O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparece com 45% das intenções de voto no primeiro turno da disputa estadual, contra 27% do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada em 21 de agosto de 2026. A distância entre os dois é de 18 pontos percentuais. Em simulação de segundo turno, o governador venceria o candidato do PT por 54% a 35%. É a primeira medição desde o início oficial das campanhas, no domingo, 16 de agosto.
Os demais concorrentes aparecem muito atrás. Vera Lúcia (PSTU) tem 4%, enquanto Carlos Machado (PCB), Policial Edjane (Agir) e Vivian Mendes (UP) oscilam entre 2% e 3%, e Izadora Dias (PCO) registra 1%. Votos brancos, nulos e a recusa em votar em qualquer candidato somam 11%, e os indecisos, 4%. O levantamento ouviu 1.610 eleitores em 65 cidades paulistas nos dias 18 e 19 de agosto, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob os números SP-01806/2026 e BR-07185/2026 e custou R$ 185.706,64.
A cobertura de centro foi a que mais detalhou o levantamento e a única a registrar a advertência do próprio instituto de que não cabe comparação direta com a pesquisa anterior, feita entre 1 e 3 de julho, por causa da mudança de cenário provocada pelo início da campanha. Naquela medição, o governador tinha 46% e o candidato do PT, 30%. Foi também na cobertura de centro que apareceram os números da disputa por duas vagas ao Senado por São Paulo: Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) lideram com 12% cada, seguidas por André do Prado (PL), com 10%, Guilherme Derrite (PP), com 7%, e Ricardo Salles (Novo), com 6%. Todos os quatro recuaram em relação a julho, quando Marina Silva tinha 18% e Simone Tebet, 16%.
Veículos de direita concentraram o texto na vantagem do governador em primeiro e segundo turnos e trataram o resultado como consolidação da liderança, sem espaço para leitura concorrente e sem os dados de rejeição que qualificariam o quadro. Esses números vieram de outra parte da cobertura de centro: Fernando Haddad é rejeitado por 47% dos entrevistados e Tarcísio de Freitas por 29%, com os demais candidatos entre 11% e 17%.
Já a cobertura com enquadramento de esquerda deslocou o eixo da pesquisa para a agenda de campanha do candidato do PT. Em caminhada no centro de Mauá, na Grande São Paulo, no mesmo 21 de agosto, Fernando Haddad defendeu a reindustrialização do Estado e afirmou que o adversário está perdido em várias áreas, citando a educação, e que não finca raízes em São Paulo porque pretendia disputar outro cargo. O candidato do PT também projetou que uma eventual derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial, somada a um revés do presidente dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato, mudaria as condições de negociação entre os dois países. A matéria não traz resposta da campanha do governador às acusações.
O pano de fundo nacional aparece em parte da cobertura: o ex-ministro tem a tarefa de montar palanque para o presidente Lula no maior colégio eleitoral do país, enquanto o governador declara apoio a Flávio Bolsonaro e seu partido, o Republicanos, mantém neutralidade formal na disputa presidencial.
O que ainda não se sabe é qual será o efeito da propaganda eleitoral e dos debates sobre esse quadro, já que a coleta ocorreu na primeira semana de campanha. Também não há, nas matérias, recorte por região, renda ou escolaridade que explique a distância entre os dois primeiros colocados, nem medição do grau de convicção do voto declarado. E há divergência factual entre as versões sobre o período de campo: enquanto a maior parte da cobertura informa 18 e 19 de agosto, um dos textos registra 18 a 21, sem que a diferença tenha sido esclarecida.