Gilmar Mendes leva ao Supremo veto a policiais e militares em gabinetes
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O ministro Gilmar Mendes protocolou no Supremo Tribunal Federal, no sábado, uma proposta de alteração do regimento interno que proíbe a nomeação de policiais e militares para cargos comissionados nos gabinetes dos ministros. A vedação alcança Forças Armadas, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, polícias civis, militares e penais e corpos de bombeiros, com exceção apenas para atividade de segurança, na qual fica proibida a participação na instrução de inquéritos e no assessoramento jurídico. O texto será analisado pela Comissão de Regimento, formada por Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Nunes Marques, com Flávio Dino como suplente, e depois discutido em sessão administrativa. A iniciativa surge no meio da crise aberta pelos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master e pelo atrito entre o ministro André Mendonça e a direção-geral da Polícia Federal.
A proposta de Gilmar Mendes é lida como resposta institucional a um desvio de fronteira entre o Judiciário e a polícia: gabinetes de ministros teriam se transformado, na expressão do decano, em delegacias de polícia, com o tribunal ditando o ritmo e o rumo de investigações que cabe à Polícia Federal conduzir.
Pelo prisma da direita, a proposta chega com endereço certo e no pior momento possível: ela atinge diretamente o gabinete de André Mendonça, relator do caso do Banco Master e das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social, logo depois que ele retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes.
8 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Todas as coberturas descrevem o mesmo conteúdo: a proposta de Gilmar Mendes altera o regimento interno para vetar policiais e militares em cargos comissionados nos gabinetes, com exceção restrita à atividade de segurança, e depende de parecer da Comissão de Regimento antes de ir a sessão administrativa. Há convergência também sobre o contexto, a crise interna aberta pelas investigações do Banco Master e pelo atrito entre André Mendonça e a cúpula da Polícia Federal.
A proposta de Gilmar Mendes muda o regimento interno do Supremo Tribunal Federal para impedir que policiais e militares ocupem cargos comissionados nos gabinetes dos ministros. O texto passa pela Comissão de Regimento antes do plenário administrativo e chega no auge do atrito entre André Mendonça e a cúpula da Polícia Federal.
O ministro Gilmar Mendes protocolou no sábado um pedido de alteração do regimento interno do Supremo Tribunal Federal para proibir que policiais e militares ocupem cargos e funções comissionadas nos gabinetes dos ministros. A vedação alcança integrantes das Forças Armadas e das carreiras policiais previstas na Constituição, incluindo Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, polícias civis, militares e penais e corpos de bombeiros, e vale mesmo para licenciados, cedidos, aposentados e militares da reserva. A única exceção é a nomeação para atividade de segurança, caso em que o texto veda expressamente a participação na instrução de inquéritos ou processos e no assessoramento jurídico. A proposta pede ainda que a presidência da Corte determine o retorno imediato de quem hoje atua em desacordo com a regra.
A ideia já havia sido levada ao presidente do tribunal, Edson Fachin, na quinta-feira anterior. Ela agora será analisada pela Comissão de Regimento, órgão permanente presidido por Luiz Fux e integrado por Alexandre de Moraes e Nunes Marques, com Flávio Dino como suplente, e só depois vai a sessão administrativa, em data ainda não marcada.
A cobertura de centro convergiu no essencial. As versões descrevem o mesmo texto normativo, o mesmo rito e o mesmo pano de fundo: a crise aberta pelas investigações sobre o Banco Master e pelo atrito entre o ministro André Mendonça, relator do caso, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Essa cobertura registrou também a manifestação do próprio tribunal, segundo a qual a atuação de delegados nos gabinetes é de assessoramento técnico e não se confunde com a condução de investigações ou a prática de atos de polícia judiciária. Um dos relatos foi além e consultou o portal da transparência da Corte, onde encontrou delegados cedidos a mais de um gabinete e uma inconsistência de cadastro que o tribunal disse ter corrigido.
Veículos de esquerda deram à proposta o enquadramento de correção institucional. Nessa leitura, os gabinetes estariam se transformando, na expressão atribuída ao decano, em delegacias de polícia, com o tribunal passando a ditar o ritmo e as decisões de apurações que cabem à polícia judiciária. Essa cobertura destacou o apoio público do diretor-geral da Polícia Federal, que afirmou em entrevista que lugar de policial é na polícia, com raras exceções na área de segurança e no combate ao crime organizado. Lembrou ainda que o Ministério da Justiça e Segurança Pública já havia determinado, em junho, o retorno de delegados cedidos a magistrados e tribunais do país, com ressalva apenas para o Supremo, e descreveu como quebra de rito o canal direto de ordens que André Mendonça teria estabelecido com os delegados dos casos do Banco Master e das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social.
Veículos de direita reproduziram sobretudo a reação da corporação atingida, sem acrescentar enquadramento próprio ao texto. O que essa cobertura colocou em primeiro plano foi a nota da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, cujo presidente, Edvandir Paiva, chamou a postura de Gilmar Mendes de lamentável e afirmou que os policiais não podem ser responsabilizados pelos problemas do tribunal. A entidade sustentou que magistrados não são obrigados a dominar todos os ramos que chegam à sua apreciação e que o auxílio de advogados da União, juízes auxiliares e delegados é salutar em qualquer gabinete.
A divergência entre os lados, portanto, não está nos fatos, e sim em quem aparece como parte lesada. De um lado, a autonomia da polícia diante do Judiciário. De outro, a competência técnica dos assessores e o momento escolhido para a mudança, logo após André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, que em seguida pediu a Edson Fachin a abertura de investigação contra o colega.
Ainda não se sabe quando a Comissão de Regimento vai se manifestar nem quando a sessão administrativa será marcada. Não há definição sobre o retorno imediato dos cedidos, e os registros públicos consultados pelas reportagens divergem sobre quantos delegados estão hoje no tribunal e em quais gabinetes. Segue em aberto também o encaminhamento que a presidência dará às acusações recíprocas entre os dois ministros, já que investigar integrante da Corte depende de autorização do plenário.
Gilmar Mendes propõe proibir delegados da PF em gabinetes do STF para evitar interferências em investigações e reduzir tensões internas na Corte e no governo.

Proposta trata de uma alteração no Regimento Interno do STF e chega em meio a uma crise sem precedentes na história da Corte

Proposta prevê uma mudança no regimento interno do Supremo Tribunal Federal para acrescentar a proibição

Medida proposta por Gilmar Mendes atinge diretamente os gabinetes de André Mendonça e Alexandre de Moraes, que contam com delegados cedidos pela Polícia Federal

Texto será analiado pela Comissão de Regimento da Corte e, depois, discutido pelos ministros em uma sessão administrativa

Proposta trata de uma alteração no Regimento Interno do STF e chega em meio a uma crise sem precedentes na história da Corte

Entidade classificou como "lamentável" proposta de retirar delegados de gabinetes e afirmou que medida busca “tirar o foco” de problemas da Corte

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) criticou nesta quinta-feira a proposta do ministro Gilmar Mendes, do Supremo
