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Pesquisa Datafolha divulgada em 28 de julho mostra que 59% dos eleitores consideram que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, agiu mal ao proibir as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai, Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar; 36% avaliam que ele agiu bem. O mesmo levantamento aponta que 59% defendem a permanência do ex-presidente em regime domiciliar e que 62% apoiam a manutenção do veto ao uso de redes sociais. A restrição às visitas foi imposta em 13 de julho, por 90 dias, após a divulgação pública de uma carta em que o ex-presidente apoia a pré-candidatura do filho à Presidência. No mesmo dia da divulgação da pesquisa, o ministro remeteu à Procuradoria-Geral da República o caso da ausência do senador a um depoimento marcado pela Polícia Federal.
Uma pesquisa Datafolha divulgada na terça-feira, 28 de julho, mostrou que 59% dos eleitores brasileiros consideram que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, agiu mal ao proibir as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Para 36% dos entrevistados, o ministro agiu bem. Outros 2% avaliam que ele não agiu nem bem nem mal e 4% não souberam responder. O levantamento ouviu 2.004 pessoas presencialmente, entre os dias 22 e 23 de julho, tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-01166/2026.
Os demais números da mesma pesquisa revelam um eleitorado menos linear do que o resultado principal sugere. Ao mesmo tempo em que reprova a proibição das visitas, a maioria sustenta as outras restrições impostas ao ex-presidente. Para 59%, Jair Bolsonaro deve permanecer em regime domiciliar, contra 35% que defendem o cumprimento da pena na prisão e 6% que não souberam responder. E 62% apoiam a proibição de acesso às redes sociais durante a prisão domiciliar, contra 35% que defendem a liberação das plataformas.
O contexto processual é comum a toda a cobertura. Jair Bolsonaro foi condenado de forma unânime pelo Supremo a 27 anos e três meses de prisão por planejar um golpe de Estado depois de perder a eleição de 2022 e, desde março deste ano, cumpre prisão domiciliar humanitária concedida em razão de seu estado de saúde. Em 13 de julho, Moraes suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio ao pai, após o senador tornar pública uma carta em que o ex-presidente reafirma apoio à pré-candidatura do filho à Presidência e o aponta como porta-voz na disputa eleitoral deste ano. A decisão se apoia na medida cautelar que proíbe o uso de redes sociais pelo ex-presidente, diretamente ou por intermédio de terceiros. Restrições posteriores suspenderam por 30 dias qualquer tipo de visita, com exceção de médicos, fisioterapeutas e advogados, e vetaram visitas de finalidade político-eleitoral, além da divulgação de manifestos, até o fim das eleições de outubro.
A cobertura de centro concentrou-se nos números e na metodologia, apresentando os percentuais lado a lado com o histórico do processo e sem enquadramento valorativo sobre o ministro ou sobre a família do ex-presidente. Veículos de esquerda deslocaram o eixo da reportagem para o comportamento do senador no inquérito conduzido pela Polícia Federal. Nessa cobertura, o registro é de que Flávio Bolsonaro faltou pela segunda vez ao depoimento marcado, recusou tanto a remarcação quanto a oitiva por videoconferência oferecidas pela corporação e apresentou apenas uma manifestação escrita pouco antes do horário designado, o que levou Moraes a remeter os autos à Procuradoria-Geral da República, com prazo de 15 dias para dizer quais providências considera cabíveis. A mesma leitura pondera que o episódio não altera por si só a situação jurídica do senador, já que a Constituição garante o direito de permanecer em silêncio. Veículos de direita não aparecem entre as fontes reunidas neste conjunto de reportagens. O ângulo que costuma orientar essa cobertura enfatizaria os 59% de reprovação como desgaste político do ministro, questionaria a proporcionalidade de cautelares que alcançam o convívio familiar de um réu já condenado e trataria o veto a atos político-eleitorais como interferência do Judiciário em ano de eleição presidencial.
Pontos centrais seguem em aberto. Não se conhece o teor da manifestação escrita entregue pela defesa do senador, nem qual investigação específica motivou a convocação para o depoimento. Também não há definição sobre o que a Procuradoria-Geral da República pedirá ao fim do prazo de 15 dias, nem sobre a possibilidade de revisão das restrições antes do término dos 90 dias fixados em julho. A pesquisa, por fim, não mede se a reprovação à decisão se converte em intenção de voto ou em rejeição ao Supremo Tribunal Federal como instituição.
A proibição de visitas vale por 90 dias contados de 13 de julho, e as restrições seguintes vetam visitas de finalidade político-eleitoral e a divulgação de manifestos até o fim das eleições de outubro, período central da campanha em que o senador é pré-candidato à Presidência. A Procuradoria-Geral da República tem 15 dias para dizer o que fará diante da ausência ao depoimento. Com margem de erro de dois pontos percentuais, a diferença de 23 pontos entre reprovação e aprovação da decisão está fora de qualquer empate técnico.
Os números da pesquisa não são contestados por nenhum lado: 59% reprovam a decisão que barrou as visitas, 36% a aprovam e a mesma maioria de 59% prefere que o ex-presidente siga em prisão domiciliar a voltar para a prisão. Há convergência também sobre a origem da medida, a divulgação pública da carta em que Jair Bolsonaro aponta o filho como porta-voz da disputa eleitoral, e sobre o fato de que o senador respondeu por escrito em vez de depor à Polícia Federal.
Não se conhece o teor da manifestação escrita entregue pela defesa do senador, nem qual investigação motivou a convocação ao depoimento. Também não há resposta sobre o que a PGR pedirá ao fim do prazo de 15 dias, nem se as restrições impostas em julho serão revistas antes do término dos 90 dias.
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
A base factual é sólida e o texto chega a proteger o investigado ao lembrar o direito constitucional ao silêncio, o que puxa o artigo para o centro. O enquadramento, porém, é de accountability sobre o parlamentar: o lead insiste que ele faltou 'mesmo após receber duas oportunidades', a matéria enumera as alternativas recusadas (remarcação e videoconferência) e sublinha que a manifestação escrita chegou 'momento antes' do horário. A ausência da versão da defesa reforça esse eixo, típico de cobertura de esquerda sobre a família Bolsonaro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
O texto reproduz os percentuais da pesquisa lado a lado (59% agiu mal, 36% agiu bem) e ancora o contexto em fatos processuais datados, como a condenação unânime a 27 anos e três meses e a suspensão de visitas por 90 dias. Não há vocabulário valorativo sobre o ministro nem sobre o ex-presidente; o único descritor incomum é 'dirigente de direita', insuficiente para caracterizar enquadramento ideológico. Metodologia e registro no TSE são informados de forma completa.
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Pesquisa ouviu 2.004 pessoas em todo o território nacional, entre os dias 22 e 23 de julho; margem de erro é de 2 pontos percentuais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), registrou em decisão desta terça-feira (28) que o senador e pré-candidato à Presidência

Maioria também defende que ex-presidente permaneça em prisão domiciliar, aponta levantamento.
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Perspectivas omitidas
Texto de registro: percentuais nos dois sentidos, data da divulgação e dois blocos de contexto datados (prisão domiciliar humanitária desde 24 de março, suspensão das visitas em 13 de julho). Não há adjetivação sobre o ministro, sobre o ex-presidente ou sobre a decisão, e a menção à carta é descritiva. O ponto fraco é a metodologia ausente, que é lacuna informativa e não sinal de viés.
Perspectivas omitidas



