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A economista Daniella Marques, responsável pelo programa econômico da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro, detalhou em entrevista de 3 de agosto de 2026 um plano de ajuste fiscal equivalente a 1,5% do PIB, cerca de R$ 190 bilhões pelo resultado de 2025. O programa se divide em quatro frentes: criação de um conselho superior de governança fiscal, revisão do arcabouço fiscal com mecanismo de controle da trajetória da dívida, o corte de gastos propriamente dito e um choque de gestão na estrutura administrativa da União. A economista não detalhou quanto cada medida contribuiria para a meta nem quais despesas permanentes seriam reduzidas. Ela também evitou confirmar se será a candidata a vice na chapa, tema ainda indefinido diante da resistência de partidos do Centrão.
A economista Daniella Marques, responsável pela formulação do programa econômico da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro, apresentou em entrevista concedida em 3 de agosto de 2026 as linhas gerais de um plano de ajuste fiscal equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto. Pelo resultado de 2025, o corte corresponderia a cerca de R$ 190 bilhões. Ex-presidente da Caixa Econômica Federal entre 2022 e 2023 e ex-secretária do Ministério da Economia, ela é um dos nomes cotados para ocupar a vaga de vice na chapa, ponto sobre o qual evitou se comprometer.
Segundo a economista, o programa se organiza em quatro frentes. A primeira é a criação de um conselho superior de governança fiscal. A segunda é a revisão do arcabouço fiscal, com um mecanismo que controle a trajetória da relação entre dívida e PIB, hoje caminhando para 100%. A terceira é o corte de gastos de 1,5% do PIB. A quarta é um choque de gestão e a modernização da estrutura administrativa da União. Antes de qualquer corte, disse ela, o país precisa recuperar credibilidade junto aos agentes econômicos.
As duas coberturas do caso convergem no inventário das medidas de receita. A principal é a securitização da dívida ativa da União, que permitiria antecipar recursos de créditos já constituídos e geraria, na estimativa apresentada, entre R$ 200 bilhões e R$ 400 bilhões apenas no primeiro ano. Há ainda a criação de um fundo imobiliário para monetizar parte dos mais de 700 mil imóveis pertencentes à União, com valor contábil declarado acima de R$ 1 trilhão, a antecipação de receitas de royalties, a revisão das estatais dependentes do Tesouro e a ampliação de concessões e parcerias público-privadas. A economista descartou privatização total das estatais e disse que o problema está na governança.
Veículos de direita deram destaque ao diagnóstico de má gestão do patrimônio público. Nessa cobertura, ganharam relevo o prejuízo bilionário registrado por uma grande estatal em 2025, o custo de pessoal das empresas dependentes do Tesouro e o contraste entre um Estado que mantém centenas de milhares de imóveis no balanço e ainda gasta com aluguel. O enquadramento é o de eficiência: haveria dinheiro parado suficiente para financiar o ajuste sem aumento de carga tributária.
A cobertura de centro manteve o mesmo conjunto de números, mas cercou a proposta por dois flancos. O primeiro é aritmético: como fechar um corte dessa magnitude se o pré-candidato afirmou que não pretende alterar a política de valorização do salário mínimo, nem mexer nos pisos constitucionais de saúde e educação, nem propor reforma da Previdência, itens que concentram a maior parte da despesa obrigatória. A resposta apresentada foi que a redução do déficit viria principalmente da reorganização e monetização de ativos da União, sem discriminação de valores por medida. O segundo flanco é político: a vaga de vice segue indefinida diante da resistência de partidos do chamado Centrão, um convite feito na semana anterior a uma senadora esbarrou na neutralidade anunciada pelo partido dela, e a legenda à qual a economista é filiada caminha para posição semelhante, com definição prevista em convenção nacional.
O ângulo que costuma organizar a leitura de veículos de esquerda, o de quem absorve um corte de R$ 190 bilhões quando as despesas obrigatórias estão preservadas, não apareceu no conjunto de matérias analisado até o momento. Sem cobertura desse campo, a discussão sobre efeito distributivo do ajuste permanece fora do noticiário disponível.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há discriminação de quanto cada medida contribuiria para a meta de 1,5% do PIB, nem indicação de quais despesas permanentes seriam reduzidas. Também não há prazo, desenho jurídico ou estimativa de desconto para a securitização da dívida ativa, nem detalhamento sobre quais imóveis entrariam no fundo imobiliário. No plano político, seguem em aberto a composição da chapa e o apoio partidário. O Ministério da Fazenda foi procurado para comentar as declarações e não havia se manifestado até a publicação das reportagens.
As duas coberturas registram os mesmos números e a mesma lacuna: o plano mira um corte de 1,5% do PIB, cerca de R$ 190 bilhões, financiado principalmente por securitização da dívida ativa, fundo imobiliário com imóveis da União, antecipação de royalties, revisão de estatais e ampliação de concessões e PPPs. Ambas também apontam que a economista não discriminou quanto cada medida renderia nem quais despesas permanentes seriam cortadas, e que a vaga de vice segue indefinida.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Cobertura factual e equilibrada: reproduz as quatro frentes do programa em citação direta, cerca a proposta com a pergunta sobre como fechar a conta sem mexer em salário mínimo, pisos constitucionais e Previdência, registra a apuração própria sobre a tendência de neutralidade do partido da economista e informa que o Ministério da Fazenda não respondeu. Vocabulário técnico e sem carga valorativa, com paridade entre a fala da entrevistada e os obstáculos políticos e aritméticos.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
O texto reproduz o programa econômico na chave da eficiência de gestão e do ajuste fiscal, com vocabulário de mercado (securitização, monetização de ativos, concessões, PPPs) e ilustra a crítica às estatais pelo prejuízo dos Correios, sem contraponto. O enquadramento é o de accountability do gasto público, típico do campo à direita. Há, porém, honestidade metodológica ao registrar que a economista não detalhou quanto cada medida contribui para a meta nem quais despesas permanentes cairiam, o que reduz a intensidade do viés e sustenta confiança apenas moderada.

Ao defender uma revisão das empresas públicas, Daniella mencionou os Correios, que registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025

Conselheira da área econômica da campanha do senador, ex-presidente da Caixa defende ajuste fiscal como principal medida
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Perspectivas omitidas



