Dois em cada três eleitores de Flávio Bolsonaro podem mudar voto para derrotar Lula, diz pesquisa
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Os dois levantamentos reforçam a leitura de que o presidente Lula chega à disputa de 2026 com base eleitoral consolidada, enquanto o campo conservador ainda procura um nome capaz de unificá-lo. A fidelidade declarada de 73% dos eleitores do presidente contrasta com a volatilidade de dois terços do eleitorado do senador, e no Piauí a vantagem passa de 48 pontos no primeiro turno, com folga em todos os cenários de segundo turno testados.
Os dados mostram um eleitorado de direita pragmático e disposto a se coordenar: dois terços dos eleitores de Flávio Bolsonaro trocariam de candidato para maximizar a chance de derrotar Lula. Esse voto útil disponível indica que a disputa nacional pode se estreitar caso o campo conservador convirja para um nome mais competitivo, com Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema aparecendo como as alternativas mais citadas.
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Os dois lados aceitam os mesmos números: o presidente lidera onde foi medido, seu eleitorado é o mais fiel e há um contingente expressivo de eleitores de direita disposto a migrar de candidato. Caiado, Renan Santos e Zema são reconhecidos por ambos como as alternativas mais citadas no campo conservador.
Duas pesquisas divulgadas na terça-feira, 21 de julho de 2026, recolocaram a disputa presidencial no centro do debate político e mostraram, por ângulos diferentes, a mesma tensão: a força do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os eleitores que já o apoiam e a fragilidade da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro diante de um eleitorado que quer, acima de tudo, derrotar o petista.
O levantamento do instituto Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores em todo o país entre os dias 18 e 20 de julho, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-05864/2026. Ele mediu a chamada dureza do voto, isto é, a disposição do eleitor de trocar de candidato no primeiro turno para vencer o adversário que mais rejeita. Entre quem declara voto em Flávio Bolsonaro, 67% aceitariam mudar de nome e apenas 33% manteriam a escolha até o fim. Entre os apoiadores de Lula, 73% descartam a troca. No conjunto do eleitorado, 51% afirmam que não mudariam de candidato em nenhuma hipótese e 49% admitem a possibilidade.
O mesmo estudo indicou para onde iria esse voto móvel. Se o senador deixasse a disputa ou passasse a ser visto como competidor mais fraco, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado seria a segunda opção de 25% de seus eleitores, seguido pelo ativista Renan Santos, com 22%, e pelo ex-governador Romeu Zema, com 20%. Entre os eleitores do presidente, 59% dizem não ter segunda opção de voto.
A segunda pesquisa, do AtlasIntel, ouviu 1.188 eleitores do Piauí entre 15 e 20 de julho, com margem de erro de três pontos e registro BR-04468/2026. No estado, Lula aparece com 66,7% das intenções de voto no primeiro turno, contra 18,1% de Flávio Bolsonaro. Nos quatro cenários simulados de segundo turno, o presidente supera os 70%, seja diante do senador, de Renan Santos, de Caiado ou de Zema.
Veículos de direita enfatizaram o recorte do voto útil e trataram os números como evidência de que o campo conservador ainda não definiu seu nome mais competitivo, destacando Caiado como principal beneficiário de uma eventual reconfiguração. Veículos de esquerda deram relevo à vantagem folgada do presidente no Piauí e à consistência de sua liderança nos cenários de segundo turno, apresentando o desempenho como sinal de solidez eleitoral. Veículos de centro não haviam publicado leitura própria dos dois levantamentos até o fechamento desta reportagem, o que concentra a interpretação dos dados nos dois polos.
Apesar da diferença de enquadramento, as coberturas convergem nos pontos factuais. Ambas registram o presidente à frente, ambas reconhecem a existência de um eleitorado de direita disponível para migrar e ambas citam os mesmos três nomes como alternativas: Caiado, Renan Santos e Zema. Também não há divergência sobre a metodologia declarada de cada instituto nem sobre os registros junto à Justiça Eleitoral.
O que ainda não se sabe é decisivo. Nenhum dos dois levantamentos responde se Flávio Bolsonaro seguirá pré-candidato até o registro das chapas, nem se haverá acordo no campo conservador em torno de um único nome. A pesquisa do Piauí é estadual e não pode ser lida como retrato nacional, enquanto a pesquisa nacional mede disposição de troca e não intenção de voto consolidada. As duas coberturas também não trazem recortes por região, renda ou escolaridade que ajudem a explicar a volatilidade medida, nem estimativas sobre o efeito de eventuais desistências no tamanho da abstenção.
O presidente lidera com folga os cenários de primeiro e segundo turnos no estado

Ronaldo Caiado é o nome mais popular como 'voto útil' para o eleitorado à direita, indica levantamento Real Time Big Data
