Dos 513 deputados federais eleitos em 2022, 410 pediram registro para tentar a reeleição em 2026, o equivalente a 79,92% da legislatura. Os dados vêm do sistema do Tribunal Superior Eleitoral e mostram uma Câmara dos Deputados que aposta na permanência: o Partido Liberal concentra o maior número de candidatos à renovação de mandato, com 73, seguido pelo Partido dos Trabalhadores, com 53, e pelo União Brasil, com 45. São Paulo lidera entre os estados, com 52 parlamentares tentando seguir em Brasília, à frente de Minas Gerais, com 47, e do Rio de Janeiro, com 38. No outro extremo, Tocantins registra apenas três nomes, seguido do Amapá, com quatro, e de Roraima e Rondônia, com cinco cada.
A cobertura de centro relatou também o destino dos deputados que não tentam a recondução. Ao todo, 473 parlamentares em exercício se inscreveram para alguma disputa em 2026. Desses, 44 buscam uma vaga no Senado, oito concorrem a assembleias legislativas e quatro aparecem como suplentes de outros candidatos. Seis tentam governos estaduais: Helder Salomão no Espírito Santo, Patrus Ananias em Minas Gerais, Zucco no Rio Grande do Sul, Vicentinho Júnior no Tocantins e Sandro Alex no Paraná disputam o cargo principal, enquanto Carlos Chiodini concorre a vice-governador em Santa Catarina. O único deputado federal em chapa presidencial é Alfredo Gaspar, candidato a vice de Flávio Bolsonaro. No recorte de gênero, os homens são 341 dos candidatos à reeleição, 83,17% do total, e as mulheres, 69, ou 16,83%.
Os três lados da cobertura convergem em um ponto: a disputa de 2026 é menor. O número de candidatos a deputado federal caiu de 10.622, em 2022, para 7.628, recuo de 28%, e o total de candidaturas registradas em todo o país passou de cerca de 29 mil para 20 mil. O número de legendas com candidatos à Câmara também encolheu, de 32 para 28, efeito de fusões e incorporações: o PTB e o Patriota formaram o PRD, o PROS foi incorporado ao Solidariedade e o PSC passou a integrar o Podemos.
A divergência aparece na leitura desse encolhimento. Veículos de esquerda enfatizaram que a cláusula de desempenho, que condiciona o acesso ao fundo partidário e ao tempo de rádio e televisão ao resultado das legendas, mudou o cálculo dos partidos e fechou a porta ao estreante. A cientista política Mayra Goulart, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, resume que a candidatura de baixa competitividade deixou de ser inofensiva e passou a ser danosa para a sigla, e que a desvantagem de quem chega agora está construída antes de a campanha começar, porque o parlamentar em exercício acumula visibilidade e direciona emendas para municípios ao longo de quatro anos. Essa cobertura destacou ainda o avanço proporcional das mulheres, que passaram de cerca de 35% para 36,6% dos candidatos à Câmara mesmo com queda absoluta, e o movimento oposto do Novo, que mais que dobrou a chapa, de 221 para 505 nomes, para tentar alcançar os 2,5% de votos válidos nacionais exigidos pela regra.
Entre os veículos de direita, o levantamento não ganhou espaço no período coberto por esta story, e não há leitura própria desse campo sobre os números. A cobertura regional, também de centro, deslocou o foco para quem tenta voltar: mais de trinta ex-deputados estaduais e federais estão com candidaturas nas ruas no Paraná, dez ao cargo de deputado estadual e vinte à Câmara Federal. Entre eles estão o ex-governador Roberto Requião, que disputa pela primeira vez uma vaga na Câmara Federal, e o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, que perdeu a disputa pelo Senado em 2022. A mesma coluna registrou que a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, e o Partido Liberal estão entre os maiores contingentes de candidatos do país.
O que ainda não se sabe é quantas dessas candidaturas vão de fato ao pleito. Nenhuma das coberturas informa quantos registros já foram deferidos: a Justiça Eleitoral precisa analisar cada pedido, conferir documentação e verificar requisitos legais antes de deferir ou indeferir, e o próprio sistema pode ainda estar processando solicitações apresentadas perto do fim do prazo. Também não há avaliação sobre quantas legendas alcançarão a cláusula de desempenho, nem quantas cadeiras a concentração de candidaturas deve efetivamente mudar na composição da próxima Câmara.