A Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e folga apenas um. Pelo novo texto, a jornada semanal cai para 40 horas, com aumento da folga, e há um período de transição previsto antes da plena vigência. A matéria avançou primeiro na comissão especial e, em seguida, foi aprovada em segundo turno no plenário. O texto segue agora para o Senado.
Os números da votação são o ponto em que toda a cobertura converge. Na comissão especial, o texto-base recebeu 34 votos favoráveis. No plenário, em segundo turno, o placar foi de 461 votos a favor e 19 contra. A proposta estabelece a jornada de 40 horas semanais e prevê uma transição de 14 meses para a adaptação dos trabalhadores e das empresas. Os votos contrários, segundo a cobertura, concentraram-se em parlamentares do PL e do Novo.
A cobertura de centro, como a do G1, relatou de forma detalhada o trâmite e os parâmetros técnicos da PEC, mapeando como votaram deputados e partidos e descrevendo a redução da jornada e o prazo de transição sem atribuir juízo de valor à medida. Veículos de direita, como a Jovem Pan, registraram a aprovação de forma factual, com ênfase no placar e no encaminhamento ao Senado, e o campo da direita parlamentar, representado por PL e Novo, foi o que concentrou as resistências, sob o argumento de impacto nos custos das empresas e na liberdade de contratação.
Já veículos de esquerda, como o Brasil 247, destacaram a votação como uma conquista dos trabalhadores, enfatizando que a redução da jornada se dá sem corte salarial e nomeando PL e Novo como os únicos votos contrários, em um enquadramento que valoriza o direito ao descanso e expõe a oposição da direita à medida. Esse contraste de ênfases é a principal divergência de cobertura: enquanto a esquerda lê a PEC como avanço social, a direita parlamentar a vê como rigidez imposta ao mercado de trabalho.
O que ainda não se sabe é como o Senado tratará o texto, se haverá modificações no prazo de transição ou na forma de implementação, e qual será o efeito concreto sobre setores que dependem de jornadas estendidas. A tramitação no Senado definirá se, e quando, a mudança entra em vigor.