Flávio Dino e Gilmar Mendes cobram apuração de precatórios ligados ao Banco Master
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
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Briefing
O que importa para você
- A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 estima mais de R$ 100 bilhões de impacto potencial das ações do setor sucroalcooleiro sobre a União.
- Só o processo da Raízen Energia carrega risco fiscal de R$ 103,4 bilhões.
- Dino quer ressarcimento ao erário do que já foi pago de forma irregular.
Onde os lados concordam
As duas coberturas convergem em que as mensagens do celular de Daniel Vorcaro revelaram indícios de irregularidade na expedição de precatórios do setor sucroalcooleiro e em que Kassio Nunes Marques e o escritório de Camilla Ramos negam qualquer favorecimento.
O que ainda está incerto
- Quantos precatórios foram pagos irregularmente e qual o valor total.
- Se Edson Fachin vai atender ao pedido de Dino.
- Qual a versão do desembargador Newton Ramos.
Os ministros do STF Flávio Dino e Gilmar Mendes cobram investigação sobre precatórios do setor sucroalcooleiro depois que mensagens de Daniel Vorcaro expuseram um contrato de até R$ 427 milhões entre o Banco Master e o escritório da mulher de um desembargador do TRF-1.
Dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a cobrar, em dias seguidos, uma investigação ampla sobre precatórios, os créditos judiciais que a União é condenada a pagar. Nesta terça-feira (29), o ministro Flávio Dino enviou um ofício ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo a identificação de todos os precatórios pagos irregularmente nos últimos anos. Dias antes, o ministro Gilmar Mendes havia defendido nas redes sociais uma correição em todos os Tribunais Regionais Federais, com atenção especial ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sediado em Brasília.
O pano de fundo é a investigação sobre o Banco Master. Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, dono do banco, revelaram um contrato de até R$ 427 milhões com o escritório da advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do TRF-1. O contrato cobria 12 ações do setor sucroalcooleiro, com honorários condicionados ao sucesso, que poderiam liberar R$ 8,5 bilhões em precatórios. Nas conversas, o casal aparece ligado à chamada Turma do KN, expressão associada ao ministro Kassio Nunes Marques. Ele negou ter votado a favor de Vorcaro ou do banco e disse nunca ter autorizado ninguém a falar em seu nome. O escritório afirma ter contrato formal, mas diz não ter recebido nenhum pagamento de êxito.
No ofício, Dino afirmou que não basta cancelar alguns precatórios. Para ele, é dever legal apurar indícios de uma organização criminosa que atuaria há anos, verificando valores pagos, fundos creditórios, compradores e cadeias de cessão de créditos, para garantir o ressarcimento ao erário. Gilmar, por sua vez, defendeu o fim da expedição de precatórios antes do trânsito em julgado, mais fiscalização do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários e investigações criminais contra magistrados e advogados envolvidos. Na quinta-feira (24), ele também levou ao plenário do STF um processo entre a União e a Raízen Energia, com risco fiscal estimado em R$ 103,4 bilhões.
A cobertura de centro concentrou-se nas propostas de Gilmar Mendes, detalhando o que ele chamou de modelo de negócios parasitário: créditos comprados com grande desconto, contabilizados por valores muito superiores e usados como lastro para captar recursos no mercado. Essa cobertura também registrou a estimativa da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, de mais de R$ 100 bilhões em impacto potencial. Entre os veículos classificados à esquerda, o texto publicado manteve tom descritivo e deu destaque ao ofício de Dino, à ideia de ressarcimento ao erário e às versões de defesa do escritório e de Nunes Marques. Veículos de direita não publicaram cobertura própria sobre o caso até o momento, o que deixa sem registro o ângulo de responsabilização institucional e de segurança jurídica que costuma marcar esse campo.
Ainda não se sabe quantos precatórios foram pagos de forma irregular, nem qual o valor total envolvido. Também não há resposta pública do desembargador Newton Ramos, e não está claro se Fachin vai acolher o pedido de Dino ou como a Segunda Turma decidirá sobre o envio do processo da Raízen ao plenário.
Fontes

Em publicação nas redes, ministro disse que escândalo do Banco Master revelou um modelo de negócios "parasitário" e defendeu resposta coordenada das instituições com investigações criminais de magistrados e advogados envolvidos em irregularidades
Ministro cita que as investigações sobre o Banco Master mostraram indícios de ilegalidades na expedição de precatórios em favor do setor sucroalcooleiro.