O ator Lucas Penteado, de 29 anos, conhecido nacionalmente pela participação no Big Brother Brasil 21, registrou candidatura a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores em São Paulo para as eleições de 2026. Ele disputa a vaga na Câmara dos Deputados com o número de urna 1303 e declarou à Justiça Eleitoral a ocupação de ator e diretor de espetáculos públicos. Na mesma chapa petista paulista concorre Jean Wyllys, vencedor do Big Brother Brasil 5 e ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro, que tenta voltar ao Parlamento com o número 1350.
As duas trajetórias são conhecidas. Jean Wyllys foi eleito deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro em 2010 e reeleito em 2014 e 2018, mas abriu mão do terceiro mandato antes da posse, em 2019, após uma escalada de ameaças contra ele. Agora filiado ao PT, disputa por outro estado. Lucas Penteado deixou voluntariamente o reality show nas primeiras semanas da edição de 2021, depois de uma passagem marcada por conflitos, pressão dentro da casa e questionamentos sobre sua sexualidade.
Veículos de esquerda destacaram que a atuação política do ator é anterior à exposição televisiva. Em 2015, quando estudantes secundaristas ocuparam escolas contra a reorganização da rede estadual proposta pelo então governador Geraldo Alckmin, ele era presidente do grêmio da Escola Estadual Caetano de Campos e se tornou um dos rostos daquele movimento. Anos depois, narrou o documentário Espero Tua (Re)volta, de Eliza Capai, que acompanha a mesma geração de estudantes. Esses veículos também deram relevo à defesa pública do fim da escala de trabalho 6x1, feita pelo candidato em maio deste ano em entrevista ao diretório municipal do partido em São Paulo, ocasião em que associou a redução da jornada ao direito do trabalhador a tempo e qualidade de vida. A origem no bairro do Bixiga, o parentesco com um dos fundadores da escola de samba Vai-Vai e a atuação como poeta, MC e dramaturgo aparecem nessa cobertura como credenciais de vínculo com a cultura popular paulistana, ao lado dos trabalhos em televisão e cinema, entre eles a cinebiografia da dupla Claudinho e Buchecha.
A cobertura de centro tratou o mesmo ciclo eleitoral por outro ângulo, mais seco: a compilação das fichas oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, candidato a candidato, incluindo nomes sem projeção nacional em outros estados. Nesse formato aparecem número de urna, partido, federação, ocupação, grau de instrução, bens declarados e a situação do registro, que em parte dos casos ainda consta como aguardando julgamento pela Justiça Eleitoral. É um lembrete de que o protocolo do registro não é o fim do processo: a candidatura só se confirma com o deferimento.
Até o momento, nenhum veículo de direita cobriu o caso. A ausência é relevante porque o contraditório mais previsível ficou de fora do noticiário: a discussão sobre notoriedade televisiva como atalho eleitoral, sobre a experiência prévia de gestão pública dos postulantes e sobre o custo econômico do fim da escala 6x1, tema que o candidato colocou no centro da conversa. Nenhum dos textos disponíveis ouve adversários, analistas eleitorais ou entidades empresariais.
O que ainda não se sabe é considerável. Não há informação sobre o deferimento dos dois registros, sobre a composição final da chapa do PT em São Paulo, sobre a plataforma programática de Lucas Penteado além da pauta da jornada de trabalho, nem sobre a estrutura e o financiamento das campanhas. Também não há qualquer aferição de competitividade das duas candidaturas no maior colégio eleitoral do país, onde uma vaga na Câmara dos Deputados costuma exigir votação expressiva.