
Dois em cada três eleitores de Flávio Bolsonaro podem mudar voto para derrotar Lula, diz pesquisa
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Dois institutos divulgaram no dia 21 de julho de 2026 levantamentos sobre a disputa presidencial. Uma pesquisa nacional mediu a disposição do eleitor de trocar de candidato para derrotar o adversário mais rejeitado e apontou que 67% dos eleitores de Flávio Bolsonaro aceitariam mudar de voto, contra 27% entre os apoiadores de Lula. Outra pesquisa, estadual, mostrou o presidente com 66,7% das intenções no Piauí, à frente do senador, com 18,1%, e vencendo todos os cenários simulados de segundo turno.
Esquerda
Os dois levantamentos reforçam a leitura de que o presidente Lula chega à disputa de 2026 com base eleitoral consolidada, enquanto o campo conservador ainda procura um nome capaz de unificá-lo. A fidelidade declarada de 73% dos eleitores do presidente contrasta com a volatilidade de dois terços do eleitorado do senador, e no Piauí a vantagem passa de 48 pontos no primeiro turno, com folga em todos os cenários de segundo turno testados.
Centro
Sem cobertura neste espectro.
Direita
Os dados mostram um eleitorado de direita pragmático e disposto a se coordenar: dois terços dos eleitores de Flávio Bolsonaro trocariam de candidato para maximizar a chance de derrotar Lula. Esse voto útil disponível indica que a disputa nacional pode se estreitar caso o campo conservador convirja para um nome mais competitivo, com Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema aparecendo como as alternativas mais citadas.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O corpo da matéria é factual na apresentação dos percentuais, mas o enquadramento valoriza a 'liderança confortável' do presidente e afirma que ele 'derrotaria o senador com facilidade', escolha lexical que projeta força eleitoral a partir de uma amostra estadual. O bloco editorial incorporado ao texto, com menções à ameaça bolsonarista e às forças conservadoras no Congresso, explicita o alinhamento progressista da cobertura.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés ao centro
Nenhum veículo de centro cobriu esta história.
Veículos com viés à direita
O texto é metodologicamente rigoroso ao citar amostra, período e código de registro, mas o enquadramento é o do campo conservador: organiza os números em torno da pergunta 'quem derrota Lula', chama o recorte de voto útil 'à direita' e dedica o desenvolvimento a mapear alternativas de direita (Caiado, Renan Santos, Zema). O uso da expressão 'filho Zero Um' e a ênfase na consolidação de uma candidatura competitiva contra o presidente reforçam a leitura de accountability eleitoral típica da cobertura de direita.
Perspectivas omitidas
Duas pesquisas divulgadas na terça-feira, 21 de julho de 2026, recolocaram a disputa presidencial no centro do debate político e mostraram, por ângulos diferentes, a mesma tensão: a força do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os eleitores que já o apoiam e a fragilidade da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro diante de um eleitorado que quer, acima de tudo, derrotar o petista.
O levantamento do instituto Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores em todo o país entre os dias 18 e 20 de julho, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-05864/2026. Ele mediu a chamada dureza do voto, isto é, a disposição do eleitor de trocar de candidato no primeiro turno para vencer o adversário que mais rejeita. Entre quem declara voto em Flávio Bolsonaro, 67% aceitariam mudar de nome e apenas 33% manteriam a escolha até o fim. Entre os apoiadores de Lula, 73% descartam a troca. No conjunto do eleitorado, 51% afirmam que não mudariam de candidato em nenhuma hipótese e 49% admitem a possibilidade.
O mesmo estudo indicou para onde iria esse voto móvel. Se o senador deixasse a disputa ou passasse a ser visto como competidor mais fraco, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado seria a segunda opção de 25% de seus eleitores, seguido pelo ativista Renan Santos, com 22%, e pelo ex-governador Romeu Zema, com 20%. Entre os eleitores do presidente, 59% dizem não ter segunda opção de voto.
A segunda pesquisa, do AtlasIntel, ouviu 1.188 eleitores do Piauí entre 15 e 20 de julho, com margem de erro de três pontos e registro BR-04468/2026. No estado, Lula aparece com 66,7% das intenções de voto no primeiro turno, contra 18,1% de Flávio Bolsonaro. Nos quatro cenários simulados de segundo turno, o presidente supera os 70%, seja diante do senador, de Renan Santos, de Caiado ou de Zema.
Veículos de direita enfatizaram o recorte do voto útil e trataram os números como evidência de que o campo conservador ainda não definiu seu nome mais competitivo, destacando Caiado como principal beneficiário de uma eventual reconfiguração. Veículos de esquerda deram relevo à vantagem folgada do presidente no Piauí e à consistência de sua liderança nos cenários de segundo turno, apresentando o desempenho como sinal de solidez eleitoral. Veículos de centro não haviam publicado leitura própria dos dois levantamentos até o fechamento desta reportagem, o que concentra a interpretação dos dados nos dois polos.
Apesar da diferença de enquadramento, as coberturas convergem nos pontos factuais. Ambas registram o presidente à frente, ambas reconhecem a existência de um eleitorado de direita disponível para migrar e ambas citam os mesmos três nomes como alternativas: Caiado, Renan Santos e Zema. Também não há divergência sobre a metodologia declarada de cada instituto nem sobre os registros junto à Justiça Eleitoral.
O que ainda não se sabe é decisivo. Nenhum dos dois levantamentos responde se Flávio Bolsonaro seguirá pré-candidato até o registro das chapas, nem se haverá acordo no campo conservador em torno de um único nome. A pesquisa do Piauí é estadual e não pode ser lida como retrato nacional, enquanto a pesquisa nacional mede disposição de troca e não intenção de voto consolidada. As duas coberturas também não trazem recortes por região, renda ou escolaridade que ajudem a explicar a volatilidade medida, nem estimativas sobre o efeito de eventuais desistências no tamanho da abstenção.
Os dois lados aceitam os mesmos números: o presidente lidera onde foi medido, seu eleitorado é o mais fiel e há um contingente expressivo de eleitores de direita disposto a migrar de candidato. Caiado, Renan Santos e Zema são reconhecidos por ambos como as alternativas mais citadas no campo conservador.

O presidente lidera com folga os cenários de primeiro e segundo turnos no estado

Ronaldo Caiado é o nome mais popular como 'voto útil' para o eleitorado à direita, indica levantamento Real Time Big Data
Falácias identificadas
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