Campanha de Augusto Cury admite erro em declaração de R$ 242 milhões ao TSE
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Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência da República, não incluiu na declaração de bens entregue ao Tribunal Superior Eleitoral ao menos cinco empresas em que aparece nos registros oficiais: três na Flórida, nos Estados Unidos, e duas no Brasil. A campanha confirmou a ausência, disse que se trata de erro e afirmou que as informações serão corrigidas nos termos da lei. Cury declarou patrimônio de R$ 242 milhões à Justiça Eleitoral, o maior entre os presidenciáveis, sendo R$ 121 milhões referentes a um empréstimo concedido por ele à empresa Filadélfia Nature Participações.
O candidato que declarou o maior patrimônio da eleição de 2026 deixou ao menos cinco negócios fora da prestação de contas obrigatória à Justiça Eleitoral, e a explicação apresentada foi que as participações seriam inexpressivas.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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As coberturas concordam em três pontos: Augusto Cury tem cinco registros societários na Flórida e apenas dois constam da declaração entregue ao Tribunal Superior Eleitoral; a campanha confirmou a ausência e anunciou correção; e o patrimônio declarado, de R$ 242 milhões, é o maior entre os candidatos à Presidência nesta eleição.
O candidato do Avante à Presidência declarou R$ 242 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral, mas deixou de fora ao menos cinco empresas registradas no Brasil e na Flórida. A campanha admitiu o erro e afirmou que vai corrigir os dados. Este texto reúne o que a cobertura de esquerda e a de centro apuraram sobre o caso, onde as versões convergem e o que segue sem resposta.
O escritor e psiquiatra Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência da República, deixou de informar ao Tribunal Superior Eleitoral ao menos cinco empresas em que aparece nos registros oficiais como sócio ou pessoa autorizada a agir. Três delas estão registradas na Flórida, nos Estados Unidos: Cury Academia Comportamental, Contemplare Investments e Free Mind Publish, abertas entre 2021 e 2024 e mantidas ativas em 2026. As outras duas são brasileiras: a Contemplare, cujo objeto social envolve locação de imóveis próprios, arrendamento de terras para exploração agrícola e administração de propriedades, e a Academia de Pensar e Brincar, na qual Cury é sócio-administrador ao lado da mulher e de duas filhas. Procurada, a campanha confirmou a ausência dos registros na declaração de bens, classificou o caso como erro e afirmou que as informações serão corrigidas nos termos da lei.
Na declaração entregue à Justiça Eleitoral, Cury registrou patrimônio de R$ 242 milhões, o maior entre os candidatos à Presidência nesta eleição. Metade desse valor, R$ 121 milhões, corresponde a um empréstimo feito por ele à empresa Filadélfia Nature Participações. Outros R$ 54 milhões estão concentrados em participações societárias e cerca de R$ 33 milhões foram declarados em ações. É a primeira disputa eleitoral do escritor, autor de livros de autoajuda publicados em dezenas de países, que antes de fechar com o Avante chegou a negociar uma chapa com Romeu Zema, do Novo.
Há convergência entre as coberturas sobre o núcleo do caso. Todas registram que Cury tem cinco registros na Divisão de Corporações da Secretaria de Estado da Flórida e que apenas dois deles, a Intelligence School, de 2014, e a Love Story Investments, de 2017, constam da declaração ao tribunal. Todas também reproduzem a nota da campanha, segundo a qual as participações mencionadas são inexpressivas em relação ao patrimônio e correspondem a empresas inativas ou sem rendimentos. Os documentos estaduais norte-americanos identificam o candidato como pessoa autorizada a agir pelas três companhias, mas não informam quanto ele possui de cada uma nem o capital investido. Em uma delas, ele aparece sozinho nessa condição.
As ênfases divergem. A cobertura de centro concentrou-se na anatomia da declaração e na versão da campanha, detalhando a distribuição do patrimônio por classe de ativo e acrescentando que a equipe do candidato afirma ter participação apenas na Contemplare entre as duas empresas brasileiras apontadas. Veículos de esquerda ampliaram o escopo, somando as cinco empresas ausentes, destacando que Cury lidera o ranking patrimonial dos presidenciáveis e agregando elementos de contexto econômico, como transações imobiliárias em Orlando que somaram US$ 13,5 milhões entre 2014 e 2024 e R$ 31,5 milhões do patrimônio vinculados à Fictor Invest, grupo em recuperação judicial. Ainda assim, essa mesma cobertura registra que a existência dos negócios fora da declaração não permite, por si só, concluir que houve ocultação deliberada ou prática de ilícito. Veículos de direita não haviam publicado cobertura própria sobre o caso até o fechamento desta análise, e o argumento que costuma organizar esse campo, o de que erro formal reconhecido e corrigido não se confunde com irregularidade, aparece aqui apenas pela voz da própria campanha.
O que ainda não se sabe é significativo. Nem a campanha nem os registros públicos consultados esclarecem qual é o percentual de participação do candidato em cada uma das empresas não declaradas, nem quanto elas representam no conjunto do patrimônio. Também não há informação sobre prazo, procedimento ou eventual consequência da retificação anunciada, nem qualquer manifestação do Tribunal Superior Eleitoral sobre o caso. Sem esses dados, permanece em aberto se a omissão é falha administrativa de baixo impacto, como sustenta a campanha, ou lacuna relevante na prestação de contas de quem disputa a Presidência.
Equipe do candidato do Avante ao Planalto afirmou que "inconsistências pontuais serão corrigidas nos termos da lei". Leia no Poder360.

A campanha de Augusto Cury informou que corrigirá a declaração de bens ao TSE após a omissão de três empresas nos EUA, classificadas como participações inexpressivas.

Terceiro colocado no Datafolha, Augusto Cury diz que revisará patrimônio informado e corrigirá eventuais inconsistências.
