Produto Interno Bruto e em trajetória de alta.
Outras propostas apareceram sem custo estimado. O candidato sugeriu transformar embaixadores em influenciadores digitais para promover a imagem do Brasil, e o uso de drones acionados por delegacias para chegar antes da polícia a casos de agressão contra mulheres. Ao ser lembrado de que muitos municípios não têm conexão e de que a maior parte dos feminicídios acontece dentro de casa, respondeu que a ideia poderia ser esquecida. Propôs ainda reajuste real de 1% ao ano no salário mínimo, percentual que pode ficar abaixo do produzido pela regra atual, que soma a inflação à variação do PIB de dois anos antes. Sobre o Judiciário, defendeu impeachment de ministros que cometam erros, fim da vitaliciedade, mandato de oito anos, redução do Supremo de onze para nove integrantes e a convocação de juristas para avaliar se houve vícios nos processos dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A divergência de cobertura aparece menos no enquadramento e mais na profundidade. Veículos de direita registraram o episódio de forma sumária, resumindo a sabatina à menção das propostas de telemedicina e de corte de ministérios, sem contraditório, sem números e sem tratar do vínculo do candidato com a empresa do setor. Veículos de esquerda não publicaram cobertura própria do caso até o momento, de modo que o ângulo que costuma organizar essa leitura, o de transferir a porta de entrada da atenção primária para uma plataforma privada, ficou sem desenvolvimento no noticiário.
O que ainda não se sabe é o essencial. O candidato não disse quais ministérios extinguiria, não apresentou memória de cálculo para a economia prometida, não indicou a alíquota que aplicaria às plataformas digitais nem como contornaria a norma do Conselho Federal de Medicina para viabilizar a meta de 80% das consultas por telemedicina. Também não há detalhamento sobre a estrutura de financiamento das dez mil escolas de empreendedorismo e do crédito a microempresas mencionados nas entrevistas, nem resposta pública da empresa de telemedicina citada.
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