Mais de um terço dos eleitores brasileiros não sabe ou não lembra em quem votou para governador em 2022. É o que mostra a pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo: 38% dos entrevistados afirmam não se recordar da escolha para o Executivo estadual, enquanto 54% dizem lembrar o voto e 9% declaram não ter votado em nenhum candidato. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O contraste com a memória do voto presidencial é grande. Apenas 7% dos entrevistados não lembram em quem votaram para presidente em 2022; 85% dizem recordar e 8% afirmam não ter votado. A diferença ajuda a medir o peso da disputa nacional, marcada pela polarização entre Lula e Jair Bolsonaro, sobre a memória do eleitor. A cobertura de centro, como a da Folha, relatou esses números de forma factual, com os recortes por gênero, faixa etária e preferência partidária e com a metodologia explicitada: o instituto ouviu 1.898 eleitores de 20 anos ou mais, nos dias 17 e 18 de junho, em levantamento registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.
Os três campos da cobertura convergem nos dados. O esquecimento do voto estadual é maior entre as mulheres (46%) do que entre os homens (28%), e também mais alto na faixa dos 20 aos 24 anos (45%). O grupo que mais se recorda da escolha para governador é o dos 45 aos 59 anos (63%). Há ainda diferença por preferência partidária: entre quem manifesta simpatia pelo PL, partido de Jair Bolsonaro, 76% lembram o voto para governador; entre os que preferem o PT, sigla de Lula, o índice cai para 52%.
É nesse ponto que a ênfase da cobertura diverge. Veículos de esquerda, como o Brasil 247 e o ICL Notícias, destacaram a permanência da polarização nacional como elemento central do cenário eleitoral e a leitura de que a fragmentação das disputas estaduais explica a menor lembrança do voto para governador. Esses veículos também sublinharam a liderança de Lula, que aparece com 41% das intenções de voto no primeiro turno de 2026, contra 31% de Flávio Bolsonaro, e a vitória apertada do petista em 2022, por 50,9% a 49,1%. Já uma leitura de direita enfatizaria a maior fidelidade de memória do eleitorado bolsonarista: 93% de quem declara voto em Flávio Bolsonaro para 2026 lembram a escolha de 2022, e 97% dos simpatizantes do PL recordam o voto presidencial, índices acima dos verificados no campo petista.
O que ainda não se sabe é se essa menor lembrança do voto estadual terá efeito concreto sobre as campanhas a governador em 2026, já que a pesquisa mede memória e não intenção para as disputas estaduais futuras. Também não há, no levantamento, abertura por estado, o que limita conclusões regionais sobre o fenômeno.