A visita do "homem da mala" de Vorcaro ao Palácio do Planalto
1 veículo de esquerda · 1 veículo de centro · 1 veículo de direita

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
3 fontes políticas
Usamos identificadores pseudônimos para operar e melhorar o serviço. Aceitar habilita medições opcionais.Medimos audiência e uso com identificadores pseudônimos, em infraestrutura própria, para operar e melhorar o serviço (legítimo interesse). Aceitar habilita também analytics opcionais de terceiros, mapa de calor e medição de anúncios. Consulte nossa Política de Cookies.
1 veículo de esquerda · 1 veículo de centro · 1 veículo de direita

3 fontes políticas
Um comprovante de portaria com data e hora não diz com quem alguém se reuniu, e é isso que o caso oferece até agora: Antônio Carlos Freixo Júnior entrou uma vez no Palácio do Planalto, em 23 de janeiro de 2024, sem constar em agenda oficial nenhuma. Enquanto o registro alimenta a suspeita sobre o Executivo federal, o rastro de dinheiro descrito na delação é bem mais documentado e aponta para outro endereço: os US$ 14 milhões saídos do Banco Master para a cinebiografia de Jair Bolsonaro, via uma empresa do próprio delator e um fundo no Texas administrado por advogado próximo de Eduardo Bolsonaro. O episódio expõe menos um governo e mais a facilidade com que um banco privado transformou R$ 1,3 bilhão em malas de dinheiro sem que a fiscalização enxergasse.
Registros de portaria obtidos por Lei de Acesso à Informação mostram que o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, entrou no Palácio do Planalto às 14h42 de 23 de janeiro de 2024.
O homem que se apresentou à Procuradoria-Geral da República como o entregador de malas de dinheiro do Banco Master conseguiu entrar na sede da Presidência da República e sair sem deixar rastro em agenda alguma.
Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Veículos com viés à direita
As duas frentes de cobertura registram os mesmos fatos centrais: a entrada única de Antônio Carlos Freixo Júnior no Palácio do Planalto em 23 de janeiro de 2024, às 14h42, a ausência do nome dele em qualquer agenda oficial e o teor da delação à Procuradoria-Geral da República, com cerca de R$ 1,3 bilhão movimentados em espécie entre 2020 e 2025.
Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, disse à Procuradoria-Geral da República que entregava malas de dinheiro para Daniel Vorcaro, do Banco Master. Registros obtidos por Lei de Acesso à Informação mostram que ele esteve no Palácio do Planalto em 23 de janeiro de 2024, sem constar em nenhuma agenda oficial.
O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, entrou no Palácio do Planalto às 14h42 do dia 23 de janeiro de 2024. A informação está nos registros de portaria obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação e ganhou relevância porque, em delação premiada fechada com a Procuradoria-Geral da República, Freixo se descreveu como o homem da mala do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Nos dados consultados, que cobrem de janeiro de 2022 a março de 2025, essa foi a única vez em que ele esteve na sede da Presidência da República. O nome do empresário não aparece na agenda oficial de nenhuma das autoridades que trabalhavam no prédio naquele dia.
Na delação, Freixo afirmou que sua função era converter valores em dinheiro vivo e fazer entregas em malas, com quantias que variavam entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão. Ele disse ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão nesse tipo de operação entre 2020 e 2025 e declarou entender que o dinheiro pagava comissões e vantagens indevidas. Afirmou ainda ter vídeos que mostrariam a entrega das malas a pessoas indicadas por Daniel Vorcaro.
O nome de Freixo já havia aparecido no noticiário em maio deste ano, quando vieram à tona os pagamentos de Vorcaro ao filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. Freixo é dono da Entre Investimentos, empresa usada na operação: o dinheiro saiu do Banco Master para a Entre Investimentos e, de lá, para o Havengate Development Fund, um fundo aberto no estado do Texas, nos Estados Unidos, administrado pelo advogado Paulo Calixto, apontado como próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O aporte no filme foi de pelo menos US$ 14 milhões, o equivalente a cerca de R$ 72 milhões pela cotação da época.
A cobertura de centro foi quem levantou o registro de entrada, publicou o comprovante da portaria e procurou tanto a Secretaria de Comunicação da Presidência da República quanto o próprio empresário, sem obter resposta de nenhum dos dois. Nessa versão, a visita de 2024 e o esquema descrito na delação aparecem lado a lado, sem que se afirme um vínculo entre eles.
Veículos de direita reproduziram os mesmos números e datas, mas mudaram o peso das frases: afirmam de forma direta a entrada no Palácio do Planalto e o valor movimentado, e passam ao modo condicional justamente no trecho que liga o dinheiro do Banco Master à cinebiografia de Jair Bolsonaro e ao fundo no Texas. Em compensação, foi nessa cobertura que apareceu a ressalva mais explícita de todas: o registro de entrada, sozinho, não indica com quem o empresário se reuniu nem qual foi o motivo da visita. Até o momento, veículos de esquerda não cobriram especificamente o registro de entrada; a cobertura desse campo tem se concentrado em outro capítulo do caso, o do alcance de Daniel Vorcaro sobre agentes políticos fora do governo.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há informação pública sobre quem autorizou o acesso de Freixo ao Palácio do Planalto, com quem ele falou, quanto tempo permaneceu no prédio e a que título foi recebido. Também não se conhece a data em que a delação foi fechada ou homologada, nem se os vídeos mencionados pelo delator foram efetivamente entregues à Procuradoria-Geral da República. Daniel Vorcaro não se manifestou sobre as afirmações do delator, e a Presidência da República não respondeu ao pedido de esclarecimento sobre a visita.
Mateus de Albuquerque fala em disputa comunicacional sobre como será a repercussão dos fatos…

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, esteve no Palácio do Planalto em janeiro de 2024, segundo registros

Antônio Carlos Freixo Júnior esteve no Planalto em janeiro de 2024. Em delação, disse atuar como entregador de malas de dinheiro
