A primeira pesquisa Datafolha com o cenário eleitoral consolidado para o governo de São Paulo em 2026 mostra o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, com ampla liderança na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. O levantamento, divulgado em 5 de julho, aponta o governador com 46% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30% do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, do PT. Considerando apenas os votos válidos, aqueles que excluem brancos e nulos e são usados pela Justiça Eleitoral para apurar o resultado, Tarcísio alcança 52%, e Haddad, 34%. Em uma simulação de segundo turno, o governador amplia a distância e teria 53% ante 37% do petista.
A cobertura de centro relatou os números com paridade e destacou a metodologia: o Datafolha ouviu 1.608 eleitores em 71 municípios paulistas entre 1º e 3 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Os veículos de centro sublinharam que a própria margem de erro e a distância até a eleição de outubro impedem afirmar que a disputa estaria decidida na primeira rodada, já que a declaração de voto branco e nulo tende a ser maior quando o pleito ainda está distante. Também noticiaram que a gestão de Tarcísio é avaliada como ótima ou boa por 45% dos eleitores e que ele é aprovado por 63%, além de detalhar recortes regionais: no interior, que concentra 53% do eleitorado, o governador tem 49% ante 26% de Haddad, enquanto na capital e região metropolitana a disputa é mais acirrada, com 43% a 35%.
Há pontos em que todas as vertentes convergem. É a primeira pesquisa feita após a desistência das pré-candidaturas de Kim Kataguiri, do Missão, e Paulo Serra, do PSDB, o que torna o levantamento não comparável aos anteriores e enxuga o cenário para dois nomes principais. Todos os veículos registram que Haddad lidera a rejeição, citado por 47% dos eleitores que afirmam não votar nele de jeito nenhum, enquanto Tarcísio é rejeitado por 29%. Em março, a rejeição do petista era de 38%, e a do governador, de 24%.
É na leitura do resultado que as coberturas divergem. Veículos de direita enfatizaram que Tarcísio ultrapassa a marca dos votos válidos necessária para vencer em primeiro turno e atribuíram a vantagem a três fatores: a gestão bem avaliada, a ausência de uma terceira via competitiva e a alta rejeição de Haddad. Nessa leitura, a disputa se transforma em um plebiscito entre um ex-ministro de Jair Bolsonaro e um ex-ministro de Lula, com o eleitorado paulista mais influenciado pelo ex-presidente (27%) do que pelo atual mandatário (19%). Já a cobertura de centro deu voz ao campo de Haddad: o coordenador da pré-campanha, o deputado estadual Emídio de Souza, afirmou que a vantagem pode ser reduzida quando a campanha começar de fato, apostando na propaganda eleitoral obrigatória em rádio e televisão. Essa perspectiva também ressalta que o levantamento foi divulgado um dia após o fim do prazo em que o governador, na condição de mandatário, pôde inaugurar obras, evidenciando a assimetria entre quem ocupa o cargo e o desafiante. Haddad recorre a Márcio França e Geraldo Alckmin para ampliar palanques no interior, seu ponto mais frágil.
O que ainda não se sabe é como o quadro evoluirá com o início oficial da campanha e do horário eleitoral gratuito, marco que a própria pré-campanha petista aponta como divisor de águas. A convenção que deve oficializar a candidatura de Haddad está prevista para 25 de julho, em Ribeirão Preto. Nenhuma das fontes crava um resultado, e todas reforçam que a pesquisa é um retrato do momento, não uma previsão do que ocorrerá nas urnas em outubro.