O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta semana que o Sistema Único de Saúde é um exemplo para o mundo por garantir atendimento universal a uma população de mais de 200 milhões de pessoas. A declaração foi feita em visita ao Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo Tedros, poucos países possuem um sistema público com cobertura tão ampla, capaz de atender também quem não tem condições de pagar pelos serviços.
Há pontos em que as coberturas convergem. Durante a visita, foi entregue o dossiê que inicia o processo de certificação internacional para eliminar a transmissão vertical da hepatite B, de mãe para filho, apresentado no Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais. O ministro da Saúde anunciou a ampliação do tratamento oncológico no sistema público, com novos centros de radioterapia, cirurgia robótica e expansão da atenção básica. A passagem do dirigente da OMS pelo país também incluiu a Conferência Internacional sobre HIV e Aids.
Veículos de esquerda destacaram a dimensão de direito social: o reconhecimento internacional legitima o investimento do Estado na saúde universal, e o próprio presidente creditou o funcionamento do sistema a faxineiros, enfermeiros, técnicos e médicos. A cobertura de centro relatou os fatos de forma factual, reproduzindo as falas das autoridades e os anúncios com paridade, além de registrar, em análise assinada, que o país convive com filas, desigualdade regional e fragmentação de informações, apesar das ilhas de excelência. Já uma leitura de direita, ausente nesta cobertura, tenderia a cobrar sustentabilidade fiscal e eficiência, lembrando que um sistema universal só se sustenta se enfrentar o desperdício e a demora no acesso, e apontando a tecnologia e a gestão como caminhos de produtividade.
O debate sobre inovação ganha corpo com o simpósio internacional sobre hospitais inteligentes e inteligência artificial na saúde, marcado para São Paulo no início de agosto, que apresentará o projeto do primeiro hospital público inteligente do Brasil, previsto para começar a ser construído em 2027 e voltado ao SUS.
O que ainda não se sabe: não há detalhamento público sobre a origem dos recursos e o cronograma da expansão oncológica, sobre os prazos da certificação internacional contra a hepatite B, nem sobre como o sistema pretende reduzir as filas e a desigualdade regional reconhecidas até por especialistas.