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A distribuidora Europa Filmes protocolou em 22 de junho o pedido de Registro de Obra Estrangeira (ROE) na Ancine para o filme 'Dark Horse', que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro e a eleição de 2018. O registro é o primeiro passo para o lançamento comercial, mas ainda depende de análise da agência, da classificação indicativa do Ministério da Justiça e de esclarecimentos sobre filmagens feitas no Brasil sem comunicação prévia. A Europa assumiu a distribuição após recusa da Paris Filmes, e grandes redes exibidoras demonstram resistência por receio de baixa bilheteria e de acirramento da polarização a menos de quatro meses das eleições.
A distribuidora Europa Filmes protocolou, em 22 de junho, o pedido de Registro de Obra Estrangeira junto à Agência Nacional de Cinema, a Ancine, para o filme 'Dark Horse', que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro e a eleição presidencial de 2018. O registro é o primeiro passo obrigatório para a comercialização do longa nos cinemas brasileiros, mas ainda depende de análise da agência, da classificação indicativa do Ministério da Justiça e do esclarecimento de pendências regulatórias. A Europa assumiu a distribuição depois que a Paris Filmes, uma das maiores do país, recusou o projeto.
A cobertura de centro relatou que o processo tende a se estender. A Ancine aguarda esclarecimentos sobre filmagens realizadas em território brasileiro que, segundo a agência, não teriam sido comunicadas previamente, como exigem as normas para produções internacionais. Grandes redes exibidoras demonstram resistência em incluir o filme na programação, por receio de baixa bilheteria e pelo temor de que a obra acirre a polarização entre apoiadores de Bolsonaro e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a menos de quatro meses do pleito. O trailer apresenta o filme como um thriller político ambientado na campanha de 2018 e recria o atentado a faca sofrido pelo então candidato em Juiz de Fora.
O ponto em que as coberturas divergem é o financiamento. Veículos de esquerda destacaram que o custeio do longa se tornou um dos principais focos de desgaste da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro, que admitiu ter captado cerca de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, preso no escândalo do Banco Master. Segundo essa apuração, os recursos passaram por um fundo intermediário ligado ao advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, sem que os envolvidos explicassem a necessidade do intermediário. A produtora Go Up Entertainment e o Instituto Conhecer Brasil, ligados ao deputado Mario Frias, autor do roteiro, passaram a ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal por repasses de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao audiovisual. Para essa leitura, o filme poderia configurar propaganda eleitoral disfarçada, abuso de poder econômico e até lavagem de dinheiro.
Já veículos de direita enfatizaram o ângulo da liberdade de exibição. Nessa cobertura, a tentativa de parlamentares petistas de barrar a estreia é enquadrada como possível censura, com a lembrança de que tentar impedir a obra seria dar a ela um trunfo. Os dois lados convergem, porém, em fatos centrais: o grupo Prerrogativas e o deputado Rogério Correia, do PT, ingressaram com ação no Tribunal Superior Eleitoral pedindo investigação sobre o financiamento e a suspensão da estreia até o fim das eleições, e o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, arquivou o processo por questões processuais, entendendo que os autores não tinham legitimidade para propor a ação.
O que ainda não se sabe é se a Ancine concluirá o registro diante das pendências sobre as filmagens no Brasil, se as redes exibidoras aceitarão incluir o filme em cartaz e qual será o desfecho das investigações do STF sobre o uso das emendas e a destinação dos recursos captados de Vorcaro. A estreia comercial, portanto, permanece indefinida.
Os dois lados reconhecem que a Europa Filmes protocolou o pedido de registro na Ancine em 22 de junho, que a Paris Filmes recusou a distribuição, e que o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, arquivou a ação que pedia a suspensão da estreia.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
A Revista Fórum, de linha editorial à esquerda, enfatiza o financiamento controverso, os R$ 61 milhões de Vorcaro, a investigação do STF sobre emendas, a ação do Prerrogativas e Rogério Correia (PT) no TSE e a suspeita de propaganda eleitoral disfarçada. O enquadramento privilegia o ângulo de accountability sobre a família Bolsonaro e liga o filme ao PCC via chamada relacionada. Apuração rica em fatos, mas com seleção de ângulos desfavoráveis ao lado bolsonarista.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Nenhum veículo de centro cobriu esta história.
Veículos com viés à direita
O veículo O Antagonista, de linha editorial à direita, adota tom que enquadra a eventual barreira ao filme como possível censura (link interno 'Censura seria um prêmio para Dark Horse') e destaca a negativa do TSE ao pedido petista. Ainda assim relata os fatos-chave: pedido na Ancine, transferências de Vorcaro, suspeitas sobre uso do dinheiro. O framing valorativo pende à direita, mas a matéria reconhece as suspeitas de desvio.
Perspectivas omitidas

Após negativa da Paris Filmes, Europa Filmes dá entrada em pedido para distribuir filme baseado na eleição presidencial de Jair Bolsonaro

O Prerrogativas e o deputado Rogério Correia entraram com ação pedindo investigação sobre o financiamento do longa e a suspensão de sua estreia até o término das eleições
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