O dólar comercial fechou esta segunda-feira cotado a R$ 5,132, a terceira queda seguida e o menor nível em quase três semanas. Na contramão, o Ibovespa, principal índice da B3, recuou 0,93% e terminou aos 172.447 pontos, devolvendo parte dos ganhos da semana anterior. O dia foi de ajuste de posições, com agenda econômica esvaziada no Brasil e investidores atentos ao cenário internacional.
A cobertura de centro relatou que, sem indicadores domésticos relevantes, o câmbio foi guiado pelo ambiente externo e pela valorização de commodities exportadas pelo país, como soja e minério de ferro, além do recorde recente nas vendas de carne, fatores que favorecem a entrada de dólares na economia. A moeda americana também perdeu força no exterior, e o índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas, terminou praticamente estável. No acumulado de 2026, o dólar já cai 6,50% frente ao real.
Na bolsa, o movimento foi inverso. O Ibovespa recuou mesmo com a alta de Wall Street, onde os índices subiram puxados por empresas de tecnologia e inteligência artificial. Segundo os veículos, esse fluxo estrangeiro para o setor de tecnologia nos Estados Unidos reduz o interesse por mercados emergentes como o Brasil. A trajetória de juros do Federal Reserve dominou as atenções: os investidores aguardam a ata da última reunião do banco central americano, prevista para quarta-feira, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de junho, na sexta. No país, o relatório Focus do Banco Central reduziu a projeção de inflação de 2026 de 5,33% para 5,30%, com a Selic projetada seguindo em 14% ao fim do ano, ante os atuais 14,25%.
É na leitura do fator político que as coberturas divergem. Veículos de centro com foco em mercado enfatizaram que a cautela dos investidores nasceu principalmente da divergência entre um Fed com viés de alta de juros e um Banco Central brasileiro com viés de corte, apontada por analistas como fator que enfraquece o real, além das preocupações com a política fiscal após 2027 e da proximidade das eleições de 2026. Outra parte da cobertura de centro destacou um ângulo doméstico distinto: o mercado acompanhava o início da audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, sobre a possível imposição de uma tarifa adicional de 25% a produtos brasileiros, na qual o pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro deve falar em Washington. Uma leitura à esquerda tende a ressaltar que essa ida ocorre enquanto os próprios Estados Unidos discutem sancionar o Brasil, e que a ameaça tarifária penaliza produtores e trabalhadores nacionais. Uma leitura à direita, por sua vez, tende a enfatizar que a fragilidade do real e a fuga de capital cobram do país disciplina fiscal e previsibilidade, sobretudo diante das incertezas eleitorais.
No mercado internacional, o petróleo fechou em leve queda, pressionado pela decisão da Opep+ de elevar a produção a partir de agosto e pela normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, com o Brent a US$ 71,99 e o WTI a US$ 68,55. O que ainda não se sabe é qual será o resultado concreto da audiência do USTR e se a tarifa de 25% será de fato aplicada, além do rumo que a ata do Fed e o IPCA de junho darão às expectativas de juros no Brasil e nos Estados Unidos.