Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos EUA critica visto a Flávio Bolsonaro
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A crítica dos democratas expõe um contraste: enquanto o governo Trump fecha as portas a refugiados de guerra, abre caminho para um senador brasileiro investigado por lavagem de dinheiro que deixou o país depois de perder a eleição e de descumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal.
O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, ligado aos democratas, criticou a decisão do governo de Donald Trump de conceder visto ao senador Flávio Bolsonaro, que chegou a Miami com a família depois de perder a eleição presidencial e de descumprir a ordem do Supremo Tribunal Federal para entregar os passaportes.
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Toda a cobertura registra que o comitê democrata comparou o visto a Flávio Bolsonaro à recusa de asilo a refugiados, que o senador deixou o Brasil sem entregar os passaportes exigidos pelo Supremo Tribunal Federal e que ele e o advogado Willer Tomaz negam irregularidades.
O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos criticou o visto concedido pelo governo Trump ao senador Flávio Bolsonaro, que chegou a Miami com a família depois de perder a eleição presidencial e de descumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes para entregar os passaportes.
O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, ligado ao Partido Democrata, criticou a decisão do governo de Donald Trump de conceder visto ao senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro. Em publicação na rede social X, o comitê comparou a política migratória atual, que nega asilo a pessoas que fogem da guerra no Sudão e de conflitos no Haiti, ao tratamento dado ao senador e à família dele. Segundo o texto, o secretário de Estado Marco Rubio estaria estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro.
O deputado democrata Joaquin Castro reforçou a crítica no Instagram. Para ele, perder eleições não é motivo para asilo, e o governo Trump deve explicações ao Congresso americano pelo papel que teria tido em ajudar o senador a deixar o Brasil em violação à legislação brasileira.
Os fatos de fundo são os mesmos em toda a cobertura. Flávio Bolsonaro foi derrotado no segundo turno da eleição presidencial no domingo, 26 de outubro, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito por mais de 4,4 milhões de votos. O senador, a esposa e as duas filhas cruzaram a fronteira com a Argentina e chegaram a Miami na quarta-feira, 28, em avião particular que fez escala no Equador. Na véspera, um aliado próximo e uma fonte do governo americano confirmaram à agência Reuters que ele havia deixado o país.
Flávio descumpriu o prazo fixado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para entregar os passaportes à Polícia Federal. A ordem foi dada num inquérito em que o senador é investigado por lavagem de dinheiro ao lado do advogado Willer Tomaz, amigo dele. Os dois negam irregularidades. A decisão do ministro veio depois de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, dizer numa transmissão que Flávio deveria sair do país se perdesse a eleição e liderar a oposição do exterior. Antes da viagem, em vídeo, Flávio havia negado a intenção de deixar o Brasil e dito que ficaria para organizar a oposição ao governo Lula.
A cobertura de centro relatou o episódio de forma descritiva, com citações diretas dos críticos democratas e o contexto judicial no Brasil. Veículos de esquerda publicaram o mesmo relato, sem enquadramento próprio, e destacaram no subtítulo a comparação entre o visto ao senador e a recusa de asilo a refugiados de guerra. Até o momento, nenhum veículo de direita cobriu a reação dos democratas, e por isso a posição do governo americano e a defesa do senador sobre o visto não aparecem nas reportagens.
Ainda não se sabe que tipo de autorização o Departamento de Estado concedeu, nem se ela já foi formalizada, já que o comitê se refere a um plano de conceder vistos ao senador e à família. Também não há resposta pública do governo Trump às críticas, nem informação sobre as próximas medidas do Supremo diante do descumprimento da ordem de entrega dos passaportes.

“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti", diz publicação do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos EUA.