O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), autor de um dos requerimentos que pedem a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Banco Master, voltou a cobrar a instalação do colegiado. A pressão aumentou depois que a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, na manhã da quinta-feira, 18 de junho. Em evento no sábado, 20, Rollemberg afirmou que a investigação precisa ser feita, nas suas palavras, doa a quem doer.
O pedido de CPI foi protocolado por Rollemberg no início de fevereiro, após reunir mais de 200 assinaturas de deputados federais. Um dia depois, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), da oposição, apresentou um requerimento de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, que reuniria parlamentares das duas Casas. Nenhuma das comissões foi instalada pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Tanto a cobertura de veículos de direita quanto a de centro convergem nos fatos centrais. O caso trata de escândalos bilionários ligados ao Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro. A Polícia Federal suspeita que Jaques Wagner recebeu um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que somam R$ 3,5 milhões, por meio de uma empresa ligada a um familiar. Nas buscas, os policiais apreenderam 55 mil dólares e 33,5 mil euros, valores que, convertidos, chegam a cerca de R$ 485 mil. A investigação também apura se o senador usou a atuação parlamentar para defender pautas de interesse do banco no Congresso.
É na ênfase que as coberturas se separam. Veículos de direita destacaram a paralisia do Congresso diante do escândalo e reproduziram a fala de Rollemberg de que muitos parlamentares não querem a CPI porque, segundo ele, têm o rabo preso. O recorte sublinha que o caso atinge em cheio a base do governo Lula às vésperas das eleições e que os presidentes das duas Casas seguram a investigação. A cobertura de centro relatou os mesmos fatos com mais detalhamento da operação policial e acrescentou um ângulo institucional: uma ala do próprio governo defende que Wagner deixe a liderança no Senado para conter desgastes no ano eleitoral, e já tem um substituto cogitado, o senador e ex-ministro Camilo Santana (PT-CE). Ambas as coberturas registram que a resistência à CPI atravessa Centrão, direita e base governista.
O que ainda não se sabe é se e quando os presidentes da Câmara e do Senado vão pautar a instalação da comissão, qual será a resposta de Jaques Wagner às suspeitas relatadas pela Polícia Federal, e se haverá de fato a troca na liderança do governo no Senado. Até o momento da reportagem, a defesa do senador não havia se manifestado sobre os fatos investigados.