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Levantamento da coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, aponta que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), realizou 176 voos em aeronaves da Força Aérea Brasileira desde que assumiu o cargo, dos quais 75 (43%) tiveram como destino a Paraíba, seu estado natal. Segundo a apuração, 82% dos deslocamentos ocorreram em dias sem compromissos públicos registrados na agenda oficial da Casa. O custo total foi estimado em cerca de R$ 6,2 milhões. O uso das aeronaves é prerrogativa legal prevista no Decreto 10.267/2020 para chefes de Poder.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), realizou 176 voos em aeronaves da Força Aérea Brasileira desde que assumiu o comando da Casa, e 75 desses deslocamentos, cerca de 43%, tiveram como destino a Paraíba, seu estado natal e principal base política. Os dados são de um levantamento publicado na coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, e reproduzidos por veículos de diferentes linhas editoriais.
Segundo a apuração, a maior parte dessas viagens ocorreu em dias sem compromissos públicos registrados na agenda oficial da Câmara. Considerando o total de deslocamentos, 82% aconteceram sem eventos oficiais divulgados no portal da Casa. O custo total dos voos foi estimado em aproximadamente R$ 6,2 milhões, valor custeado pela União. As aeronaves são operadas pelo Grupo de Transporte Especial, unidade da FAB responsável pelo transporte de autoridades, e seu uso é previsto no Decreto 10.267, de 2020, que autoriza os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal, além do presidente e do vice da República e ministros, a utilizar os aviões por motivos de segurança, emergência médica ou missões institucionais.
Há convergência entre as coberturas quanto aos números centrais e ao fato de que se trata de um padrão recorrente entre presidentes da Câmara. O próprio levantamento compara Motta a seus antecessores: Rodrigo Maia destinou 44% de seus voos ao Rio de Janeiro, seu estado de origem, e Arthur Lira registrou percentual ainda maior, com 55% dos deslocamentos para Alagoas. Nos três casos, os voos se concentraram nos respectivos redutos eleitorais.
As ênfases divergem conforme a linha editorial. A cobertura de veículos de direita, como O Antagonista, enquadrou o tema pela chave do controle do gasto público e da fiscalização de privilégios, destacando no título a concentração de voos para o estado natal e a ausência de agenda pública que justificasse os deslocamentos custeados pelo contribuinte. Já a cobertura de centro, refletida na reportagem factual da Revista Fórum, apresentou os percentuais, o custo estimado e a comparação histórica com paridade, reconhecendo tratar-se de uma prerrogativa legal do cargo. Uma leitura de esquerda tende a enfatizar que o aparato do Estado é mobilizado para fortalecer projetos políticos regionais num momento de cobrança por austeridade fiscal, questionando a transparência da prestação de contas ao cidadão.
O que ainda não se sabe é qual a justificativa oficial do gabinete de Motta para os deslocamentos sem agenda pública registrada. A assessoria do presidente da Câmara foi procurada pelos veículos e não respondeu até a publicação das reportagens. Também não há detalhamento sobre a natureza de cada viagem nem sobre a eventual existência de compromissos não divulgados no portal oficial.
Esquerda, centro e direita reconhecem os números centrais: 176 voos da FAB, 75 (43%) para a Paraíba, 82% sem agenda pública e custo estimado de R$ 6,2 milhões. Todos apontam que o padrão se repete com antecessores como Maia e Lira.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial esquerda.
Apesar de a Revista Fórum ter linha editorial de esquerda, este texto é predominantemente factual: reproduz o levantamento de Lauro Jardim/O Globo, apresenta o custo estimado (R$ 6,2 milhões), a prerrogativa legal e a comparação com Maia e Lira sem editorializar contra Motta. O enquadramento neutro e a paridade de dados aproximam a matéria do CENTER, ainda que o veículo seja LEFT.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Nenhum veículo de centro cobriu esta história.
Veículos com viés à direita
O Antagonista enquadra o tema como accountability do gasto público e uso de prerrogativa, típico de cobertura crítica ao poder concentrado. Cita o decreto regulador e busca a defesa da Câmara (que não respondeu), mas o título e o lead enfatizam a 'concentração' de voos para o estado natal, tom fiscalizatório de direita.
Perspectivas omitidas

Levantamento mostra que 75 dos 176 voos em aeronaves da FAB tiveram como destino a Paraíba, muitas vezes sem agenda pública registrada

Todos esses deslocamentos ocorreram em dias nos quais não havia compromissos públicos registrados na agenda oficial disponibilizada pela Câmara dos Deputados
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