A candidata ao Senado por São Paulo Marina Silva, da Rede, tentou reduzir a repercussão de um mal-estar dentro da coligação que apoia Fernando Haddad ao governo estadual. O atrito surgiu depois que a federação PSol-Rede indicou o vereador de São Carlos Djalma Nery para uma das vagas de suplente na chapa de Marina, durante convenção realizada no último domingo. Em entrevista, a ex-ministra do Meio Ambiente afirmou que a decisão ainda não foi tomada e que todos os partidos da frente sugeriram nomes para as suplências.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o episódio, em reportagem de tom factual construída em torno de declarações diretas da candidata e de apuração de bastidores da coligação. Segundo esse relato, Marina classificou a indicação como legítima e defendeu o peso do PSol, lembrando que a legenda tem seis deputados federais e chegou ao segundo turno na disputa pela prefeitura da capital em duas ocasiões. Ela disse ainda ter conversado com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, que teria tratado a indicação de suplentes como sugestão, e não como condição para o apoio do partido a Haddad.
O ponto de tensão está na reivindicação do PDT. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, a legenda se diz insatisfeita e alega ter compromisso firmado diretamente com Lula para ficar com uma das suplências. O partido sugeriu o nome do sindicalista Antonio Neto para a chapa de Marina e o do ex-prefeito de Araraquara Marcelo Barbieri para a de Simone Tebet, a outra candidata ao Senado pela aliança. A suplência de Tebet, no entanto, deve ficar com o advogado Laio Morais, ex-chefe de gabinete de Haddad no Ministério da Fazenda. O interesse pelo posto cresce porque há a possibilidade de Marina assumir um ministério em um eventual quarto mandato de Lula, o que abriria a vaga no Senado para o suplente.
A cobertura de fonte única não traz o enquadramento de veículos de esquerda nem de direita sobre o episódio, já que apenas um veículo o noticiou. Ainda assim, os fatos permitem leituras distintas. De um ângulo mais à esquerda, a negociação apareceria como sinal de pluralidade e diálogo entre siglas comprometidas com um mesmo projeto, com a valorização de um quadro do PSol. De um ângulo mais à direita, o mesmo movimento tenderia a ser lido como loteamento de cargos e barganha por espaço, sustentada em compromissos pessoais firmados com Lula à margem dos programas partidários.
O que ainda não se sabe é como a disputa será resolvida. A definição das suplências segue em aberto, e o PDT afirma que, caso não seja contemplado, lançará nome próprio ao Senado em São Paulo, o que poderia provocar um racha na coligação. Também não está esclarecido se Marina permanecerá no Senado até o fim do mandato ou se aceitará eventual convite para o governo federal, cenário que dá à escolha do suplente peso decisivo.