Ministério Público do Trabalho vê alta de 823% em denúncias de assédio eleitoral
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A escalada das denúncias de assédio eleitoral expõe o uso do poder econômico do empregador contra a liberdade de voto dos trabalhadores. Para o Ministério Público do Trabalho, a prática fere direitos trabalhistas e a própria democracia, e o salto de 823% ocorre antes mesmo do segundo turno, quando a polarização costuma agravar os casos.
O Ministério Público do Trabalho registra forte alta nas denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho às vésperas do primeiro turno de 2026. Os levantamentos divergem no recorte: um aponta 738 denúncias até 30 de setembro, outro 785 entre janeiro e setembro, alta de 823% sobre o mesmo período de 2022. O volume ainda está abaixo do total de 2022, que passou de 3,3 mil relatos.
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As denúncias de assédio eleitoral no trabalho cresceram 823% em 2026 sobre o mesmo período de 2022, segundo o Ministério Público do Trabalho. Foram 521 relatos só em setembro. A análise compara como as coberturas de centro e de esquerda trataram o tema e o que a lei proíbe no ambiente de trabalho.
O Ministério Público do Trabalho, o MPT, registra uma escalada nas denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro. Segundo dados do órgão, foram 785 denúncias entre janeiro e setembro, contra 85 no mesmo período de 2022, um crescimento de 823%. Só em setembro chegaram 521 relatos, ante 68 em setembro de 2022.
Os números variam conforme o recorte. Outro levantamento do MPT contabiliza 738 denúncias até 30 de setembro, mais de três vezes as 223 registradas até agosto. Em todos os recortes, o total ainda fica abaixo do volume de 2022, quando o órgão encerrou o ano com mais de 3,3 mil relatos, boa parte concentrada entre o primeiro e o segundo turnos.
As coberturas convergem sobre o que caracteriza a prática: ameaçar demitir quem não votar em determinado candidato, prometer benefícios em troca de voto, exigir participação em atos de campanha ou impor o uso de símbolos e camisetas. A pressão também chega pelo celular. Pesquisa do Tribunal Superior do Trabalho e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho mostrou que o WhatsApp aparece em 37% das ações analisadas, e as redes sociais, em 14,5%. Desde 2023, a Justiça do Trabalho cadastrou 823 processos sobre o tema, 189 deles neste ano, o que não significa que a prática tenha sido reconhecida em todos.
Para 2026, o Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, passou a proibir expressamente a propaganda e o assédio eleitoral em locais de trabalho públicos e privados, responsabilizando quem pratica ou permite a conduta. Em agosto, TSE, Justiça do Trabalho, Ministério Público Eleitoral e MPT firmaram acordo de cooperação para prevenir e combater esses casos. O Código Eleitoral, nos artigos 299 e 301, trata como crime oferecer vantagem em troca de voto e usar grave ameaça para obrigar alguém a votar.
A cobertura de centro relatou o tema em formato de serviço, explicando a legislação, ouvindo uma advogada trabalhista e detalhando como reunir provas e denunciar, inclusive de forma sigilosa. Veículos de esquerda destacaram a gravidade política do fenômeno, com a avaliação do procurador Igor Gonçalves de que o assédio eleitoral viola a liberdade de pensamento do trabalhador e a própria democracia. Esses veículos enfatizaram a relação desigual entre patrão e empregado, citaram uma transportadora investigada em São Paulo por campanha ostensiva dentro da empresa e uma decisão judicial no Pará contra a pressão sobre terceirizados. Até o momento, não houve cobertura de veículos de direita sobre o levantamento.
Ainda não se sabe quantas das denúncias deste ano vão resultar em punição, nem quais candidaturas aparecem associadas aos casos. Também falta explicar a diferença entre os dois balanços do MPT. O próprio procurador espera nova alta caso a disputa vá para o segundo turno.
A prática é ilegal e inclui constrangimento, humilhação, intimidação, ameaça ou coação em razão da escolha política do trabalhador.

Denúncias de assédio eleitoral cresceram 823% em relação a 22. MPT faz alerta para pressão sobre trabalhadores.
