A maioria dos brasileiros não se lembra em quem votou para os cargos do Legislativo nas eleições de 2022 e não consegue sequer citar o nome de um deputado federal ou senador em exercício. É o que mostra pesquisa do Datafolha divulgada no domingo, 28 de junho de 2026, que ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Segundo o levantamento, apenas 23% dos eleitores afirmam lembrar em quem votaram para senador, deputado federal e deputado estadual. Para deputado federal, 67% dizem não recordar e 10% declararam não ter votado. O padrão se repete para deputado estadual e para senador, ambos com 66% de esquecimento. O contraste fica evidente quando o assunto é o Executivo: 85% dos entrevistados afirmam lembrar em quem votaram para presidente, e 54% recordam o voto para governador.
A cobertura de centro, como a do g1 e da 98 FM, relatou os números de forma direta, destacando a transparência metodológica: a pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026, e as perguntas sobre 2022 foram feitas a 1.898 entrevistados com 20 anos ou mais, já em idade de votar no pleito anterior. Esses veículos também detalharam o desconhecimento dos parlamentares: 68% não conseguiram citar nenhum deputado federal e 75% não mencionaram nenhum senador.
Entre os poucos lembrados, apenas seis dos 513 deputados federais foram citados espontaneamente. Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, liderou com 6%, seguido por Érika Hilton, do PSOL de São Paulo, com 4%. No Senado, Flávio Bolsonaro, do PL do Rio, apareceu em primeiro com 3%, à frente de Romário, Cleitinho e Sergio Moro. A pesquisa também flagrou equívocos: Cleitinho, que é senador, foi citado como deputado, e Eduardo Bolsonaro foi lembrado mesmo após ter o mandato encerrado.
Veículos de direita, como o Goiás 246, enfatizaram os recortes por preferência partidária e gênero. Entre simpatizantes do PL, a lembrança do voto foi maior, inclusive para governador, onde 76% recordaram a escolha, ante 52% entre os do PT. O esquecimento foi mais acentuado entre as mulheres, com índices acima de 74% para os cargos legislativos. Essa leitura reforça, na cobertura de direita, a crítica a um Congresso de baixa prestação de contas, em que a comunicação direta de parlamentares como Nikolas Ferreira supera a máquina partidária tradicional.
Na síntese da cobertura, há convergência factual entre todos os lados sobre o dado central: o eleitor brasileiro conhece pouco o Legislativo e concentra sua memória política na figura presidencial. As ênfases é que divergem. Uma leitura à esquerda tende a tratar o desconhecimento como uma crise de representatividade que distancia o cidadão das decisões coletivas e expõe o personalismo da política nacional. Uma leitura à direita tende a ler o mesmo dado como falta de fiscalização sobre mandatos e argumento a favor de uma reforma que torne o Congresso mais enxuto e responsável.
O que ainda não se sabe é em que medida esse desconhecimento se traduzirá em comportamento nas eleições de 2026, nem se a baixa lembrança reflete desinteresse, complexidade do voto proporcional ou falha na prestação de contas dos próprios parlamentares. A pesquisa mede a memória e o reconhecimento, mas não responde às causas.