Os candidatos à Presidência da República passaram o fim de semana de 5 e 6 de setembro de 2026 em agendas de rua no interior do país, antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O roteiro reuniu lançamentos de campanha, caminhadas, panfletagens, carreatas, entrevistas, atos com aliados e encontros com representantes do setor produtivo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que disputa a reeleição, fez campanha no sábado em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, onde prometeu ampliar a jornada escolar. Disse que todas as escolas do país passariam a ser de tempo integral, para dar tranquilidade às crianças e aos pais que trabalham, e associou a medida ao desenvolvimento nacional.
Flávio Bolsonaro, do PL, visitou no sábado o ex-assessor internacional Filipe Martins, que cumpre pena em presídio de Ponta Grossa, no Paraná, após condenação do Supremo Tribunal Federal por participação na trama golpista. Depois da visita, o candidato afirmou que a prisão é injusta e viola direitos, e apresentou a segurança pública como eixo do seu plano de governo: promete criar mais de meio milhão de vagas no sistema penitenciário e mudar a legislação penal para que facções como Primeiro Comando da Capital, Comando Vermelho e milícias possam ser declaradas grupos terroristas.
No campo que defende agenda liberal na economia, Ronaldo Caiado, do PSD, visitou a 49ª edição da Expointer, em Esteio, no Rio Grande do Sul, e a Feira do Garavelo, em Aparecida de Goiânia. Questionado sobre pequenos negócios, prometeu reduzir a taxa Selic dos atuais 14% ao ano para 7% a partir de 5 de janeiro. A cobertura registrou, logo em seguida, que a Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, com base em dados e previsões econômicas. Romeu Zema, do Novo, esteve na exposição agropecuária Camaru, em Uberlândia, em Minas Gerais, conversou com representantes do agronegócio e vistoriou o anel viário da cidade. Renan Santos, do Missão, percorreu Recife e Fortaleza e disse que um bairro da capital cearense foi impedido de receber atividade eleitoral por determinação de facção criminosa, tema que transformou em promessa de enfrentamento ao crime organizado.
As candidaturas do campo socialista concentraram o discurso em desigualdade e trabalho. Hertz Dias, do PSTU, panfletou em Salvador e afirmou que o povo negro construiu grande parte da riqueza do país, mas segue nos piores empregos e como principal vítima da violência policial. Samara Martins, da Unidade Popular, participou em Santo André da Marcha do Heroísmo Revolucionário, em homenagem a militantes mortos e desaparecidos na ditadura militar, defendeu reforma urbana e, no domingo, visitou comunidades ribeirinhas e quilombolas no Pará. Rui Costa Pimenta, do PCO, lançou candidaturas em Belo Horizonte e defendeu reestatizar empresas públicas, acabar com a escala 6x1 e elevar o salário mínimo ao valor calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, de R$ 7.687,01. Augusto Cury, do Avante, fez carreata em Araçatuba e falou em tornar o Sistema Único de Saúde mais eficiente, com telemedicina. Edmilson Costa, do PCB, cumpriu agenda partidária em Lisboa; Clariana Barão, do Democracia Cristã, concedeu entrevista a uma emissora de televisão; e Wilson Grassi, do Democrata, não teve agenda pública no fim de semana.
Até o momento, apenas um veículo publicou esse balanço do fim de semana, o que limita a comparação de enquadramentos entre lados. A cobertura de fonte única segue rodízio alfabético entre os candidatos, o que dá espaço semelhante a nomes de partidos grandes e pequenos, e reproduz as falas entre aspas sem contraditório. Há uma assimetria de checagem: só a promessa de corte de juros recebeu contextualização sobre quem decide a taxa, enquanto promessas de gasto, como a universalização da escola em tempo integral e a abertura de vagas prisionais, aparecem sem estimativa de custo ou de prazo.
O que ainda não se sabe é como cada proposta seria financiada e em quanto tempo sairia do papel. Não há detalhamento sobre o custo da ampliação da escola integral, sobre quantas unidades prisionais seriam necessárias para abrir meio milhão de vagas, nem sobre quais instrumentos legais permitiriam a um presidente influenciar a taxa básica de juros, atribuição do Banco Central. Também não foi informado o que dois candidatos fizeram na maior parte do período, e parte deles não registrou compromissos públicos no domingo.